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Viver com VIH: Terapêutica Antirretroviral, Qualidade de Vida e Estigma

Introduction

A terapêutica antirretroviral (TAR) transformou a infeção pelo HIV de uma doença fatal numa condição crónica controlável, com esperança de vida praticamente equiparável à da população geral quando o tratamento é iniciado precocemente. A European AIDS Clinical Society (EACS) recomenda o início imediato da TAR em todas as pessoas diagnosticadas com HIV, independentemente da contagem de CD4.

Contudo, viver com HIV envolve desafios que vão além do controlo virológico, incluindo a gestão de comorbidades, o impacto psicossocial, o estigma persistente e a necessidade de adesão terapêutica ao longo da vida. A abordagem holística da pessoa com HIV é fundamental para garantir não apenas a sobrevivência, mas a qualidade de vida plena.

Terapêutica Antirretroviral Atual

Os regimes de TAR atuais são mais simples, mais eficazes e melhor tolerados do que os da era inicial da terapêutica anti-VIH. O regime preferido de primeira linha consiste geralmente num inibidor de integrase (bictegravir ou dolutegravir) combinado com dois inibidores nucleosídeos da transcriptase reversa, frequentemente num comprimido único diário.

A simplificação para regime de dois fármacos (dolutegravir/lamivudina) é uma opção validada em doentes com supressão viral estável, segundo o estudo GEMINI publicado no The Lancet. O cabotegravir/rilpivirina injetável a cada 2 meses representa o primeiro regime de TAR de longa duração, eliminando a necessidade de toma diária.

A ONUSIDA estabeleceu as metas 95-95-95 para 2025: 95 % das pessoas com HIV diagnosticadas, 95 % das diagnosticadas em tratamento e 95 % das tratadas com carga viral indetectável. Portugal apresenta progressos significativos, embora o diagnóstico tardio permaneça um desafio.

Comorbidades e Envelhecimento

Com o aumento da esperança de vida, as comorbidades associadas ao envelhecimento e à inflamação crónica residual assumem crescente importância na pessoa com HIV. Doenças cardiovasculares, metabólicas (diabetes, dislipidemia), renais, ósseas e neurocognitivas são mais prevalentes em pessoas que vivem com HIV.

A European AIDS Clinical Society (EACS) recomenda rastreio regular de comorbidades, incluindo risco cardiovascular (SCORE2), perfil lipídico, glicemia, função renal, densitometria óssea e rastreio de neoplasias (incluindo cancros associados ao HPV e hepatocarcinoma em coinfetados com hepatite B ou C).

A interação medicamentosa entre a TAR e fármacos para comorbidades requer atenção especial. A Liverpool HIV Drug Interactions Database (hiv-druginteractions.org) é uma ferramenta de referência utilizada por clínicos em todo o mundo para verificar interações.

Estigma e Saúde Mental

O estigma associado ao HIV permanece um dos maiores obstáculos à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. Estudos do European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) documentam que o medo de discriminação atrasa o diagnóstico e compromete a adesão terapêutica.

A saúde mental é uma dimensão frequentemente negligenciada nos cuidados ao HIV. A prevalência de depressão em pessoas com HIV é 2 a 3 vezes superior à da população geral. O National Institute of Mental Health (NIMH) dos Estados Unidos reconhece a necessidade de integração de cuidados de saúde mental nos serviços de HIV.

O princípio I=I (Indetectável = Intransmissível) é uma ferramenta poderosa de combate ao estigma, demonstrando que pessoas com HIV sob tratamento eficaz não transmitem o vírus. A normalização desta mensagem, promovida pela ONUSIDA e por organizações comunitárias, é essencial para reduzir a discriminação.

In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece acompanhamento integral da pessoa com HIV, incluindo monitorização da terapêutica, rastreio de comorbidades e apoio para uma vida plena e com qualidade.

Homem em consulta médica online com médico no computador durante acompanhamento clínico sobre viver com VIH

Perguntas frequentes (FAQ)

Atualmente, sim. A TAR suprime o HIV mas não o elimina do organismo. A interrupção do tratamento leva ao rebote da carga viral. A investigação de cura funcional está em curso, mas ainda sem resultados aplicáveis.

Sim. Com TAR eficaz, as pessoas com HIV podem trabalhar, viajar, ter relações sexuais e ter filhos saudáveis. A esperança de vida é praticamente igual à da população geral quando o tratamento é iniciado precocemente.

O cabotegravir/rilpivirina injetável está aprovado na Europa e está a ser progressivamente disponibilizado em Portugal para doentes elegíveis, representando uma alternativa à toma oral diária.

Sim. A inflamação crónica residual aumenta o risco de doenças cardiovasculares, metabólicas e algumas neoplasias. O rastreio regular de comorbidades é uma componente essencial do seguimento.

O apoio psicológico, a ligação a redes comunitárias, a informação científica atualizada e a mensagem I=I são ferramentas importantes. Organizações como a GAT (Grupo de Ativistas em Tratamentos) em Portugal oferecem suporte e advocacy.

Conclusion

Viver com HIV na era da TAR moderna significa uma doença crónica controlável com qualidade de vida preservada. O tratamento eficaz, a gestão de comorbidades, o cuidado da saúde mental e o combate ao estigma são pilares de uma abordagem integral que permite às pessoas com HIV viver plenamente.

Referências

EACS Guidelines — Antiretroviral Treatment and Monitoring — European AIDS Clinical Society Long-Acting Cabotegravir and Rilpivirine for Maintenance of HIV-1 Suppression (ATLAS Study) — The New England Journal of Medicine Global AIDS Strategy and 95-95-95 Targets — UNAIDS (ONUSIDA)

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.