O que é o herpes labial?
O herpes labial, também chamado de herpes labialis ou “bolhas de febre”, é uma infecção comum e altamente contagiosa causada sobretudo pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV‑1). A maioria das pessoas entra em contacto com o HSV‑1 ainda na infância, através do contacto directo com saliva ou pequenas lesões. Após a infecção inicial (que pode ser assintomática ou causar gengivoestomatite), o vírus permanece latente nos gânglios nervosos e pode reactivar‑se periodicamente, dando origem às lesões características nos lábios e ao redor da boca.
Frequência de recorrências e impacto
As recidivas de herpes labial são frequentes porque o vírus permanece latente nos gânglios nervosos ao longo da vida. De acordo com a American Family Physician, as infecções orais por HSV‑1 podem recorrer entre uma e seis vezes por ano. A maioria das pessoas apresenta uma ou duas crises anuais, mas algumas podem ter episódios mais frequentes. As reactivações são influenciadas por factores que comprometem o sistema imunitário, como doença febril, exposição prolongada a radiação ultravioleta, stress, fadiga, cirurgia, menstruação ou uso de medicamentos imunossupressores. Alguns autores sugerem que dietas ricas em arginina (ex. chocolate, frutos secos) podem contribuir para a reactivação, mas a evidência é limitada.
Como se manifesta o herpes labial?
Um surto de herpes labial passa por quatro fases:
- Pródromo – uma sensação de formigueiro, ardor ou comichão nos lábios ou na área perioral, que pode durar horas ou dias.
- Fase de vesícula – surgem grupos de pequenas bolhas cheias de líquido, que causam dor e desconforto.
- Fase ulcerativa – as bolhas rebentam, formando pequenas úlceras que podem exsudar.
- Cicatrização – formam‑se crostas que se desprendem espontaneamente. A totalidade do episódio dura cerca de 7 a 10 dias e geralmente não deixa cicatriz.
A infecciosidade é maior desde a fase de pródromo até à cicatrização completa. Durante este período, o vírus pode ser transmitido por contacto direto (beijos, contacto pele‑pele) ou através da partilha de objectos contaminados, como copos, talheres e batons.
Factores desencadeantes e grupos de risco
Diversos factores podem precipitar um surto de herpes labial:
- Exposição solar intensa ou queimaduras solares – a radiação UV enfraquece a imunidade cutânea e facilita a reactivação do vírus.
- Doença febril e infecções respiratórias – estados febris comuns podem desencadear crises.
- Stress físico ou emocional e privação de sono.
- Menstruação e flutuações hormonais.
- Cirurgias e trauma local (incluindo procedimentos dentários).
- Imunossupressão causada por doenças (como VIH) ou medicamentos.
Pessoas com o sistema imunitário comprometido (doenças autoimunes, oncologia, VIH) e recém‑nascidos podem apresentar formas mais graves e complicações como queratite (infecção ocular) ou encefalite. Nestes casos, é essencial acompanhamento médico imediato.
Prevenção e cuidados durante os surtos
Prevenção e cuidados durante os surtos
Não existe uma cura definitiva para o herpes labial, mas é possível reduzir a frequência e a duração das crises e diminuir a transmissão.
- Identifique e evite os seus gatilhos: proteja‑se do sol com protetor labial de factor elevado, mantenha hábitos de sono regulares e desenvolva estratégias para gerir o stress. Se notar que a menstruação ou outras condições desencadeiam as crises, discuta com o médico opções de prevenção hormonal ou ajustes de estilo de vida.
- Evite contágio: durante um surto, não beije ninguém e evite sexo oral; não partilhe talheres, copos, toalhas, batons ou aparelhos de barbear. Lave as mãos frequentemente, sobretudo após tocar a lesão.
- Cuide das lesões: mantenha a área limpa e seca, use compressas frias para aliviar a dor e não rebente as bolhas. Evite tocar ou arranhar as crostas para não espalhar o vírus para outras áreas da pele.
- Mantenha um sistema imunitário saudável: alimentação equilibrada, exercício físico moderado e sono adequado reforçam a imunidade. Se utilizar medicamentos imunossupressores, peça aconselhamento ao médico sobre prevenção de herpes.
Consulte um profissional de saúde: se as lesões se localizarem perto dos olhos, se tiver episódios muito frequentes ou se for imunossuprimido, procure assistência médica. O médico pode prescrever tratamentos antivirais apropriados e orientar cuidados específicos. Em lactentes e recém‑nascidos, a infecção requer avaliação urgente.
Através da Médico na Net, é possível obter rapidamente apoio para o tratamento, sem sair de casa. Basta aceder à página Herpes Labial, preencher o formulário e aguardar a avaliação de um médico. É uma solução prática, segura e eficaz para controlar a doença.
Perguntas frequentes (FAQ)
O herpes labial é sempre transmitido pelo beijo?
O vírus HSV‑1 transmite‑se por contacto directo com lesões activas ou fluidos infectados. Beijar, partilhar utensílios ou realizar sexo oral com lesões presentes facilita a transmissão. Fora das crises, a transmissão é menos provável, mas ainda pode ocorrer de forma assintomática.
Posso ir trabalhar com um herpes nos lábios?
Sim, mas adopte medidas de higiene: lave as mãos, não toque nas lesões e evite contacto próximo como beijos. Não é necessário faltar ao trabalho, excepto se a profissão exigir contacto íntimo ou manipulação de alimentos sem protecção.
O protetor labial com factor de protecção solar previne surtos?
O uso regular de protetor solar labial reduz a probabilidade de crises provocadas pelo sol e ajuda a manter a hidratação dos lábios. Para muitas pessoas, a exposição solar é um gatilho importante.
Devo tomar medicamentos em todas as crises?
Muitos surtos são leves e resolvem espontaneamente em 7–10 dias. Medicamentos antivirais podem reduzir a duração e aliviar o desconforto, mas a sua utilização deve ser orientada por um médico.
É possível evitar novas crises?
Não é possível eliminar o vírus, mas identificar os gatilhos, manter um estilo de vida saudável, utilizar protetor solar e adoptar medidas de prevenção ajuda a espaçar as crises. Em casos de recidivas frequentes, o médico pode sugerir terapias preventivas.
Conclusão
O herpes labial é uma infecção viral comum que acompanha muitas pessoas ao longo da vida. Embora não exista cura, compreender como o vírus se manifesta, reconhecer os fatores desencadeantes e adoptar medidas preventivas pode reduzir a frequência e a gravidade das crises. Higiene adequada e evitar o contacto durante os surtos são essenciais para prevenir a transmissão. Consulte o seu médico se as crises forem muito frequentes, se surgirem complicações ou se pertencer a um grupo de risco, como imunodeprimidos ou recém‑nascidos.
Fontes
New Zealand Herpes Foundation – Facial Herpes – https://www.herpes.org.nz/about-herpes/facial-herpes
Healthdirect Australia – Cold sores – causes, symptoms and treatment – https://www.healthdirect.gov.au/cold-sores
American Academy of Family Physicians (AAFP) – Nongenital Herpes Simplex Virus – https://www.aafp.org/pubs/afp/issues/2010/1101/p1075.html