Introduction
The tratamento do Mycoplasma genitalium evoluiu significativamente face à crescente resistência antimicrobiana, passando de regimes empíricos para uma abordagem de terapêutica dirigida por testes de resistência. As guidelines da British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) e da International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) recomendam atualmente a realização de teste de resistência à azitromicina antes do início do tratamento, sempre que possível.
A abordagem “testar e tratar” (resistance-guided therapy) representa uma mudança de paradigma no tratamento das ISTs bacterianas, sendo o Mycoplasma o primeiro exemplo de gestão terapêutica rotineiramente guiada por teste de resistência molecular neste contexto.
Terapêutica Guiada por Resistência
Quando o teste de resistência à azitromicina é negativo (ausência de mutações no gene 23S rRNA), o regime recomendado é doxiciclina 100 mg duas vezes por dia durante 7 dias, seguida de azitromicina 1 g no primeiro dia e 500 mg nos dias 2 a 4 (regime sequencial). Este regime alcança taxas de cura de 85 a 95 %.
Quando existe resistência à azitromicina (mutações no 23S rRNA detetadas), a doxiciclina durante 7 dias é seguida de moxifloxacina 400 mg uma vez por dia durante 7 dias. A moxifloxacina permanece eficaz em 90 a 100 % das estirpes resistentes à azitromicina, embora a resistência emergente seja preocupante.
A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) enfatiza que o regime sequencial com doxiciclina prévia é fundamental, pois reduz a carga bacteriana antes do macrólido, aumentando a probabilidade de erradicação do Mycoplasma genitalium.
Tratamento de Casos Resistentes
Os casos de Mycoplasma genitalium com resistência simultânea à azitromicina e à moxifloxacina representam o maior desafio terapêutico atual. A prevalência de resistência dupla varia entre 5 e 15 % na Europa, segundo dados de vigilância.
A pristinamicina 1 g quatro vezes por dia durante 10 dias é utilizada como terapêutica de resgate em alguns centros europeus, embora a disponibilidade seja limitada. A minocicilina em doses elevadas é outra opção estudada para casos refratários.
Novos fármacos em investigação incluem a lefamulina (pleuromutilin) e a sitafloxacina (fluoroquinolona de 4ª geração), ambos com atividade promissora contra Mycoplasma genitalium resistente. O Australian STI Management Guidelines e a BASHH lideram a investigação de algoritmos terapêuticos para casos complexos de Mycoplasma genitalium.
Gestão de Parceiros e Seguimento
O tratamento de parceiros sexuais é recomendado para Mycoplasma genitalium, embora a evidência seja menos robusta do que para clamídia e gonorreia. A BASHH recomenda teste e tratamento de parceiros sexuais dos últimos 3 meses (ou do parceiro mais recente se > 3 meses).
O teste de cura é obrigatório no Mycoplasma genitalium, realizado por NAAT pelo menos 3 semanas após o término do tratamento, para garantir erradicação e evitar seleção de resistência. A persistência de infeção após tratamento adequado pode indicar resistência não detetada ou reinfeção.
A abstinência sexual é recomendada até confirmação do teste de cura negativo, tanto no doente como no parceiro. A prevenção da reinfeção baseia-se no uso de preservativo e no tratamento simultâneo de parceiros. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) reforça a importância do seguimento no controlo do Mycoplasma genitalium.
In Doctor on the Net, a equipa clínica disponibiliza diagnóstico molecular e tratamento dirigido do Mycoplasma genitalium, com teste de resistência, gestão de casos complexos e seguimento com teste de cura.
Perguntas frequentes (FAQ)
Porque é necessário teste de resistência antes do tratamento?
A resistência do Mycoplasma genitalium à azitromicina é elevada na Europa. O teste de resistência permite escolher o antibiótico mais eficaz, evitando tratamentos falhados e seleção de resistência adicional.
O tratamento do Mycoplasma genitalium é diferente do da clamídia?
Yes. Mycoplasma genitalium requer regimes terapêuticos mais complexos e prolongados, idealmente guiados por teste de resistência. A azitromicina em dose única, eficaz na clamídia, é frequentemente insuficiente para o Mycoplasma genitalium.
O que fazer se o primeiro tratamento falhar?
Se o teste de cura permanecer positivo, o tratamento de segunda linha é iniciado conforme o perfil de resistência. Casos duplamente resistentes requerem terapêuticas de resgate com fármacos como pristinamicina.
O Mycoplasma genitalium é incluído no rastreio de ISTs de rotina?
Atualmente não. O teste é recomendado em situações clínicas específicas, como uretrite ou cervicite persistente. A inclusão no rastreio de rotina está a ser discutida face à prevalência crescente.
O preservativo protege contra o Mycoplasma genitalium?
Sim. O uso consistente de preservativo reduz significativamente o risco de transmissão do Mycoplasma genitalium, sendo a medida preventiva mais importante disponível.
Conclusion
O tratamento do Mycoplasma genitalium requer uma abordagem de terapêutica dirigida por teste de resistência, representando uma mudança de paradigma na gestão das ISTs. O seguimento com teste de cura obrigatório, a gestão de parceiros e a investigação de novos fármacos são essenciais para o controlo desta IST emergente e multirresistente.