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Acne: o que é, quais as causas, como tratar e prevenir

O acne vulgar é uma doença inflamatória muito comum da unidade pilo‑sebácea, que afecta principalmente adolescentes e adultos jovens. Estima‑se que 80–85 % das pessoas entre os 12 e os 25 anos sofram de acne, descendo para 8 % dos 25–34 anos e para 3 % dos 35–44 anos. Apesar de ser considerado parte do desenvolvimento pubertário, atrasar a procura de ajuda pode levar a cicatrizes cutâneas e a impacto psico‑social significativo. Este artigo explica as causas, sintomas, abordagens terapêuticas e medidas de prevenção do acne, respondendo a dúvidas frequentes e apoiando quem procura controlar as “espinhas”.

O que é o acne?

O acne é uma doença crónica da unidade pilo‑sebácea (folículo piloso e glândula sebácea) que ocorre sobretudo na face, tórax e dorso. As lesões surgem quando o canal folicular se obstrui, dando origem ao microcomedão; se o orifício folicular se dilata, forma‑se o comedão aberto (ponto negro); quando não se dilata, surge o comedão fechado (ponto branco), precursor das lesões inflamatórias. Lesões inflamadas podem evoluir para pápulas, pústulas, nódulos ou quistos. A doença pode ser não‑inflamatória (predomínio de comedões) ou inflamatória (pápulas, pústulas e nódulos).

Quais são as causas e factores de risco do acne?

A fisiopatologia do acne é multifactorial. Entre os principais factores estão:

  • Produção excessiva de sebo: o aumento dos androgénios durante a puberdade estimula as glândulas sebáceas.
  • Hiperqueratinização folicular: alteração da queratinização provoca retenção de células e obstrução do canal pilossebáceo.
  • Colonização por Cutibacterium acnes (antigo Propionibacterium acnes): bactéria residente que produz ácidos gordos irritantes.
  • Inflamação: extravasamento de sebo e mediadores pró‑inflamatórios da bactéria desencadeiam resposta imunitária.

Factores predisponentes incluem hereditariedade, stress emocional, fricção da pele, exposição a certos químicos (óleos, alcatrão), cosméticos comedogénicos e medicamentos como esteroides, lítio ou alguns contraceptivos. A evidência actual não suporta dietas específicas para tratar o acne; recomenda‑se um padrão alimentar equilibrado e evitar consumo excessivo de alimentos com elevado índice glicémico apenas se o indivíduo identificar agravamento associado.

Como é feito o tratamento do acne?

Princípios gerais

A literatura recomenda iniciar o tratamento o mais cedo possível para reduzir cicatrizes. Após a melhoria clínica, a terapêutica tópica deve continuar pelo menos 6–12 meses. Uma educação cuidadosa do doente e promoção da adesão são essenciais para o sucesso.

Tratamentos tópicos

Os tratamentos iniciais variam conforme a gravidade do acne. O guia do NICE para o Reino Unido recomenda um curso de 12 semanas com uma destas opções combinadas:

  • Combinação fixa de um retinóide tópico com um agente oxidante comedolítico – indicada para qualquer gravidade.
  • Combinação de um retinóide tópico com um antimicrobiano tópico – para todas as gravidades.
  • Combinação de um agente oxidante comedolítico com um antimicrobiano – para acne leve a moderado.
  • Agente oxidante comedolítico isolado – alternativa quando retinóides ou antibióticos são contra‑indicados.
  • Agente comedolítico e bactericida alternativo – usado isoladamente ou associado a antibióticos orais em casos moderados a severos.

Durante a consulta deve‑se alertar que o efeito dos retinóides e dos agentes oxidantes demora 6–8 semanas e que os efeitos secundários iniciais (descamação, eritema) são transitórios. Monoterapia com antibiótico tópico ou oral isoladamente não é recomendada devido ao risco de resistência.

Tratamentos sistémicos

Para acne moderado a severo ou resistente ao tratamento tópico, os médicos de família podem associar antibióticos orais às combinações tópicas. O tratamento oral deve ser mantido por 12 semanas e revisto; se houver melhoria, pode suspender‑se o antibiótico e manter o tópico. O uso prolongado de antibióticos (> 6 meses) deve ser evitado.

Nas formas severas, nodulo‑císticas ou com risco de cicatrização, pode ser necessária referência a dermatologia para considerar um retinóide oral sistémico. Estes medicamentos actuam sobre as quatro vias da patogénese (sebo excessivo, queratinização, colonização bacteriana e inflamação) e são altamente eficazes para acne recalcitrante. Contudo, provocam secura cutânea e mucosa, alterações laboratoriais e têm efeito teratogénico; por isso, exigem monitorização hepática, controlo lipídico e contracepção rigorosa nas mulheres em idade fértil. Além disso, existe preocupação com possíveis alterações de humor; não se deve prescrever a doentes com depressão não controlada.

