Introduction
A tricomoníase é a infeção sexualmente transmissível (IST) não viral mais prevalente a nível mundial, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que ocorrem anualmente 156 milhões de novos casos de tricomoníase globalmente, superando em número a clamídia, a gonorreia e a sífilis combinadas.
Apesar da sua elevada prevalência, a tricomoníase é frequentemente subdiagnosticada e negligenciada nos programas de controlo de ISTs. A infeção por Trichomonas vaginalis é assintomática em até 70 % dos casos, o que faz com que sintomas de tricomoníase passem despercebidos em muitos doentes, facilitando a transmissão sustentada. O diagnóstico precoce da tricomoníase é essencial para prevenir complicações reprodutivas e reduzir o risco de aquisição de outras ISTs, incluindo o VIH.
Sintomas da Tricomoníase
The sintomas de tricomoníase nas mulheres, quando presentes, manifestam-se tipicamente por corrimento vaginal abundante, espumoso, de coloração amarelo-esverdeada e com odor desagradável. Prurido vulvar intenso, disúria, dispareunia e eritema vaginal são outros sintomas frequentes da tricomoníase feminina.
Nos homens, a tricomoníase é maioritariamente assintomática, embora possa causar uretrite com corrimento uretral ligeiro, disúria e, ocasionalmente, desconforto testicular. A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) destaca que a resolução espontânea é comum nos homens, o que dificulta o diagnóstico mas mantém a capacidade de transmissão da tricomoníase, mesmo quando sintomas de tricomoníase são discretos ou inexistentes.
O período de incubação da tricomoníase varia entre 4 e 28 dias. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) alerta que a apresentação clínica da tricomoníase pode mimetizar outras vaginites (candidíase, vaginose bacteriana), sendo o diagnóstico laboratorial fundamental quando sintomas de tricomoníase levantam suspeita clínica.
Diagnosis
O diagnóstico laboratorial da tricomoníase evoluiu significativamente nos últimos anos. Os testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) são atualmente o método de referência, com sensibilidade de 95 a 100 %, muito superior ao exame microscópico a fresco (sensibilidade de 51 a 65 %).
O exame microscópico a fresco do corrimento vaginal, com identificação de protozoários flagelados móveis, permite diagnóstico imediato quando positivo, mas a sua sensibilidade limitada resulta em muitos falsos negativos. A cultura em meio Diamond é uma alternativa com sensibilidade de 75 a 96 %, embora requeira 3 a 7 dias para resultado.
Os testes rápidos point-of-care (OSOM Trichomonas Rapid Test) permitem resultados em 10 minutos com sensibilidade de 82 a 95 %. A International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) recomenda o uso de NAAT para rastreio e diagnóstico da tricomoníase, especialmente quando sintomas de tricomoníase estão presentes ou em populações de risco.
Complicações
A tricomoníase não tratada está associada a complicações significativas na saúde reprodutiva feminina, incluindo doença inflamatória pélvica, maior suscetibilidade ao VIH (aumento de 1,5 a 2 vezes no risco de aquisição) e complicações obstétricas como parto pré-termo e baixo peso ao nascer.
A associação entre tricomoníase e risco aumentado de aquisição e transmissão do VIH é um achado epidemiológico consistente. A inflamação genital causada pelo Trichomonas vaginalis compromete a barreira mucosa e recruta células-alvo do VIH, facilitando a infeção. Estudos publicados no The Lancet Infectious Diseases confirmam esta relação bidirecional.
A tricomoníase tem sido também associada a risco aumentado de neoplasia cervical em mulheres com coinfeção por HPV, embora esta relação necessite de mais investigação. A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) reconhece a tricomoníase como um cofator relevante na epidemiologia das ISTs.
In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece diagnóstico laboratorial preciso e tratamento personalizado da tricomoníase, com aconselhamento sobre prevenção e gestão de parceiros sexuais quando sintomas de tricomoníase levantam suspeita de infeção.
Perguntas frequentes (FAQ)
A tricomoníase é uma IST?
Sim. A tricomoníase é uma infeção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, transmitida por contacto sexual vaginal. É a IST não viral mais frequente no mundo.
Os homens podem ter tricomoníase?
Sim. Embora maioritariamente assintomática nos homens, os sintomas de tricomoníase podem causar uretrite e manter-se como fonte de transmissão. O tratamento do parceiro masculino é essencial para evitar reinfeções, mesmo quando sintomas de tricomoníase não são evidentes.
A tricomoníase aumenta o risco de VIH?
Sim. A tricomoníase aumenta o risco de aquisição e transmissão do VIH em 1,5 a 2 vezes, devido à inflamação genital que compromete a barreira mucosa protetora.
O preservativo protege contra a tricomoníase?
Sim. O uso consistente e correto do preservativo masculino reduz significativamente o risco de transmissão da tricomoníase, sendo a medida preventiva mais eficaz.
A tricomoníase pode afetar a gravidez?
Sim. A tricomoníase na gravidez está associada a parto pré-termo, rotura prematura de membranas e baixo peso ao nascer. O rastreio e tratamento durante a gestação são recomendados.
Conclusion
A tricomoníase é a IST não viral mais prevalente globalmente, frequentemente assintomática e subdiagnosticada. O reconhecimento precoce dos sintomas de tricomoníase, o diagnóstico laboratorial com NAAT, a identificação das complicações reprodutivas e da associação com o VIH, e o tratamento de parceiros são fundamentais para o controlo da tricomoníase e a proteção da saúde sexual.
Referências
World Health Organization – Trichomoniasis: Key facts and global estimates
Kissinger P. Trichomonas vaginalis: a review of epidemiologic, clinical and treatment issues