Por que é importante planear a contraceção?
Planear quando e se se deseja engravidar é fundamental para a saúde reprodutiva e para o bem‑estar familiar. Uma contraceção eficaz permite evitar gravidezes não planeadas, dar tempo para decisões informadas e reduzir riscos para a mãe e o bebé. Além da prevenção da gravidez, alguns métodos têm benefícios adicionais, como controlo do ciclo menstrual ou alívio de sintomas associados a patologias ginecológicas.
Tipos de métodos contracetivos
Existem diversos métodos contracetivos, com diferentes mecanismos de acção e níveis de eficácia. Os principais grupos incluem:
- Contracetivos hormonais combinados (CHC): associação de um progestativo, responsável pelo efeito contraceptivo, com um estrogénio que regula o ciclo menstrual. Podem ser administrados por via oral, transdérmica ou vaginal, com eficácia e riscos semelhantes. As vias transdérmica (adesivo) e vaginal (anel) são úteis para mulheres com dificuldade em tomar comprimidos ou com alterações digestivas.
- Contracetivos progestativos: incluem pílulas de dose única diárias, injectáveis e implantes subcutâneos. São indicados para mulheres que não podem ou não desejam utilizar estrogénios.
- Contracepção intra‑uterina (DIU ou SIU): dispositivos colocados no útero, de longa duração e elevada eficácia. Podem libertar cobre (DIU-Cu) ou progestativo (sistema intra‑uterino).
- Métodos de barreira: preservativo externo (masculino) e preservativo interno (feminino) protegem contra gravidezes e infecções sexualmente transmissíveis (IST).
- Métodos naturais: envolvem o reconhecimento dos sinais do ciclo menstrual, como temperatura basal e muco cervical, para evitar relações no período fértil.
- Contracetivos definitivos: esterilização tubária ou vasectomia são opções permanentes.
Cada método tem vantagens e desvantagens em termos de eficácia, reversibilidade, efeitos adversos e comodidade. A escolha deve ser personalizada de acordo com as necessidades e condições de saúde de cada pessoa.
Quando e como iniciar a contraceção
Avaliação inicial
O primeiro passo é marcar uma consulta com um profissional de saúde para discutir objetivos reprodutivos, histórico clínico e preferências pessoais. De acordo com o Guia Prático da Contraceção, a maior parte dos métodos podem ser iniciados em qualquer fase do ciclo menstrual, preferencialmente no dia da consulta, após se excluir uma gravidez.
Para estar “razoavelmente certa” de que a paciente não está grávida, o profissional avalia critérios clínicos (ausência de actividade sexual nos últimos dias, uso correcto de contracepção anterior, ausência de sintomas de gravidez). Se houver dúvida, pode realizar um teste de gravidez, mas não se deve adiar o início do método por aguardar resultados.
Necessidade de contracepção adicional
Ao iniciar ou trocar de método, pode ser necessário utilizar um método de barreira adicional nos primeiros dias, até que a eficácia esteja garantida. O guia português recomenda:
- CHC, pílulas progestativas, injectáveis, implantes subcutâneos ou sistema intra‑uterino (SIU): podem ser iniciados em qualquer momento do ciclo; recomenda‑se utilização de método barreira nos primeiros 7 dias, excepto quando iniciados até ao 5.º dia do ciclo.
- Dispositivo intra‑uterino de cobre (DIU-Cu): pode ser inserido em qualquer dia do ciclo; se a remoção de um DIU antigo e inserção de novo forem simultâneas, utiliza‑se método barreira nos primeiros 7 dias.
Situações específicas como pós‑parto, pós‑aborto ou pós‑contracepção de emergência exigem avaliação individualizada: é possível iniciar métodos logo após a interrupção voluntária da gravidez ou alguns dias após o parto, de acordo com a orientação médica.
Doses e regimes de utilização
Os contracetivos hormonais podem ser usados com regimes cíclicos ou contínuos. Nos regimes cíclicos, toma‑se a pílula ou utiliza‑se o adesivo ou anel durante 21 dias, seguidos de 7 dias de pausa ou placebo; em algumas formulações há regimes de 24+4. Os regimes contínuos eliminam a pausa livre de hormonas, melhorando a adesão e não afectando a fertilidade. Estes podem ser benéficos em casos de endometriose ou síndrome pré‑menstrual.
Exames necessários
Segundo as recomendações internacionais, a maioria das mulheres não necessita de muitos exames ou testes antes de iniciar um contraceptivo. A decisão baseia‑se na história clínica e no exame físico, e exames adicionais só são realizados se houver condições médicas específicas.
A importância do aconselhamento centrado na pessoa
O início da contraceção deve respeitar a autonomia e as preferências de cada pessoa. O Centro de Controlo de Doenças (CDC) sublinha que o aconselhamento deve ser centrado na pessoa, não coercivo e sensível a questões de género, raça e historial de desigualdades. Profissionais de saúde devem apresentar todas as opções, discutir a eficácia, efeitos secundários e reversibilidade, e apoiar a escolha informada do método.
Além disso, deve enfatizar‑se que os preservativos são o único método que protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Qualquer que seja o método hormonal ou intra‑uterino escolhido, é aconselhável a utilização de preservativo para prevenir IST.
Através da Doctor on the Net, é possível obter rapidamente aconselhamento médico para iniciar ou ajustar um método contracetivo, sem sair de casa. Basta aceder à página Contraceptive pill, preencher o formulário e aguardar a avaliação de um médico. É uma solução prática, segura e eficaz para escolher a contraceção mais adequada às suas necessidades.
Perguntas frequentes (FAQ)
Posso começar a tomar a pílula em qualquer dia do mês?
Sim. Os contracetivos hormonais podem ser iniciados em qualquer dia do ciclo, desde que se exclua a possibilidade de gravidez. Recomenda‑se usar preservativo durante os primeiros 7 dias para garantir protecção.
Preciso de fazer análises antes de iniciar um método hormonal?
Na maioria dos casos, não. A decisão baseia‑se no historial médico; exames adicionais são requisitados apenas se existirem doenças ou factores de risco específicos.
Que método é melhor para mim?
A escolha depende de factores como eficácia desejada, preferências de utilização (oral, adesivo, anel, implante, DIU), tolerância a hormonas e eventual desejo de gravidez futura. Um profissional de saúde pode ajudar a avaliar opções e acompanhar eventuais efeitos secundários.
É possível engravidar imediatamente após parar a contraceção hormonal?
Sim. A fertilidade geralmente regressa rapidamente após a suspensão da pílula, do adesivo ou do anel. Métodos reversíveis de longa duração como o DIU e o implante também permitem recuperar a fertilidade após a sua remoção.
Tenho de usar preservativo se estiver a usar outro método?
Embora a pílula, o DIU ou o implante sejam muito eficazes a prevenir a gravidez, só o preservativo protege contra IST. O uso combinado de preservativo e outro método oferece dupla protecção.
Conclusion
Iniciar a contraceção é uma decisão que envolve informação, reflexão e diálogo com um profissional de saúde. Existem vários métodos disponíveis, e a maioria pode ser iniciada em qualquer momento do ciclo, com recurso a um método de barreira nos primeiros dias. A abordagem centrada na pessoa, respeitando as preferências e circunstâncias de cada indivíduo, garante uma escolha informada e segura. Não hesite em conversar com o seu médico de família ou enfermeiro para tirar dúvidas e escolher a opção mais adequada ao seu estilo de vida.