Terapias hormonais e outras

Mulheres com acne associado a hiperandrogenismo ou síndrome dos ovários poliquísticos podem beneficiar de contracepção hormonal combinada e antiandrogénios. As hormonas desempenham um papel importante na patogénese e a contracepção hormonal pode ser usada como tratamento adicional. Fármacos com actividade antiandrogénica, como alguns diuréticos, reduzem a produção de sebo e melhoram o acne. Embora geralmente bem tolerados, podem causar irregularidade menstrual ou aumento da frequência urinária. Fisioterapias como terapia fotodinâmica, lasers e luz azul/vermelha têm sido exploradas como adjuvantes para acne inflamatório e cicatrizes, ajudando a reduzir a colonização bacteriana e a actividade das glândulas sebáceas.

Como prevenir o acne e cuidar da pele

A prevenção concentra‑se em hábitos de cuidado cutâneo. O guideline NICE recomenda usar um produto de limpeza sintético (syndet) não alcalino duas vezes por dia. Evite hidratantes e protectores solares oleosos ou comedogénicos e retire a maquilhagem antes de dormir. Evite espremer ou arranhar as lesões, pois isso aumenta o risco de cicatrizes. Não existe prova robusta de que dietas específicas curem o acne; opte por uma alimentação equilibrada e mantenha uma boa hidratação. Praticar exercício físico, dormir o suficiente e gerir o stress podem ajudar a controlar os factores hormonais e emocionais associados.

Quando procurar ajuda médica?

Deve consultar o médico de família se o acne se tornar moderado ou severo, se houver risco de cicatrizes, se não responder aos tratamentos tópicos após dois ciclos de 12 semanas, ou se estiver a causar distress psicológico. O profissional avaliará a necessidade de terapia sistémica, tratamentos hormonais ou encaminhamento para dermatologia/psiquiatria.

Através da Médico na Net, é possível obter rapidamente apoio para o tratamento, sem sair de casa. Basta aceder à página Vídeo Consulta, preencher o formulário e aguardar a avaliação de um médico. É uma solução prática, segura e eficaz para controlar a doença.

Acne: o que é, quais as causas, como tratar e prevenir

FAQ – Perguntas frequentes sobre o acne

O acne resulta da combinação de produção excessiva de sebo, obstrução do folículo por queratinização anómala, proliferação de C. acnes e inflamação. Factores como genética, hormonas, stress, fricção e cosméticos comedogénicos podem desencadear ou agravar estas alterações.

Não existe cura imediata; os tratamentos demoram semanas a produzir efeito. O guideline NICE indica que os medicamentos tópicos podem demorar 6–8 semanas a mostrar melhoria. Iniciar tratamento cedo e mantê‑lo pelo tempo recomendado é o melhor caminho para reduzir lesões e prevenir cicatrizes.

Use um produto de limpeza suave, de pH neutro ou ligeiramente ácido (syndet), duas vezes por dia. Evite sabonetes alcalinos e cosméticos oleosos; retire sempre a maquilhagem antes de dormir.

Segundo o guideline NICE, não existe evidência suficiente para recomendar dietas específicas. No entanto, adoptar uma dieta equilibrada rica em frutas, vegetais e cereais integrais pode beneficiar a saúde geral. Se identificar que alimentos com alto índice glicémico agravam as lesões, poderá reduzir o seu consumo.

Não. Manipular ou espremer as lesões aumenta a inflamação, o risco de infecção e a formação de cicatrizes. O NICE recomenda evitar coçar ou espremer as lesões para reduzir cicatrizes.

Conclusão

O acne é uma doença cutânea comum que pode ter impacto significativo na auto‑estima e na qualidade de vida. Compreender os mecanismos por trás da doença ajuda a adoptar hábitos de cuidado adequados e a procurar tratamento atempadamente. A combinação de terapêuticas tópicas com antibióticos ou retinóides, ajustada à gravidade, permite controlar a maioria dos casos. Formas graves ou persistentes devem ser avaliadas por um especialista para considerar retinóides orais, terapias hormonais ou tratamentos físicos. Lembre‑se de que uma boa higiene cutânea, alimentação equilibrada e gestão do stress são aliados importantes na prevenção. Ao abordar o acne de forma integral, é possível reduzir cicatrizes e recuperar a confiança.

Referências

  1. Vaz AL. Acne vulgar: bases para o seu tratamento. Revista Portuguesa de Clínica Geral 2003;19:561‑570.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Acne vulgaris: management (Guideline NG198). NICE guidelines, 2023.
  3. Li J, Wu S, et al. Acne treatment: research progress and new perspectives. Frontiers in Medicine 2024.
  4. Tasoula E, Gregoriou S, Chalikias J, et al. The impact of acne vulgaris on quality of life and psychic health in young adolescents in Greece. Anais Brasileiros de Dermatologia 2012;87(6):862–869.

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.