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Enxaqueca em Crianças e Adolescentes: Diagnóstico e Tratamento Pediátrico

Introduction

A enxaqueca em crianças é uma das causas mais frequentes de cefaleia recorrente em idade pediátrica, afetando 3 a 10 % das crianças em idade escolar e 8 a 23 % dos adolescentes. A prevalência é semelhante em ambos os sexos na infância, mas torna-se predominantemente feminina após a puberdade, refletindo o impacto das hormonas sexuais femininas na fisiopatologia da enxaqueca.

A enxaqueca em crianças tem características clínicas que a distinguem da enxaqueca do adulto, incluindo menor duração das crises, maior frequência de sintomas gastrointestinais e sintomas visuais atípicos. O reconhecimento e tratamento adequado são fundamentais para reduzir o impacto na aprendizagem, no absentismo escolar e no desenvolvimento psicossocial. A International Headache Society (IHS) publica critérios diagnósticos específicos para a enxaqueca pediátrica.

Particularidades da Enxaqueca Pediátrica

A enxaqueca em crianças difere da enxaqueca do adulto em vários aspetos. As crises são tipicamente mais curtas (1 a 48 horas, comparativamente a 4-72 horas no adulto) e a localização da dor é frequentemente bilateral ou difusa, em vez de unilateral como no adulto. A intensidade da dor pode ser difícil de avaliar em crianças pequenas, sendo as escalas visuais analógicas adaptadas à idade uma ferramenta útil.

Os sintomas acompanhantes são frequentemente mais proeminentes que a dor em crianças. As náuseas e vómitos são muito comuns, a ponto de algumas crianças apresentarem “enxaqueca abdominal” (episódios recorrentes de dor abdominal associada a náuseas/vómitos, sem cefaleia significativa) como manifestação de enxaqueca em crianças. A palidez, as olheiras e o desejo de dormir ou de estar num quarto escuro são sinais típicos.

Os síndromes periódicos da infância — cólicas do lactente, vómitos cíclicos, enxaqueca abdominal, vertigem paroxística benigna — são considerados “precursores” da enxaqueca, com associação forte ao desenvolvimento posterior de enxaqueca clássica. A Sociedade Portuguesa de Neuropediatria alinha-se com os critérios da IHS para diagnóstico destes síndromes e da enxaqueca pediátrica clássica.

Diagnóstico e Sinais de Alarme

The diagnosis of enxaqueca em crianças baseia-se em história clínica detalhada e exame neurológico completo. Os critérios diagnósticos da IHS (ICHD-3) para enxaqueca sem aura em crianças exigem pelo menos 5 episódios de cefaleia com duração de 2 a 72 horas (vs. 4-72 horas no adulto), com pelo menos 2 de 4 características (bilateral ou unilateral, pulsátil, moderada a grave, agravada por atividade física) e pelo menos 1 sintoma associado.

O diário de cefaleias é uma ferramenta essencial no diagnóstico e monitorização da enxaqueca pediátrica. Deve ser preenchido por pais ou pela própria criança/adolescente, documentando frequência, duração, intensidade, medicação utilizada e impacto na vida diária.

Os sinais de alarme (red flags) que justificam investigação neuroimagiológica em crianças incluem: cefaleia de início recente e progressiva, cefaleia associada a sintomas neurológicos focais, cefaleia que acorda a criança durante o sono, cefaleia matinal com vómitos, alterações comportamentais ou da personalidade, macrocefalia em crianças pequenas, e cefaleia em crianças com menos de 6 anos. O American Academy of Neurology (AAN) e a Sociedade Portuguesa de Neuropediatria recomendam investigação com ressonância magnética na presença de qualquer sinal de alarme.

Tratamento da Enxaqueca em Crianças e Adolescentes

O tratamento agudo da enxaqueca pediátrica deve ser iniciado precocemente e adaptado ao peso da criança. O ibuprofeno (10 mg/kg) é o tratamento de primeira linha, demonstrando eficácia superior ao paracetamol em ensaios clínicos. O paracetamol (15 mg/kg) é uma alternativa aceitável em crianças sem contraindicação.

Os triptanos aprovados para uso pediátrico incluem sumatriptano intranasal (a partir dos 12 anos), rizatriptano oral (a partir dos 6 anos), zolmitriptano intranasal (a partir dos 12 anos) e almotriptano (a partir dos 12 anos). Os antieméticos (domperidona, ondansetrom) podem ser úteis quando há vómitos proeminentes. O tratamento deve ser iniciado logo que a criança reconheça os sinais prodrómicos ou o início da dor.

