Introduction
The allergies são uma das condições crónicas mais prevalentes a nível mundial, afetando mais de 150 milhões de europeus e cerca de 30 % da população portuguesa, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). A prevalência das doenças alérgicas tem aumentado consistentemente nas últimas décadas, particularmente nos países industrializados.
Once alergia é uma resposta exagerada do sistema imunitário a substâncias habitualmente inofensivas — os alergénios. Esta reação imunitária inadequada pode manifestar-se de múltiplas formas, desde rinite e conjuntivite alérgica até asma, urticária, eczema e anafilaxia. A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica as doenças alérgicas entre as epidemias não infeciosas do século XXI, reconhecendo o seu impacto crescente na saúde pública.
Tipos de Alergias Mais Comuns
A rinite alérgica é a manifestação alérgica mais frequente, afetando 20 a 25 % da população portuguesa. Caracteriza-se por espirros repetidos, congestão nasal, rinorreia aquosa e prurido nasal, podendo ser sazonal (associada a pólenes) ou perene (ácaros, pelos de animais, fungos). A European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI) classifica a rinite alérgica como intermitente ou persistente, conforme a duração dos sintomas.
A asma alérgica afeta cerca de 7 % da população portuguesa e é frequentemente coexistente com a rinite alérgica — o conceito de “via aérea única” reconhece que estas duas condições partilham mecanismos inflamatórios comuns. A Global Initiative for Asthma (GINA) recomenda a avaliação de rinite em todos os doentes asmáticos e vice-versa.
The alergias alimentares afetam 3 a 6 % das crianças e 1 a 3 % dos adultos. Os alergénios alimentares mais frequentes em Portugal incluem leite de vaca, ovo, frutos secos, marisco, peixe, trigo e soja. A alergia ao amendoim e frutos de casca rija é a causa mais comum de anafilaxia alimentar. A dermatite atópica (eczema) e a urticária são outras manifestações alérgicas frequentes que afetam significativamente a qualidade de vida.
Mecanismo das Alergias
The alergias mediadas por IgE (tipo I) são as mais comuns. Na primeira exposição ao alergénio, o sistema imunitário produz anticorpos IgE específicos que se fixam nos mastócitos e basófilos. Na reexposição, o alergénio liga-se às IgE, provocando a desgranulação destas células e a libertação de histamina, leucotrienos e outras substâncias inflamatórias.
A histamina é a principal mediadora dos sintomas alérgicos agudos: vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular, contração do músculo liso brônquico, estimulação das terminações nervosas (prurido) e secreção mucosa. A fase tardia da resposta alérgica, mediada por eosinófilos e linfócitos T, contribui para a inflamação crónica observada na asma e rinite persistente.
A predisposição genética (atopia) desempenha papel fundamental: se ambos os pais forem alérgicos, o risco nos filhos é de 60 a 80 %. A European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI) reconhece que fatores ambientais — poluição, alterações na dieta, uso precoce de antibióticos, redução da exposição microbiana (hipótese da higiene) — contribuem para o aumento da prevalência das alergias.
Diagnóstico das Alergias
The diagnóstico das alergias baseia-se na história clínica detalhada, nos testes cutâneos por picada (prick tests) e na doseamento de IgE específicas séricas. Os testes cutâneos por picada são o método de primeira linha, com resultados disponíveis em 15 a 20 minutos. A SPAIC recomenda a realização de testes cutâneos com os painéis de alergénios mais relevantes para a região geográfica do doente.
A doseamento de IgE específicas séricas (ImmunoCAP) é uma alternativa quando os testes cutâneos não podem ser realizados (dermatite extensa, uso de anti-histamínicos, risco de anafilaxia). O diagnóstico molecular de alergias (component-resolved diagnostics) permite identificar as proteínas alergénicas específicas envolvidas, melhorando a precisão diagnóstica e a indicação para imunoterapia.
Os testes de provocação (nasal, brônquica, oral) são considerados o gold standard diagnóstico mas são reservados para situações específicas, dado o risco de reações graves. A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal estabelece orientações para referenciação a consulta de alergologia, garantindo o diagnóstico adequado e o acesso a imunoterapia específica quando indicada.
In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação inicial de allergies, orientação sobre investigação diagnóstica e referenciação para consulta de alergologia quando indicado.
Perguntas frequentes (FAQ)
Are allergies hereditary?
A predisposição alérgica (atopia) é hereditária. Se um dos pais é alérgico, o risco nos filhos é de 30-40%. Se ambos os pais são alérgicos, o risco sobe para 60-80%. Contudo, a alergia específica (ex: pólen, ácaros) não é herdada diretamente.
As alergias podem surgir em adulto?
Sim. Embora muitas allergies se manifestem na infância, é possível desenvolver novas alergias em qualquer idade. As alergias alimentares, a rinite alérgica e a asma podem surgir de novo na idade adulta.
Os testes de alergia são dolorosos?
Não. Os testes cutâneos por picada (prick tests) causam apenas um leve desconforto momentâneo e são seguros. São realizados no antebraço e os resultados ficam disponíveis em 15-20 minutos.
As alergias podem desaparecer?
Sim, em alguns casos. A alergia ao leite e ao ovo resolve-se frequentemente na infância. Contudo, as alergias a amendoim, frutos secos, peixe e marisco tendem a persistir. A rinite alérgica pode melhorar ou agravar ao longo da vida.
Qual a diferença entre alergia e intolerância?
A alergia envolve o sistema imunitário (produção de IgE) e pode causar reações graves, incluindo anafilaxia. A intolerância (ex: intolerância à lactose) não envolve o sistema imunitário e causa sintomas digestivos, sem risco de anafilaxia.
Conclusion
The allergies são condições crónicas extremamente prevalentes em Portugal e na Europa, com impacto significativo na qualidade de vida. O diagnóstico correto, baseado na história clínica e em testes específicos, é fundamental para orientar o tratamento adequado. A compreensão dos mecanismos alérgicos e a identificação dos alergénios responsáveis são os primeiros passos para uma gestão eficaz das doenças alérgicas.
Referências
European Academy of Allergy and Clinical Immunology. EAACI Molecular Allergology User’s Guide
Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention