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Gonorreia: Sintomas, Diagnóstico e Fatores de Risco

Introdução

A gonorreia é a segunda infeção sexualmente transmissível (IST) bacteriana mais frequente na Europa, causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae. O European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) reportou mais de 70 000 casos anuais na União Europeia, com uma tendência crescente particularmente entre homens jovens.

Reconhecer precocemente os sintomas da gonorreia é fundamental para permitir diagnóstico rápido e iniciar tratamento adequado. A gonorreia é uma preocupação crescente de saúde pública devido ao aumento da resistência antimicrobiana da Neisseria gonorrhoeae, classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma das 12 bactérias prioritárias para investigação de novos antibióticos.

O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gonorreia são essenciais para prevenir complicações e conter a propagação de estirpes resistentes.

Sintomas da Gonorreia

Os sintomas da gonorreia diferem entre homens e mulheres e conforme a localização anatómica da infeção. Nos homens, a gonorreia uretral manifesta-se tipicamente 2 a 5 dias após a exposição com corrimento uretral purulento abundante e disúria intensa.

Nas mulheres, os sintomas da gonorreia são frequentemente discretos ou inexistentes. Quando presentes, podem incluir corrimento vaginal anormal, disúria e hemorragia intermenstrual. A ausência de sintomas em até 50 % das mulheres com gonorreia favorece o atraso no diagnóstico e o risco de complicações.

A gonorreia faríngea é geralmente assintomática e a gonorreia retal pode manifestar-se como proctite com dor, corrimento e tenesmo. A International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) recomenda rastreio multilocal (genital, faríngeo e retal) para deteção abrangente da gonorreia.

Diagnóstico

O diagnóstico da gonorreia baseia-se nos testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) como método de primeira linha, complementados pela cultura microbiológica para teste de suscetibilidade antibiótica. A cultura é essencial para monitorizar a resistência antimicrobiana da Neisseria gonorrhoeae.

As amostras para diagnóstico da gonorreia incluem zaragatoa uretral, endocervical, retal e faríngea, ou urina de primeiro jato para rastreio uretral. O ECDC recomenda que todos os casos de gonorreia confirmados por NAAT sejam também submetidos a cultura para teste de sensibilidade.

A microscopia com coloração de Gram do corrimento uretral masculino (diplococos Gram-negativos intracelulares) permite diagnóstico presuntivo imediato da gonorreia com elevada especificidade, possibilitando o início imediato do tratamento.

Fatores de Risco

Os fatores de risco para gonorreia incluem idade jovem (15 a 24 anos), múltiplos parceiros sexuais, relações sexuais desprotegidas, história prévia de infeções sexualmente transmissíveis e uso de substâncias que afetam o comportamento sexual.

A gonorreia é desproporcionalmente prevalente em homens que têm sexo com homens (HSH), sendo este grupo alvo prioritário de rastreio segundo as guidelines da British Association for Sexual Health and HIV (BASHH). O uso de aplicações de encontros e a prática de chemsex estão associados a maior risco de aquisição de gonorreia.

O consumo de álcool e drogas recreativas, que reduzem a adesão ao uso de preservativo, são cofatores importantes na transmissão da gonorreia. A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal promove campanhas de sensibilização dirigidas a populações de maior risco.

Na Médico na Net, a equipa clínica realiza diagnóstico rápido e tratamento atualizado de sintomas da gonorreia, com rastreio multilocal e monitorização da resistência antimicrobiana para garantir a eficácia terapêutica.

Homem realizando teleconsulta médica para avaliar sintomas da gonorreia, com doutor sorridente na tela do laptop, ilustrando atendimento remoto acessível e sem constrangimento

Perguntas frequentes (FAQ)

A gonorreia pode causar complicações graves se não tratada, e os sintomas da gonorreia incluem doença inflamatória pélvica, epididimite, infertilidade e, raramente, infeção gonocócica disseminada. O tratamento precoce previne estas complicações.

A transmissão da gonorreia por beijo na boca é teoricamente possível mas rara. A transmissão ocorre principalmente por contacto genital, oral-genital ou retal desprotegido.

Sim. A coinfeção por gonorreia e clamídia é frequente, ocorrendo em até 30 a 40 % dos casos. Por isso, as guidelines recomendam tratamento simultâneo para ambas as infeções quando a gonorreia é diagnosticada.

Sim. A gonorreia faríngea é adquirida por contacto oral-genital e é geralmente assintomática. O rastreio faríngeo é recomendado em indivíduos com prática de sexo oral, especialmente HSH.

A Neisseria gonorrhoeae desenvolveu resistência a múltiplas classes de antibióticos ao longo das décadas. A Organização Mundial da Saúde classifica a gonorreia resistente como uma ameaça urgente, sendo essencial o uso de antibióticos adequados e o teste de sensibilidade aos primeiros sintomas da gonorreia.

Conclusão

A gonorreia é uma infeção sexualmente transmissível de importância crescente devido à sua elevada prevalência e ao desafio da resistência antimicrobiana. Reconhecer os sintomas da gonorreia, realizar diagnóstico precoce com NAAT e cultura e identificar fatores de risco são passos fundamentais para garantir tratamento eficaz e controlar a propagação da infeção.

Referências

European Centre for Disease Prevention and Control. Gonorrhoea Annual Epidemiological Report. ECDC (2024)
World Health Organization. Multi-drug resistant gonorrhoeaGlobal action plan. WHO (2023)
British Association for Sexual Health and HIV. BASHH Guideline on Gonorrhoea. BASHH (2023)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.