A profilaxia farmacológica é considerada quando as crises são frequentes (>4/mês), incapacitantes ou resistentes ao tratamento agudo. Os fármacos com maior evidência em crianças incluem topiramato, amitriptilina, propranolol e flunarizina. Contudo, ensaios clínicos recentes publicados no New England Journal of Medicine (CHAMP trial) questionaram a eficácia do topiramato e amitriptilina em crianças, sugerindo que a abordagem deve privilegiar terapêuticas não farmacológicas. A terapia cognitivo-comportamental, biofeedback e mindfulness demonstraram eficácia significativa na prevenção da enxaqueca pediátrica, sendo recomendadas pela American Academy of Neurology (AAN) como intervenções de primeira linha em crianças e adolescentes.

In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação de enxaqueca em crianças e adolescentes, com orientação para diagnóstico diferencial, tratamento adequado à idade e identificação de casos que requerem investigação neuroimagiológica.

Consulta online para avaliação de enxaqueca em crianças

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A enxaqueca afeta 3-10 % das crianças em idade escolar e 8-23 % dos adolescentes. Pode manifestar-se desde idades muito precoces, embora nem sempre seja diagnosticada adequadamente.

É uma forma de enxaqueca em crianças caracterizada por dor abdominal recorrente, náuseas e vómitos, sem cefaleia significativa. É considerada um precursor da enxaqueca clássica e afeta predominantemente crianças entre os 3 e 10 anos.

É uma forma de enxaqueca em crianças caracterizada por dor abdominal recorrente, náuseas e vómitos, sem cefaleia significativa. É considerada um precursor da enxaqueca clássica e afeta predominantemente crianças entre os 3 e 10 anos.

Não. A ressonância é indicada apenas na presença de sinais de alarme — cefaleia progressiva, sintomas neurológicos, alterações comportamentais, cefaleia matinal com vómitos. O diagnóstico de enxaqueca é clínico na maioria dos casos.

Varia. Cerca de 30-40 % das crianças com enxaqueca entram em remissão na adolescência. Contudo, pode persistir ou reaparecer na idade adulta, particularmente nas mulheres após a puberdade.

Conclusion

A enxaqueca em crianças e adolescentes é uma condição neurológica comum com particularidades clínicas distintas da enxaqueca do adulto. O diagnóstico baseia-se em critérios adaptados à idade e requer identificação de sinais de alarme que justifiquem investigação. O tratamento combina terapêutica aguda com ibuprofeno e triptanos aprovados, abordagens não farmacológicas baseadas em evidência (terapia cognitivo-comportamental, biofeedback) e, em casos selecionados, profilaxia farmacológica adaptada.

Referências

International Headache Society (IHS)

American Academy of Neurology (AAN)

Sociedade Portuguesa de Neuropediatria

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Dr Alexandra Azevedo

Training: University of Barcelona
No. of doctors: 71409

Biography

Dr Alexandra Azevedo graduated in Medicine from the University of Barcelona in 2015, where she subsequently specialised in General Practice. During her training, she developed a strong interest in the approach to chronic pain, having completed an integrated master's degree in Medicine and Surgery with clinical research into pain management. Her professional experience includes several years of clinical practice in Spain, particularly in Catalonia, where she has had contact with a wide variety of pathologies and challenges, both in the emergency department and in primary healthcare.

She currently works as a family doctor at the ULS Braga. She has been a member of the medical-surgical emergency team at Vila Nova de Famalicão Hospital and has worked as a guest lecturer at the Nursing School of the University of Minho, teaching anatomy and physiology of the circulatory, respiratory and digestive systems.

Her main clinical interests include emergency medicine, chronic pain, depression and anxiety, as well as preventive medicine and the control of vascular risk factors. She is also dedicated to anti-smoking counselling and weight loss counselling, helping her patients to adopt healthier lifestyle habits. Her approach to care is based on a holistic vision, considering health as a balance between physical and psychological well-being.

Dr Alexandra stands out for her humanism and her ability to offer quick and effective solutions to minor problems, ensuring that her patients feel well looked after. At Médico na Net, she sees an opportunity to bring healthcare to more people in an accessible and convenient way.

Passionate about music and travelling, she loves getting to know different cultures and lifestyles, which enriches her view of the world and her medical practice. For her, medicine is not just a profession, but a real commitment to the well-being of the people she cares for. As she likes to say: "Health is the balance between physical and psychological well-being.