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Infeção Urinária de Repetição: Tratamento, Prevenção e Estratégias Não Antibióticas

Introduction

A infeção urinária de repetição (IUR) é definida como a ocorrência de duas ou mais infeções em seis meses ou três ou mais infeções em doze meses. Afeta 20 a 30 % das mulheres que tiveram uma primeira infeção urinária, representando uma condição crónica com impacto significativo na qualidade de vida, atividade sexual e bem-estar psicológico.

A gestão da infeção urinária de repetição requer uma abordagem que vai além da antibioterapia episódica, integrando estratégias preventivas farmacológicas e não farmacológicas. A European Association of Urology (EAU) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) recomendam uma abordagem escalonada que privilegie medidas não antibióticas antes de recorrer à profilaxia antibiótica, no contexto da crescente resistência antimicrobiana.

Tratamento da Infeção Urinária Aguda

O tratamento da cistite não complicada em mulheres baseia-se em antibioterapia empírica de curta duração. A fosfomicina trometamol 3 g em dose única é o tratamento de primeira linha recomendado em Portugal e na maioria dos países europeus, pela sua eficácia, conveniência e baixo impacto ecológico na resistência antimicrobiana.

A nitrofurantoína 100 mg duas vezes por dia durante 5 dias é a alternativa de primeira linha. O trimetoprim-sulfametoxazol e as fluoroquinolonas devem ser evitados como tratamento empírico de cistite não complicada, reservando-se para infeções complicadas ou quando guiados pelo antibiograma. A European Association of Urology (EAU) enfatiza que a escolha empírica deve basear-se nos padrões locais de resistência.

Na pielonefrite, a antibioterapia é mais prolongada (7 a 14 dias), com ciprofloxacina, ceftriaxona ou amoxicilina-ácido clavulânico conforme a gravidade e o antibiograma. A hospitalização é indicada em doentes com sinais de sépsis, vómitos persistentes, gravidez ou imunossupressão. O NICE recomenda urocultura obrigatória antes de iniciar tratamento em pielonefrite para possibilitar ajuste terapêutico.

Prevenção Não Antibiótica da Infeção Urinária de Repetição

As estratégias não antibióticas para prevenção da infeção urinária de repetição são cada vez mais valorizadas. Os produtos de arando (cranberry) contêm proantocianidinas tipo A que inibem a adesão da E. coli às células uroepiteliais. Uma meta-análise Cochrane atualizada demonstrou redução modesta mas significativa (25-30 %) na recorrência de infeções urinárias com suplementos de arando em mulheres.

A D-manose é um açúcar simples que compete com a E. coli pela ligação aos recetores uroepiteliais, impedindo a adesão bacteriana. Estudos publicados no World Journal of Urology demonstram eficácia semelhante à nitrofurantoína na prevenção de recorrências, com melhor perfil de efeitos secundários. A dose recomendada é 2 g/dia.

Os estrogénios vaginais (creme de estriol ou anel de estradiol) são recomendados para mulheres pós-menopáusicas com infeções urinárias de repetição. A atrofia vaginal da menopausa altera a flora vaginal, reduzindo os lactobacilos protetores e facilitando a colonização por E. coli. A EAU recomenda estrogénios vaginais como primeira linha preventiva nas mulheres pós-menopáusicas, com redução de 35 a 50 % nas recorrências. Os probióticos vaginais com Lactobacillus são outra alternativa em investigação promissora.

Profilaxia Antibiótica e Outras Abordagens

A profilaxia antibiótica contínua é reservada para mulheres com infeções urinárias de repetição refratárias às medidas não antibióticas. Os regimes incluem nitrofurantoína 50-100 mg/dia ou fosfomicina 3 g a cada 10 dias, durante 3 a 6 meses. A profilaxia pós-coital (dose única após relações sexuais) é uma alternativa eficaz quando as infeções estão claramente relacionadas com a atividade sexual.

A autotratamento (self-start therapy) é uma estratégia validada pela EAU para mulheres com infeções urinárias de repetição bem documentadas: a doente inicia antibioterapia de curta duração ao primeiro sinal de sintomas, sem necessidade de consulta imediata. Esta abordagem requer educação adequada e prescrição antecipada.

As vacinas imunoestimuladoras orais (OM-89/Uro-Vaxom) contêm lisados de E. coli que estimulam a resposta imunitária do trato urinário. Uma meta-análise publicada no European Urology demonstrou redução de 35 % nas recorrências. A EAU inclui as vacinas imunoestimuladoras nas opções preventivas para infeção urinária de repetição. A instilação intravesical de ácido hialurónico e condroitina sulfato (para reparação da camada de glicosaminoglicanos vesicais) é uma abordagem emergente com resultados promissores em estudos iniciais.

In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação completa de infeção urinária de repetição, com estratégias preventivas personalizadas incluindo medidas não antibióticas, profilaxia e orientação sobre estilo de vida.

Homem deitado na cama a realizar consulta médica por vídeo no notebook para tratar sintomas de infeção urinária de forma rápida e segura

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. Ajuda a prevenir a infeção urinária. Um ensaio clínico publicado no JAMA Internal Medicine demonstrou que aumentar a ingestão de água para 1,5 litros adicionais por dia reduz as recorrências de cistite em 50%. A hidratação adequada é uma medida preventiva simples e eficaz.

A evidência é moderada. O arando pode reduzir as recorrências em 25-30%, principalmente em mulheres jovens. Deve conter pelo menos 36 mg de proantocianidinas tipo A por dia para ser eficaz.

O uso prolongado de antibióticos pode favorecer o desenvolvimento de resistências. Por isso, as guidelines recomendam esgotar as opções não antibióticas antes de iniciar profilaxia antibiótica prolongada.

Sim. Os estrogénios vaginais em baixa dose têm absorção sistémica mínima e são considerados seguros, mesmo em mulheres com história de cancro da mama (sob supervisão oncológica). São muito eficazes nas mulheres pós-menopáusicas.

Na maioria das mulheres jovens, a investigação urológica não é necessária. Está indicada quando há suspeita de anomalias anatómicas, cálculos, resíduo pós-miccional elevado ou quando as infeções não respondem às medidas habituais.

Conclusion

A infeção urinária de repetição é uma condição crónica que beneficia de uma abordagem preventiva escalonada, privilegiando estratégias não antibióticas antes da profilaxia farmacológica. A D-manose, os produtos de arando, os estrogénios vaginais e as vacinas imunoestimuladoras são opções validadas que podem reduzir significativamente as recorrências. A individualização da abordagem e o uso racional de antibióticos são fundamentais para a gestão sustentável da infeção urinária de repetição.

Referências

European Association of Urology. EAU Guidelines on Urological Infections — Recurrent UTI

Hooton T.M. et al. Effect of Increased Daily Water Intake in Premenopausal Women with Recurrent Urinary Tract Infections

Kranjčec B. et al. D-mannose powder for prophylaxis of recurrent urinary tract infections in women

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.