Introduction
The Mycoplasma genitalium é uma infeção sexualmente transmissível emergente cujo impacto na saúde reprodutiva está a ser progressivamente documentado. Evidência crescente associa esta bactéria a cervicite, endometrite, doença inflamatória pélvica (DIP) e complicações obstétricas, posicionando o Mycoplasma como um agente potencialmente importante na infertilidade feminina.
A European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) e o Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) reconhecem o Mycoplasma genitalium como um organismo de vigilância na investigação de causas infecciosas de infertilidade, embora as recomendações de rastreio universal ainda não estejam estabelecidas.
Impacto no Trato Genital Feminino
The Mycoplasma genitalium causa cervicite mucopurulenta em 10 a 20 % das mulheres infetadas e pode ascender ao trato genital superior, causando endometrite e salpingite. Uma meta-análise publicada na revista Sexually Transmitted Infections estimou que o Mycoplasma genitalium aumenta o risco de DIP em 2 vezes comparativamente a mulheres não infetadas.
A associação entre Mycoplasma genitalium e infertilidade tubária baseia-se em estudos serológicos que demonstram maior prevalência de anticorpos anti-Mycoplasma em mulheres com obstrução tubária. Contudo, a relação causal não está ainda definitivamente estabelecida.
A Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução recomenda considerar o teste de Mycoplasma genitalium no estudo de infertilidade quando causas mais comuns foram excluídas, especialmente em mulheres com história de cervicite ou DIP. O tratamento atempado pode prevenir progressão para dano tubário.
Mycoplasma genitalium na Gravidez
Estudos observacionais associam a infeção por Mycoplasma genitalium durante a gravidez a risco aumentado de aborto espontâneo, parto pré-termo e corioamnionite. Uma revisão sistemática publicada na revista BJOG estimou um risco 1,5 vezes superior de parto pré-termo em grávidas com Mycoplasma.
O rastreio universal de Mycoplasma genitalium na gravidez não é atualmente recomendado pelas guidelines internacionais, em parte pela incerteza sobre o benefício do tratamento em infeções assintomáticas durante a gestação. A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) recomenda testar grávidas com sintomas de cervicite ou parceiros diagnosticados com Mycoplasma genitalium.
O tratamento na gravidez é limitado pela contraindicação de fluoroquinolonas (moxifloxacina) e pelas preocupações sobre a segurança dos macrólidos em alguns trimestres. A azitromicina, quando a estirpe é sensível, é a opção preferida durante a gestação. O aconselhamento individualizado com o obstetra é fundamental.
Mycoplasma genitalium e Fertilidade Masculina
Nos homens, o Mycoplasma genitalium está associado a uretrite e epididimite, com potencial impacto na qualidade do sémen. Estudos publicados na revista Human Reproduction sugerem que a infeção pode afetar a motilidade e morfologia espermáticas, embora os dados sejam ainda limitados.
A presença de Mycoplasma no sémen foi documentada em estudos de homens com infertilidade, com prevalências de 5 a 15 % em populações de clínicas de fertilidade. A European Association of Urology (EAU) inclui o Mycoplasma genitalium entre os agentes a considerar na avaliação da infertilidade masculina com uretrite associada.
O impacto direto do Mycoplasma nos resultados de reprodução medicamente assistida (FIV, ICSI) não está ainda clarificado. Recomenda-se o tratamento de infeções ativas antes de procedimentos de fertilidade, para otimizar os resultados e prevenir a transmissão à parceira.
In Doctor on the Net, a equipa clínica oferece avaliação especializada do impacto do Mycoplasma genitalium na saúde reprodutiva, com diagnóstico molecular e tratamento dirigido para preservação da fertilidade.
Perguntas frequentes (FAQ)
O Mycoplasma genitalium pode causar infertilidade?
Estudos sugerem associação com infertilidade tubária e alterações da fertilidade masculina, embora a evidência causal não esteja definitivamente estabelecida. O tratamento atempado é prudente para prevenir potenciais danos.
Devo ser testada para Mycoplasma genitalium antes de engravidar?
O teste não é rotineiramente recomendado, mas pode ser considerado em mulheres com história de cervicite, DIP ou infertilidade inexplicada. A decisão deve ser tomada com o médico.
O tratamento é seguro na gravidez?
A azitromicina é a opção preferida na gravidez quando a estirpe é sensível. A moxifloxacina é contraindicada na gestação. O tratamento deve ser individualizado com o obstetra.
O Mycoplasma genitalium afeta os tratamentos de fertilidade?
Recomenda-se o tratamento de infeções ativas antes de FIV ou ICSI, para otimizar os resultados. O impacto direto nos resultados de reprodução assistida ainda não está completamente esclarecido.
O meu parceiro deve ser testado?
Sim. O teste e tratamento de parceiros é recomendado para Mycoplasma genitalium, especialmente no contexto de planeamento reprodutivo, para prevenir reinfeção e proteger a saúde reprodutiva de ambos.
Conclusion
The Mycoplasma genitalium é uma IST emergente com impacto potencial significativo na saúde reprodutiva feminina e masculina. A investigação das suas consequências na fertilidade e na gravidez está em expansão, e o diagnóstico molecular com tratamento dirigido é a abordagem mais prudente para preservar a função reprodutiva.
Referências
Mycoplasma genitalium — An Emerging Cause of Pelvic Inflammatory Disease — BJOG