Introduction
Dois dos problemas mais frequentes em viagens a regiões tropicais são a malária e a diarreia do viajante. Ambos têm prevenção eficaz e devem ser abordados em qualquer consulta pré-viagem a zonas de risco.
Malária: uma doença potencialmente fatal
A malária é transmitida pela picada do mosquito Anopheles fêmea, sobretudo ao entardecer e à noite. O Plasmodium falciparum, prevalente na África subsariana, é responsável pelas formas mais graves e potencialmente letais. Os sintomas surgem habitualmente 7-30 dias após a exposição e incluem febre, arrepios, cefaleia, mialgia e mal-estar — frequentemente confundidos com gripe.
Prevenção da malária
Assenta em dois eixos: proteção contra picadas e quimioprofilaxia. As medidas antipicada incluem repelentes com DEET 30-50% ou icaridina, roupa comprida, mosquiteiros impregnados com piretroides e ar condicionado. A escolha de quimioprofilaxia depende do país e padrão de resistências: atovaquona-proguanil (Malarone®), doxiciclina e mefloquina são as opções mais comuns. Devem ser iniciadas antes da viagem, mantidas durante toda a estadia e continuadas após o regresso conforme o fármaco.
Diarreia do viajante
Afeta 20-60% dos viajantes a destinos tropicais. Os agentes mais comuns são bacterianos: Escherichia coli enterotoxigénica, Campylobacter, Salmonella, Shigella. A transmissão é fecal-oral, através de água ou alimentos contaminados.
Prevenção alimentar
A regra é «cozinha-o, ferve-o, descasca-o ou esquece-o». Beber apenas água engarrafada ou tratada, evitar gelo, saladas cruas, fruta não descascada, marisco e carne pouco cozinhada. A lavagem frequente das mãos e o uso de solução alcoólica são medidas simples e eficazes.
Tratamento da diarreia
A maioria dos episódios é autolimitada. O tratamento de primeira linha é a reidratação oral. Loperamida pode ser usada para controlo sintomático em adultos sem febre nem diarreia sanguinolenta. Antibióticos (ciprofloxacina, azitromicina) estão reservados para casos moderados a graves, devendo o viajante levar receita previamente prescrita. O uso indiscriminado de antibióticos aumenta o risco de colonização por bactérias multirresistentes.
Perguntas frequentes (FAQ)
Posso parar a profilaxia se me sentir bem?
Não. A profilaxia deve ser cumprida integralmente antes, durante e depois da viagem. Interromper aumenta o risco de contrair malária.
Febre após regressar de zona endémica — o que fazer?
Procure imediatamente um médico e mencione a viagem. A doença pode surgir semanas a meses depois e é emergência médica.
Preciso de antibiótico para levar comigo?
Depende do destino e duração. Em viagens prolongadas ou com acesso limitado a cuidados, o seu médico pode prescrever antibiótico para autotratamento.