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VIH e Saúde Reprodutiva: Gravidez, Amamentação e Prevenção da Transmissão Vertical

Introduction

A prevenção da transmissão vertical do VIH (mãe-filho) é uma das maiores conquistas da medicina moderna, reduzindo a taxa de transmissão de mais de 25 % sem intervenção para menos de 1 % com terapêutica antirretroviral adequada, parto planeado e cuidados neonatais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estabeleceu a meta de eliminação da transmissão vertical do VIH como prioridade global.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) integra o rastreio do VIH nos cuidados pré-natais obrigatórios, garantindo diagnóstico precoce e acesso a tratamento. Compreender as estratégias de prevenção da transmissão vertical é fundamental para que mulheres possam planear e viver a maternidade com segurança sem preocupação com a transmissão vertical do VIH.

Planeamento da Gravidez

As mulheres com VIH sob terapêutica antirretroviral eficaz podem planear uma gravidez com segurança. O princípio fundamental é atingir e manter carga viral indetectável antes da conceção, durante toda a gravidez e no pós-parto, reduzindo o risco de transmissão vertical do VIH a menos de 0,5 %.

A consulta pré-concecional em mulheres com VIH deve incluir otimização da TAR (com fármacos seguros na gravidez), avaliação da carga viral e contagem de CD4, rastreio de ISTs concomitantes, vacinação (hepatite B, HPV se elegível) e suplementação com ácido fólico.

Em casais serodiscordantes (um parceiro VIH-positivo e outro VIH-negativo), a conceção natural é segura quando o parceiro VIH-positivo tem carga viral indetectável sustentada (I=I). A British HIV Association (BHIVA) e a European AIDS Clinical Society (EACS) fornecem guidelines detalhadas para o planeamento reprodutivo em pessoas com VIH.

Gestão Durante a Gravidez e Parto

A TAR deve ser mantida ou iniciada imediatamente em todas as grávidas com VIH, independentemente da contagem de CD4. Os regimes preferidos incluem combinações com dolutegravir ou raltegravir, considerados seguros e eficazes durante a gestação.

A monitorização da carga viral durante a gravidez é realizada a cada 4 a 8 semanas, com avaliação obrigatória às 36 semanas para planeamento do tipo de parto. Quando a carga viral é indetectável no final da gravidez, o parto vaginal é seguro e recomendado.

A cesariana eletiva às 38 semanas é indicada quando a carga viral permanece superior a 400 cópias/mL perto do parto, ou quando a carga viral é desconhecida. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido fornece protocolos detalhados para a gestão obstétrica de mulheres com VIH.

Amamentação e Cuidados Neonatais

A questão da amamentação em mulheres com possibilidade de transmissão vertical do VIH é uma das mais debatidas nas guidelines internacionais. Em contextos de recursos elevados (Europa, América do Norte), a recomendação clássica é a evicção da amamentação para eliminar o risco residual de transmissão pelo leite materno.

Contudo, a OMS reconhece que, com carga viral indetectável sustentada, o risco de transmissão pelo leite materno é extremamente baixo (< 1 %). A BHIVA atualizou as suas guidelines em 2023, permitindo a amamentação em mulheres com VIH com carga viral indetectável, TAR estável e vigilância reforçada, caso a mulher deseje amamentar.

O recém-nascido de mãe com VIH recebe profilaxia antirretroviral durante 2 a 4 semanas após o nascimento. O teste de VIH neonatal é realizado por PCR (não serologia) às 0-2 semanas, 6-12 semanas e 3-4 meses. A confirmação de não-infeção permite encerrar o seguimento.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece acompanhamento especializado de mulheres com VIH que desejam engravidar, com planeamento pré-concecional, seguimento obstétrico e orientação sobre amamentação segura.

Mulher em consulta médica online com médico no computador durante esclarecimento sobre transmissão vertical do VIH

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. Com TAR eficaz e carga viral indetectável, o risco de transmissão ao bebé é inferior a 1 %. O planeamento com equipa médica especializada garante uma gravidez segura.

As guidelines estão a evoluir. Com carga viral indetectável e TAR estável, a amamentação pode ser considerada com acompanhamento médico reforçado. A decisão deve ser individualizada e informada.

Se tem carga viral indetectável sustentada (I=I), o risco de transmissão sexual é zero. A conceção natural é segura nestas condições, sem necessidade de técnicas de reprodução assistida.

Sim. O rastreio de VIH é oferecido a todas as grávidas no primeiro trimestre e repetido no terceiro trimestre, garantindo diagnóstico precoce e intervenção atempada.

Sim. O recém-nascido recebe profilaxia antirretroviral durante 2 a 4 semanas após o nascimento, como medida adicional de prevenção. Testes de VIH confirmam a ausência de infeção nos meses seguintes.

Conclusion

A prevenção da transmissão vertical do VIH é altamente eficaz com TAR adequada, planeamento obstétrico e cuidados neonatais. As mulheres com VIH podem planear e viver a maternidade com segurança, beneficiando dos avanços terapêuticos que reduziram o risco de transmissão ao bebé para menos de 1 %.

Referências

BHIVA Guidelines for the Management of HIV in Pregnancy and Postpartum — British HIV Association Guideline on HIV and Infant Feeding — World Health Organization (WHO) HIV testing: increasing uptake among people who may have undiagnosed HIV — including in pregnancy — National Institute for Health and Care Excellence (NICE)

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.