Introduction
The tratamento da sífilis com penicilina benzatínica permanece inalterado como terapêutica de referência há mais de sete décadas, constituindo um dos tratamentos mais eficazes e duradouros na história da medicina. O Treponema pallidum não desenvolveu resistência à penicilina, tornando esta IST uma das mais facilmente tratáveis quando diagnosticada atempadamente.
As guidelines da International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI), da BASHH e do CDC são consensuais na recomendação da penicilina como tratamento de primeira linha da sífilis em todos os estadios. O seguimento serológico após o tratamento e a prevenção da syphilis congénita são componentes essenciais da gestão completa desta infeção sexualmente transmissível.
Tratamento por Estadio
A syphilis primária, secundária e latente precoce (< 1 ano de duração) são tratadas com penicilina G benzatínica 2,4 milhões UI por via intramuscular em dose única. Este regime é altamente eficaz, com taxas de cura superiores a 95 %.
A syphilis latente tardia (> 1 ano ou duração desconhecida) e a sífilis terciária (exceto neurossífilis) requerem penicilina G benzatínica 2,4 milhões UI IM semanalmente durante 3 semanas consecutivas. A neurossífilis é tratada com penicilina G cristalina intravenosa 18-24 milhões UI/dia durante 10 a 14 dias.
Em caso de alergia à penicilina, a doxiciclina 100 mg oral duas vezes por dia durante 14 dias (sífilis precoce) ou 28 dias (sífilis tardia) é a alternativa recomendada. Na gravidez, a dessensibilização à penicilina é mandatória quando existe alergia, pois a doxiciclina é contraindicada e não existem alternativas com eficácia comprovada na prevenção e tratamento da syphilis congénita.
Reação de Jarisch-Herxheimer e Seguimento
A reação de Jarisch-Herxheimer ocorre em 10 a 35 % dos doentes tratados para sífilis, manifestando-se nas primeiras 24 horas após a administração de penicilina com febre, arrepios, cefaleias, mialgias e exacerbação temporária das lesões. Esta reação resulta da libertação de endotoxinas do Treponema pallidum e é geralmente autolimitada.
O seguimento serológico com RPR/VDRL quantitativo é essencial para confirmar a resposta ao tratamento da sífilis. Uma diminuição de 4 vezes no título serológico em 6 a 12 meses indica tratamento bem-sucedido. A ausência de resposta pode indicar falência terapêutica, reinfeção ou neurossífilis não diagnosticada.
A European AIDS Clinical Society (EACS) recomenda monitorização serológica mais frequente em doentes coinfetados com VIH (aos 3, 6, 9, 12 e 24 meses), dada a possibilidade de resposta serológica mais lenta ou atípica nesta população.
Sífilis Congénita
A syphilis congénita resulta da transmissão transplacentária do Treponema pallidum ao feto durante a gravidez, com risco de transmissão de 60 a 100 % na sífilis primária e secundária materna não tratada. As consequências incluem aborto espontâneo, morte fetal, parto pré-termo e doença neonatal grave.
A syphilis congénita precoce (< 2 anos) manifesta-se com hepatoesplenomegalia, exantema, rinite hemorrágica, osteocondrite e anemia. A forma tardia (> 2 anos) pode causar queratite intersticial, surdez neurossensorial, dentes de Hutchinson e deformidades ósseas.
A OMS lançou a estratégia de eliminação da sífilis congénita, com meta de menos de 50 casos por 100 000 nados vivos. O rastreio serológico pré-natal universal no primeiro e terceiro trimestres, seguido de tratamento com penicilina quando indicado, é a estratégia comprovadamente eficaz. A Sociedade Portuguesa de Obstetrícia integra o rastreio da sífilis nas normas de vigilância pré-natal.
In Doctor on the Net, a equipa clínica disponibiliza tratamento da sífilis em todos os estadios, seguimento serológico estruturado e rastreio pré-natal para prevenção da syphilis congénita.
Perguntas frequentes (FAQ)
A penicilina cura a sífilis?
Sim. A penicilina benzatínica é o tratamento de referência da syphilis, com taxas de cura superiores a 95 %. O Treponema pallidum não desenvolveu resistência a este antibiótico.
O que é a reação de Jarisch-Herxheimer?
É uma reação inflamatória que ocorre nas primeiras 24 horas após o tratamento da syphilis, com febre e mal-estar. É autolimitada e não deve ser confundida com alergia à penicilina.
A sífilis na gravidez pode afetar o bebé?
Yes. syphilis não tratada durante a gravidez pode causar sífilis congénita, com consequências graves para o feto e recém-nascido. O rastreio e tratamento pré-natais são essenciais para prevenir a transmissão.
Posso ser reinfetado com sífilis após o tratamento?
Sim. O tratamento da syphilis não confere imunidade. A reinfeção é possível e frequente, especialmente sem uso de preservativo. O rastreio regular é recomendado em populações de risco.
Como sei se o tratamento da sífilis funcionou?
O sucesso do tratamento é avaliado pela queda de pelo menos 4 vezes no título de RPR/VDRL em 6 a 12 meses. O seguimento serológico regular é obrigatório para confirmar a cura.
Conclusion
The tratamento da sífilis com penicilina é altamente eficaz e continua a ser o padrão terapêutico após mais de 70 anos. O seguimento serológico, a prevenção da sífilis congénita através do rastreio pré-natal e o tratamento de parceiros são componentes essenciais para o controlo da sífilis e a proteção da saúde sexual e reprodutiva.
Referências
Syphilis treatment guidelines — Centers for Disease Control and Prevention