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Enxaqueca na Mulher: Hormonas, Menstruação e Contraceção

Introduction

A migraine afeta as mulheres três vezes mais do que os homens, com uma prevalência de 18 a 25 % nas mulheres em idade reprodutiva. A influência hormonal é o principal fator responsável por esta disparidade de género: as flutuações dos estrogénios ao longo do ciclo menstrual, na gravidez, no pós-parto e na menopausa modulam significativamente a frequência e gravidade das crises.

A enxaqueca menstrual — definida como aque ocorre predominantemente nos 2 dias antes e nos 3 primeiros dias da menstruação — afeta 50 a 60 % das mulheres com a doença. A European Headache Federation (EHF) e a International Headache Society (IHS) reconhecem a enxaqueca menstrual como entidade clínica distinta, com implicações terapêuticas específicas.

Enxaqueca Menstrual: Mecanismo e Características

A queda dos níveis de estrogénio no período pré-menstrual é o principal fator desencadeante da enxaqueca menstrual. Esta diminuição hormonal reduz os níveis de serotonina cerebral, aumenta a sensibilidade do sistema trigeminal e promove a libertação de prostaglandinas inflamatórias. As crises são frequentemente mais prolongadas, mais intensas e mais resistentes ao tratamento do que as crises não menstruais.

A enxaqueca menstrual pura (ocorre exclusivamente nos dias peri-menstruais) é relativamente rara, afetando 7 a 14 % das mulheres com a doença. Mais frequente é a relacionada com a menstruação, em que as crises ocorrem nos dias peri-menstruais mas também noutros momentos do ciclo. O diário de cefaleias mantido durante pelo menos 3 ciclos consecutivos é essencial para documentar a relação temporal e confirmar o diagnóstico.

A Sociedade Portuguesa de Cefaleias alinha-se com a classificação da IHS (ICHD-3), que define critérios diagnósticos específicos para enxaqueca menstrual pura e migraine relacionada com a menstruação. A identificação da componente menstrual permite a implementação de estratégias preventivas de curta duração direcionadas ao período de maior vulnerabilidade.

Enxaqueca e Contraceção Hormonal

A interação entre migraine e contraceção hormonal é clinicamente relevante e requer avaliação cuidadosa. A enxaqueca com aura é uma contraindicação absoluta (categoria 4 da OMS) para o uso de pílula contracetiva combinada, devido ao risco aumentado de acidente vascular cerebral isquémico. Este risco é potenciado pelo tabagismo e pela idade superior a 35 anos.

A enxaqueca sem aura permite o uso de pílula combinada com precaução (categoria 2-3 da OMS), sendo necessária reavaliação regular. Algumas mulheres experienciam melhoria com a pílula combinada, particularmente quando tomada em regime contínuo (sem pausa), evitando a queda estrogénica que desencadeia a enxaqueca menstrual. Outras mulheres experienciam agravamento, especialmente durante a semana de pausa.

Para mulheres com enxaqueca com aura, os métodos contracetivos seguros incluem a pílula progestativa, o DIU hormonal, o DIU de cobre, o implante subcutâneo e os métodos de barreira. A Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH) publicou guidelines específicas para a contraceção em mulheres com a doença, recomendando avaliação individual e reavaliação se surgirem novos sintomas de aura durante o uso de qualquer contracetivo hormonal.

Tratamento da Enxaqueca Menstrual

O tratamento agudo da enxaqueca menstrual é semelhante ao da não menstrual, com triptanos e AINEs como terapêutica de primeira linha. O frovatriptano (2,5 mg) é o triptano com meia-vida mais longa, particularmente útil na enxaqueca menstrual pela duração prolongada das crises. A combinação de triptano com naproxeno sódico demonstrou eficácia superior à monoterapia.

A prevenção de curta duração (miniprofilaxia) é uma estratégia específica para a enxaqueca menstrual: administração de frovatriptano 2,5 mg duas vezes por dia ou naproxeno 550 mg duas vezes por dia, iniciados 2 dias antes do início previsto da menstruação e mantidos durante 5 a 7 dias. Esta abordagem reduz a frequência e gravidade das crises menstruais em 50 a 70 %.

A suplementação com magnésio (400-600 mg/dia de glicinato de magnésio) demonstrou benefício na prevenção da enxaqueca menstrual em estudos publicados na revista Cephalalgia. A European Academy of Neurology (EAN) reconhece o magnésio como opção preventiva complementar. Em mulheres com enxaqueca menstrual refratária, a pílula combinada em regime contínuo (sem pausa) pode ser considerada para estabilizar os níveis estrogénicos, sob monitorização neurológica.

In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação especializada de enxaqueca menstrual, aconselhamento contracetivo seguro para mulheres com a doença e estratégias preventivas personalizadas.

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Perguntas frequentes (FAQ)

Depende. Algumas mulheres melhoram (especialmente em regime contínuo), outras pioram (especialmente durante a pausa). A pílula combinada está contraindicada em mulheres com enxaqueca com aura.

Não deve tomar a pílula combinada (com estrogénio). Alternativas seguras incluem a pílula progestativa, o DIU, o implante e os métodos de barreira. Consulte o seu médico para a melhor opção.

Sim. O magnésio (400-600 mg/dia) demonstrou benefício na prevenção da enxaqueca menstrual. O glicinato ou citrato de magnésio são as formas mais bem toleradas.

Sim, em 60-70% das mulheres. A estabilização dos níveis de estrogénio durante a gravidez reduz a frequência das crises. Contudo, algumas mulheres não melhoram ou até pioram, particularmente no primeiro trimestre.

Muitas mulheres experimentam melhoria após a menopausa. Contudo, a perimenopáusa (transição) pode ser um período de agravamento devido à flutuação hormonal. A terapêutica hormonal de substituição pode melhorar ou piorar a dor.

Conclusion

A migraine na mulher é profundamente influenciada pelas hormonas femininas, com a enxaqueca menstrual como manifestação mais relevante. A interação entre migraine e contraceção hormonal requer avaliação cuidadosa, particularmente nas mulheres com aura. As estratégias de miniprofilaxia e a escolha contracetiva adequada permitem uma gestão integrada e segura da migraine na mulher em idade reprodutiva.

Referências

The Journal of Headache and Pain

Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH)

International Headache Society (IHS)

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.