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Pílula Contracetiva: Efeitos Secundários, Riscos e Contraindicações

Introduction

A contraceptive pill é um dos medicamentos mais estudados da história da medicina, com décadas de evidência sobre a sua segurança e perfil de efeitos secundários. Contudo, como qualquer fármaco, a pílula contracetiva não é isenta de riscos, sendo fundamental que as mulheres disponham de informação clara para uma decisão informada.

Os efeitos secundários da contraceptive pill são geralmente ligeiros e transitórios, resolvendo-se nos primeiros 2 a 3 meses de utilização. Os riscos mais graves, embora raros, incluem eventos tromboembólicos venosos e arteriais. A European Medicines Agency (EMA) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) mantêm orientações atualizadas sobre a segurança da contraceção hormonal.

Efeitos Secundários Comuns da Pílula Contracetiva

Os efeitos secundários mais frequentes da contraceptive pill combinada incluem náuseas, tensão mamária, cefaleias, alterações do humor, spotting (hemorragia intermenstrual) e diminuição da libido. Estes efeitos são mais comuns nos primeiros 3 meses e tendem a resolver-se com a continuação do tratamento.

As náuseas afetam 10 a 20 % das utilizadoras nos primeiros ciclos e podem ser minimizadas tomando a contraceptive pill à noite ou com alimentos. O spotting ocorre em até 30 % das utilizadoras nos primeiros meses e é mais frequente com pílulas de baixa dosagem estrogénica. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda aguardar 3 ciclos antes de considerar a mudança de pílula por efeitos secundários ligeiros.

As alterações do humor e diminuição da libido são efeitos secundários que geram preocupação significativa. Um estudo dinamarquês publicado no JAMA Psychiatry, envolvendo mais de um milhão de mulheres, identificou uma associação modesta entre o uso de contracetivos hormonais e o diagnóstico de depressão, especialmente em adolescentes. Contudo, a maioria das utilizadoras não reporta impacto negativo no humor. A Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH) do Reino Unido recomenda monitorização do humor nas primeiras semanas de utilização.

Riscos Tromboembólicos da Pílula Contracetiva

O risco de tromboembolismo venoso (TEV) é o efeito adverso mais grave associado à pílula contracetiva combinada. O risco basal de TEV em mulheres jovens não grávidas é de 2 por 10 000 mulheres/ano. Com a pílula combinada de segunda geração (levonorgestrel), o risco aumenta para 5 a 7 por 10 000; com pílulas de terceira e quarta geração, para 9 a 12 por 10 000 mulheres/ano.

A European Medicines Agency (EMA) concluiu em 2014 que o benefício das pílulas combinadas supera os riscos, mas recomenda que as pílulas com levonorgestrel ou noretisterona sejam consideradas como primeira opção, por apresentarem menor risco tromboembólico. Fatores que aumentam significativamente o risco de TEV incluem obesidade, tabagismo, imobilização prolongada, cirurgia major, trombofilia hereditária e história familiar de TEV.

O risco de tromboembolismo arterial (enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral) é muito baixo em mulheres jovens saudáveis, mas aumenta significativamente com o tabagismo, especialmente em mulheres com mais de 35 anos. A OMS classifica o uso de pílula combinada em fumadoras com mais de 35 anos como categoria 4 (contraindicação absoluta). O reconhecimento dos sinais de alerta de TEV — dor ou edema unilateral da perna, dor torácica súbita e dispneia — é fundamental para intervenção precoce.

Contraindicações e Precauções

A OMS publicou os Critérios Médicos de Elegibilidade para uso de contracetivos, classificando as condições em 4 categorias de risco. Para a pílula combinada, as contraindicações absolutas (categoria 4) incluem: fumadora com mais de 35 anos (≥15 cigarros/dia), hipertensão arterial não controlada, história de TEV ou embolia pulmonar, enxaqueca com aura, doença cardíaca isquémica, e amamentação nas primeiras 6 semanas pós-parto.

Condições que requerem precaução especial (categoria 3) incluem: tabagismo com menos de 35 anos, hipertensão arterial controlada, enxaqueca sem aura em mulheres com mais de 35 anos, cirrose compensada, e história de colestase associada a contracetivos. Nestas situações, os riscos geralmente superam os benefícios, devendo considerar-se alternativas contracetivas.

A pílula progestativa tem menos contraindicações, sendo uma alternativa para muitas mulheres que não podem usar estrogénios. As contraindicações absolutas da pílula progestativa são limitadas: cancro da mama atual e hepatopatia grave. O NICE e a Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare recomendam que todas as mulheres sejam avaliadas quanto a fatores de risco antes da prescrição de qualquer pílula contracetiva, utilizando os critérios de elegibilidade da OMS.

In Doctor on the Net, a equipa clínica realiza avaliação completa de fatores de risco antes da prescrição da contraceptive pill, garantindo uma escolha segura e adequada para cada mulher.

Mulher no lado direito em consulta online sobre pílula contracetiva com médica no tablet

Perguntas frequentes (FAQ)

Existe um pequeno aumento do risco de cancro da mama durante o uso da pílula, que desaparece 10 anos após a descontinuação. O risco absoluto é muito baixo em mulheres jovens. A pílula reduz o risco de cancro do ovário e endométrio.

Se tiver menos de 35 anos, pode tomar a pílula combinada com precaução. Após os 35 anos, o tabagismo é uma contraindicação absoluta para a pílula combinada. A pílula progestativa é uma alternativa segura.

Se o esquecimento for inferior a 12 horas (pílula combinada) ou 12 horas (desogestrel), tome assim que se lembrar. Se ultrapassar este período, consulte as instruções específicas da sua pílula ou contacte o seu médico.

Sim. Alguns antibióticos (rifampicina), antiepilépticos e antirretrovirais reduzem a eficácia da pílula. O hipericão (erva de São João) também pode diminuir a eficácia contracetiva.

Não há evidência que justifique fazer pausas periódicas na pílula contracetiva. Esta prática não traz benefícios e pode resultar em gravidez indesejada. A continuação sem interrupções é segura.

Conclusion

A contraceptive pill é um método seguro para a grande maioria das mulheres, mas requer avaliação individual de fatores de risco antes da prescrição. Os efeitos secundários são geralmente ligeiros e transitórios, enquanto os riscos graves, como o tromboembolismo venoso, são raros e podem ser minimizados pela escolha adequada do tipo de pílula. A decisão informada e o acompanhamento médico são essenciais para uma contraceção segura e eficaz.

Referências

European Medicines Agency. Combined hormonal contraceptives: Benefit-risk review confirms that benefits outweigh risks

Skovlund C.W. et al. Association of Hormonal Contraception with Depression. JAMA Psychiatry (2016)

World Health Organization. Medical Eligibility Criteria for Contraceptive Use. 5th edition

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.