Introduction
O tratamento da gonorreia enfrenta desafios crescentes devido à resistência antimicrobiana da Neisseria gonorrhoeae. A Organização Mundial da Saúde considera a gonorreia multirresistente uma das maiores ameaças à saúde pública global, exigindo vigilância contínua e atualização frequente dos protocolos terapêuticos.
As guidelines internacionais, incluindo as da British Association for Sexual Health and HIV e do Centers for Disease Control and Prevention, recomendam atualmente a ceftriaxona como tratamento de primeira linha da gonorreia. A monitorização da resistência e o desenvolvimento de novos antibióticos são prioridades na gestão desta infeção sexualmente transmissível.
Antibioterapia Atual
O regime terapêutico de primeira linha para o tratamento da gonorreia não complicada é a ceftriaxona 1 g por via intramuscular em dose única. Este regime substitui o anterior regime duplo (ceftriaxona + azitromicina) após a demonstração de que a ceftriaxona isolada é suficiente quando a resistência local à azitromicina é monitorizada.
Para a gonorreia faríngea, a ceftriaxona permanece como único tratamento comprovadamente eficaz, com taxas de cura superiores a 95 %. Em caso de alergia grave a cefalosporinas, a gentamicina 240 mg IM associada a azitromicina 2 g oral é a alternativa recomendada pela British Association for Sexual Health and HIV.
O teste de cura é obrigatório para todos os casos de gonorreia, realizado 2 semanas após o tratamento através de NAAT. A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases enfatiza que o seguimento é essencial para detetar falências terapêuticas associadas à resistência da Neisseria gonorrhoeae.
Resistência Antimicrobiana
A Neisseria gonorrhoeae desenvolveu progressivamente resistência a todas as classes de antibióticos utilizadas no seu tratamento, incluindo sulfonamidas, penicilinas, tetraciclinas, fluoroquinolonas e, mais recentemente, azitromicina. O programa europeu European Gonococcal Antimicrobial Surveillance Programme monitoriza anualmente os padrões de resistência na Europa.
Casos de gonorreia extensivamente resistente (XDR) foram reportados em vários países europeus, incluindo estirpes com sensibilidade reduzida à ceftriaxona. O desenvolvimento de novos antibióticos e tratamentos alternativos, como a zoliflodacina e a gepotidacina, estão em ensaios clínicos avançados.
A Organização Mundial da Saúde lançou o Global Gonococcal Antimicrobial Surveillance Programme (GASP) para coordenar a vigilância global da resistência. O uso criterioso de antibióticos e a adesão rigorosa às guidelines de tratamento da gonorreia são essenciais para retardar o desenvolvimento de resistência.
Prevenção e Saúde Pública
A prevenção da gonorreia baseia-se na utilização consistente do preservativo, na redução do número de parceiros sexuais e no rastreio regular de populações de risco. O tratamento de parceiros sexuais dos últimos 60 dias é mandatório para interromper a cadeia de transmissão.
A profilaxia pós-exposição com doxiciclina (doxy-PEP), tomada até 72 horas após exposição sexual de risco, demonstrou eficácia na redução da incidência de ISTs bacterianas, incluindo gonorreia, em estudos como o DoxyPEP trial.
A vacinação contra a gonorreia não está atualmente disponível, embora estudos observacionais tenham demonstrado que a vacina meningocócica B (MenB) pode conferir proteção cruzada parcial contra a Neisseria gonorrhoeae, com redução de 30 a 40 % na incidência.
In Doctor on the Net, a equipa clínica disponibiliza tratamento da gonorreia com protocolos baseados nas guidelines internacionais mais recentes, incluindo teste de cura e monitorização da resistência antimicrobiana.
Perguntas frequentes (FAQ)
A gonorreia pode ser curada?
Sim. A gonorreia é curável com antibioterapia adequada, nomeadamente ceftriaxona intramuscular. O teste de cura é obrigatório para confirmar a erradicação da Neisseria gonorrhoeae após o tratamento.
Porque é que o tratamento da gonorreia mudou nos últimos anos?
O tratamento evoluiu devido à crescente resistência antimicrobiana da Neisseria gonorrhoeae. Os regimes são atualizados regularmente pelas sociedades médicas para manter a eficácia terapêutica.
Posso tratar a gonorreia com comprimidos?
Atualmente, o tratamento da gonorreia, em primeira linha, é a ceftriaxona intramuscular, por ser mais eficaz que os antibióticos orais. Opções orais podem ser consideradas em circunstâncias especiais, sob orientação médica.
O que acontece se a gonorreia não for tratada?
O tratamento da gonorreia, quando não realizado, pode causar doença inflamatória pélvica, epididimite, infertilidade, artrite gonocócica e, raramente, infeção disseminada com risco de vida. O tratamento precoce previne todas estas complicações.
A gonorreia pode tornar-se intratável?
Embora casos de resistência elevada existam, a gonorreia permanece tratável com os regimes atuais. A vigilância contínua da resistência e o desenvolvimento de novos antibióticos são prioridades para garantir que a gonorreia continue a ser curável.
Conclusion
The tratamento da gonorreia requer antibioterapia adequada com ceftriaxona, teste de cura obrigatório e vigilância da resistência antimicrobiana. A prevenção através do uso de preservativo, o tratamento de parceiros e novas estratégias como a doxy-PEP são essenciais para o controlo desta IST num contexto de crescente resistência antimicrobiana.
Referências
Unemo M. et al. – Gonorrhoea treatment: current recommendations and future perspectives. Nature Reviews Urology (2023)
European Centre for Disease Prevention and Control. Euro-GASP — Gonococcal Antimicrobial Susceptibility Surveillance.