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Sífilis e VIH: Coinfecção, Interações e Gestão Integrada

Introduction

A coinfecção sífilis VIH é uma realidade epidemiológica frequente, com até 50 % dos casos de sífilis em homens que têm sexo com homens (HSH) ocorrendo em pessoas que vivem com VIH. A interação entre as duas infeções é bidirecional: a sífilis aumenta o risco de aquisição e transmissão do VIH, e o VIH pode modificar a história natural e o diagnóstico da sífilis.

O European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) documenta que os HSH VIH-positivos representam a população com maior incidência de sífilis na Europa. A gestão integrada da coinfecção requer protocolos específicos de rastreio, tratamento e seguimento, conforme recomendado pela European AIDS Clinical Society (EACS) e pela British HIV Association (BHIVA).

Interação Epidemiológica e Biológica

A úlcera sifilítica primária cria uma porta de entrada para o VIH, aumentando o risco de aquisição em 2 a 5 vezes. Simultaneamente, a inflamação genital associada à sífilis aumenta a excreção do VIH em pessoas já infetadas, facilitando a transmissão a parceiros sexuais.

Em pessoas com VIH, a imunossupressão pode alterar a resposta serológica à sífilis, com fenómenos de prozone (falsos negativos em testes não treponémicos por excesso de anticorpos), títulos serológicos atipicamente elevados ou flutuantes e progressão mais rápida para neurossífilis.

Estudos publicados na revista AIDS demonstram que a sífilis pode causar aumento transitório da carga viral do VIH e diminuição da contagem de CD4, mesmo em doentes sob TAR eficaz. Esta interação sublinha a necessidade de monitorização virológica e imunológica durante os episódios de coinfecção sifílis VIH .

Rastreio e Diagnóstico na Coinfecção

A EACS recomenda rastreio serológico de sífilis a cada 3 a 6 meses em HSH VIH-positivos sexualmente ativos, e pelo menos anualmente em todos os doentes com VIH. A BHIVA e o NICE integram o rastreio da sífilis nos cuidados de rotina do VIH.

O diagnóstico serológico da sífilis em pessoas com VIH pode ser mais complexo devido a respostas atípicas. A utilização combinada de testes treponémicos e não treponémicos é essencial. Em caso de suspeita clínica com serologia inconclusiva, o CDC recomenda biópsia das lesões com coloração especial ou PCR para Treponema pallidum.

A avaliação de neurossífilis deve ser considerada em doentes VIH-positivos com sífilis tardia, falência serológica após tratamento, sintomas neurológicos ou contagem de CD4 inferior a 350 células/μL. A punção lombar tem um limiar de indicação mais baixo na coinfecção.

Tratamento e Seguimento Específico

O tratamento da sífilis em pessoas com VIH segue os mesmos protocolos da população geral: penicilina benzatínica IM para sífilis precoce e penicilina IV para neurossífilis. Alguns especialistas defendem regimes mais intensivos (três doses semanais de penicilina benzatínica) na sífilis precoce em doentes VIH-positivos, embora a evidência não seja conclusiva.

O seguimento serológico na coinfecção é mais intensivo: RPR/VDRL quantitativo aos 3, 6, 9, 12 e 24 meses após tratamento. A resposta serológica pode ser mais lenta em doentes com VIH, e a falência serológica (ausência de queda de 4 vezes no título) deve motivar avaliação de neurossífilis ou retratamento.

A BHIVA recomenda manutenção da TAR durante o tratamento da sífilis e monitorização da carga viral do VIH, dado o risco de aumento transitório. A integração dos cuidados de VIH e ISTs numa mesma consulta facilita o rastreio, o diagnóstico e o seguimento da coinfecção sífilis VIH.

In Doctor on the Net, a equipa clínica realiza rastreio integrado da coinfecção sífilis VIH, com protocolos de diagnóstico e seguimento específicos para a coinfecção e uma abordagem personalizada de saúde sexual.

Homem em casa a realizar consulta médica por videochamada num tablet para esclarecimento sobre coinfecção sífilis VIH

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A úlcera sifilítica aumenta o risco de aquisição e transmissão do VIH em 2 a 5 vezes. O rastreio simultâneo de ambas as infeções é mandatório.

O tratamento base é o mesmo (penicilina), mas o seguimento é mais intensivo e prolongado. Alguns especialistas preferem regimes mais intensivos na sífilis precoce em pessoas com VIH.

Sim. A sífilis pode causar aumento transitório da carga viral do VIH e diminuição dos CD4. A monitorização durante o episódio de sífilis é importante.

O rastreio serológico é recomendado a cada 3 a 6 meses em HSH sexualmente ativos e pelo menos anualmente em todos os doentes com VIH, segundo a EACS.

Sim. A reinfeção por sífilis é frequente, especialmente em HSH. A sífilis não confere imunidade protetora, e o VIH pode facilitar a reinfeção. O uso de preservativo e o rastreio regular são essenciais.

Conclusion

A coinfecção sífilis VIH é epidemiologicamente frequente e clinicamente complexa, exigindo rastreio intensivo, diagnóstico cuidadoso e seguimento prolongado. A integração dos cuidados de VIH e ISTs e a sensibilização das populações de risco são fundamentais para o controlo simultâneo destas duas infeções.

Referências

EACS Guidelines — Syphilis in People Living with HIV — European AIDS Clinical Society BHIVA Guidelines for the Management of Syphilis in Adults with HIV — British HIV Association (HIV Medicine) Syphilis and HIV Infection: An Update — Clinical Infectious Diseases

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.