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Dependências: Tratamento Farmacológico e Intervenções Comportamentais para a Doença do Alcoolismo

Introdução

O uso nocivo de álcool continua a ser um problema de saúde pública substancial em todo o mundo. Directrizes recentes da New York State Department of Health sublinham que a perturbação por consumo de álcool (AUD) é uma condição médica tratável, mas que apenas 0,9 % das pessoas com AUD recebem tratamento farmacológico.

O tratamento da perturbação por consumo de álcool deve ser iniciado precocemente, sendo o diagnóstico precoce e uma abordagem multidisciplinar essenciais para reduzir os riscos de complicações como doenças hepáticas, cardiovasculares e oncológicas.

Quais são os medicamentos aprovados no tratamento da perturbação por consumo de álcool?

Actualmente, três medicamentos são aprovados pela Food and Drug Administration para o tratamento da perturbação por consumo de álcool: acamprosato, naltrexona e dissulfiram.

O acamprosato é tomado três vezes ao dia, enquanto a naltrexona pode ser administrada oralmente diariamente ou em formulação de libertação prolongada por via intramuscular. O dissulfiram provoca reacção aversiva ao álcool, desencorajando o consumo.

Opções adicionais com base em evidência incluem gabapentina e topiramato, que podem ser úteis em doentes com sintomas de abstinência ou insónia e podem integrar o tratamento farmacológico do alcoolismo quando clinicamente indicado.

Ensaios recentes mostram benefícios com psicoterapia assistida por substâncias psicadélicas (p. ex., psilocibina e cetamina) na redução dos dias de consumo pesado; contudo, estas intervenções ainda necessitam de validação adicional.

Como escolher o fármaco no tratamento da perturbação por consumo de álcool?

A escolha da medicação no tratamento da perturbação por consumo de álcool deve ser individualizada:

Acamprosato: recomendado para doentes que pretendem manter a abstinência; exige boa adesão devido à posologia de três doses diárias.

Naltrexona oral ou injetável: adequada para reduzir o craving e os episódios de consumo; a formulação de libertação prolongada é administrada mensalmente e pode melhorar a adesão.

Dissulfiram: eficaz em doentes motivados que conseguem evitar o álcool; deve ser prescrito com cautela devido à possibilidade de reacções adversas graves se o doente beber durante o tratamento.

Gabapentina e topiramato: úteis para controlo da abstinência e craving; podem ser considerados como terapêuticas alternativas.

Qual o papel da terapia comportamental?

A guideline de 2023 salienta que o tratamento da perturbação por consumo de álcool deve ser complementado por intervenções comportamentais, tais como entrevista motivacional, terapia cognitivo-comportamental e prevenção da recaída.

Estas abordagens incluem avaliação estruturada, feedback personalizado, definição de objectivos, treino de resolução de problemas e reforço de competências para gestão de stress.

Estudos demonstram que a combinação de fármacos e terapia comportamental melhora os resultados a longo prazo no tratamento da perturbação por consumo de álcool.

A equipa da Médico na Net disponibiliza consultas online para avaliação do padrão de consumo de álcool, definição de estratégias terapêuticas individualizadas e acompanhamento no tratamento da perturbação por consumo de álcool, incluindo orientação farmacológica e intervenção motivacional estruturada.

tratamento da perturbação por consumo de álcool em consulta médica online com acompanhamento especializado

Perguntas frequentes (FAQ)

Nem sempre. A decisão depende da gravidade da perturbação por consumo de álcool, dos objectivos do doente (redução vs. abstinência), da presença de comorbilidades e das preferências pessoais. Para formas moderadas ou graves, a combinação de farmacoterapia e apoio psicológico é considerada padrão de cuidados.

Os efeitos variam conforme o fármaco. A naltrexona pode causar náuseas ou dores de cabeça; o acamprosato está associado a diarreia; o dissulfiram provoca reacções aversivas se o doente ingerir álcool; a gabapentina pode causar sonolência ou tonturas. É fundamental monitorizar e ajustar o tratamento da perturbação por consumo de álcool individualmente.

Consiste em estratégias que reduzem os danos associados ao consumo sem exigir abstinência completa. Pode integrar o tratamento da perturbação por consumo de álcool, especialmente em doentes que não pretendem abstinência total.

A duração é variável e depende da gravidade da condição, da resposta à terapêutica e do risco de recaída. Em muitos casos, o tratamento farmacológico pode ser mantido durante vários meses, com reavaliações periódicas. A decisão deve ser sempre individualizada.

Em casos ligeiros, intervenções comportamentais estruturadas podem ser suficientes. Contudo, em formas moderadas ou graves, a evidência demonstra que a combinação de medicação e terapia comportamental oferece melhores resultados a longo prazo.

Conclusão

O tratamento da perturbação por consumo de álcool deve ser individualizado e baseado em evidência científica. Medicamentos como acamprosato, naltrexona e dissulfiram demonstram eficácia, especialmente quando combinados com intervenções comportamentais. O sucesso depende da adesão, do apoio psicológico e da monitorização regular.

Referências

Yonina Mar, et al. Treatment of Alcohol Use Disorder. NCBI Bookshelf (2023).

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.