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Doenças do Viajante: Febre ao Regressar, Diarreia Tropical e Quando Procurar Ajuda

Introduction

The doenças adquiridas durante viagens internacionais são uma realidade frequente, com 22 a 64 % dos viajantes para regiões tropicais a reportar algum problema de saúde durante ou após a viagem. O reconhecimento dos sintomas de doenças tropicais e a procura atempada de cuidados médicos são fundamentais para o diagnóstico e tratamento precoces, especialmente no caso de doenças potencialmente graves como a malária.

Em Portugal, o Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) e os hospitais centrais dispõem de consultas especializadas em patologia tropical para avaliação de viajantes regressados com sintomas. A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda que qualquer viajante com febre nos primeiros 12 meses após regresso de zona endémica de malária procure cuidados médicos urgentes, informando sobre o historial de viagem.

Febre Após Viagem Internacional

A febre é o motivo mais frequente de consulta médica urgente no viajante regressado, representando até 25 % de todas as queixas pós-viagem. A malária é o diagnóstico mais importante a excluir em qualquer viajante com febre nos 12 meses após regresso de zona endémica, podendo ser fatal em horas se não tratada. O teste de gota espessa e o teste rápido de diagnóstico devem ser realizados com urgência.

A dengue é a segunda causa mais frequente de febre no viajante regressado dos trópicos, com incidência crescente a nível global. Manifesta-se com febre alta, mialgias intensas (“febre quebra-ossos”), cefaleia retro-orbitária, exantema e leucopenia. A European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) alerta para o risco de dengue autóctone no sul da Europa, incluindo o arquipélago da Madeira, onde ocorreu um surto em 2012.

Outras causas de febre no viajante incluem: febre tifoide (Ásia do Sul, África), chikungunya (trópicos), zika (América Latina, Ásia do Sudeste), hepatite A e E (água/alimentos contaminados), infeções respiratórias e rickettsioses (picada de carraça). O CDC recomenda uma abordagem sistemática que considere o destino, o período de incubação, as exposições de risco e o quadro clínico para orientar o diagnóstico diferencial.

Diarreia do Viajante e Infeções Gastrointestinais

A diarreia do viajante é a doença mais comum, afetando 30 a 70 % dos viajantes para países de baixo rendimento. Na maioria dos casos é causada por E. coli enterotoxigénica, seguida de Campylobacter, Salmonella, Shigella e, menos frequentemente, parasitas como Giardia lamblia e Entamoeba histolytica.

A maioria dos episódios é autolimitada, resolvendo-se em 3 a 5 dias. O tratamento baseia-se em reidratação oral (sais de reidratação), loperamida como sintomático (em diarreias sem febre nem sangue) e antibioterapia com azitromicina em casos moderados a graves (febre, diarreia sanguinolenta, mais de 3 dejeções por dia com impacto funcional). As fluoroquinolonas devem ser evitadas como tratamento empírico no Sudeste Asiático, pela elevada resistência do Campylobacter.

A diarreia persistente (>14 dias) ou crónica após viagem deve levantar a suspeita de infeção parasitária — particularmente giardíase, amebíase ou criptosporidiose. O exame parasitológico de fezes (idealmente 3 amostras colhidas em dias alternados) e os testes moleculares (PCR multiplex para enteropatogénios) são fundamentais para o diagnóstico. A Sociedade Portuguesa de Doenças Infeciosas (SPDI) recomenda investigação parasitológica em toda a diarreia persistente após viagem tropical.

Doenças Cutâneas e Outras Condições do Viajante

As dermatoses são a terceira causa mais frequente de consulta no traveller regressado, após febre e diarreia. As picadas de insetos com reação alérgica, a larva migrans cutânea (praia tropical), a leishmaniose cutânea, a miíase (larvas subcutâneas) e a tungíase (pulga de areia) são diagnósticos a considerar em lesões cutâneas adquiridas nos trópicos.

As infeções sexualmente transmissíveis adquiridas em viagem são uma preocupação crescente. Estudos publicados no Journal of Travel Medicine estimam que 5 a 50 % dos viajantes de longa duração têm contactos sexuais com parceiros locais ou outros viajantes. O rastreio de ISTs deve ser considerado em viajantes que reportem novos contactos sexuais desprotegidos durante a viagem.

A esquistossomose (bilharziose) deve ser investigada em viajantes com exposição a água doce na África Subsaariana, particularmente lagos e rios. Os sintomas podem surgir semanas a meses após a exposição, com febre, urticária, eosinofilia e hematúria. A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) recomenda serologia para Schistosoma em viajantes com exposição de risco, mesmo assintomáticos. O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) em Lisboa é o centro de referência em Portugal para diagnóstico de doenças tropicais.

In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação de viajantes regressados com sintomas, com orientação para diagnóstico de doenças tropicais e referenciação para centros especializados quando necessário.

Mulher loira sentada em uma mesa, conversando por vídeo em seu notebook com um médico homem sorridente de jaleco branco, representando como o viajante pode obter assistência médica remota de qualquer lugar do mundo.

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim, com urgência. Qualquer febre nos 12 meses após regresso de zona endémica de malária deve ser avaliada como urgência médica. Informe sempre o médico sobre a sua viagem.

Na maioria dos casos é autolimitada. Contudo, deve procurar ajuda se tiver diarreia sanguinolenta, febre alta, desidratação ou se os sintomas durarem mais de 3-5 dias.

A profilaxia antibiótica de rotina para diarreia do viajante não é recomendada. Pode levar um antibiótico de reserva (azitromicina) prescrito pelo médico para autotratamento em caso de diarreia grave.

Os sintomas de malária surgem geralmente 7-30 dias após a picada, mas podem demorar até 12 meses (especialmente com Plasmodium vivax e P. ovale). A febre pós-viagem requer sempre exclusão de malária.

O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) em Lisboa é o centro de referência. Os hospitais centrais também dispõem de consultas de doenças tropicais e infecciosas com capacidade diagnóstica.

Conclusion

The viajante regressado com sintomas requer uma abordagem clínica que considere os riscos específicos do destino e as exposições durante a viagem. A exclusão urgente de malária em qualquer febre pós-viagem tropical é mandatória. A diarreia persistente, as lesões cutâneas tropicais e a febre inexplicada devem ser investigadas com exames específicos e referenciadas a centros especializados quando necessário. Informar o médico sobre viagens recentes é o passo mais importante para um diagnóstico correto e atempado.

Referências

European Centre for Disease Prevention and Control. Surveillance and epidemiology of imported infectious diseases in EU/EEA

Centers for Disease Control and Prevention. CDC Yellow Book — Posttravel Evaluation

Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Orientações para Diagnóstico de Malária Importada

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.