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Hepatite B: Sintomas, Diagnóstico e Fatores de Risco

Introdução

A hepatite B é uma infeção viral do fígado causada pelo vírus da hepatite B (VHB), transmissível por via sexual, sanguínea e perinatal. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 254 milhões de pessoas vivem com hepatite B crónica globalmente, sendo esta uma das principais causas de cirrose hepática e carcinoma hepatocelular.

Em Portugal, a prevalência estimada de hepatite B crónica situa-se entre 0,5 e 1 %, segundo dados da Direção-Geral da Saúde (DGS). A vacinação universal, integrada no Programa Nacional de Vacinação desde 2000, reduziu significativamente a incidência da hepatite B em Portugal. O diagnóstico precoce e o reconhecimento dos sintomas da hepatite B permanecem essenciais para prevenir a progressão para doença hepática crónica.

Sintomas da Hepatite B

A hepatite B aguda pode ser assintomática em mais de 50 % dos adultos infetados. Quando presentes, os sintomas da hepatite B surgem 1 a 4 meses após a exposição e incluem fadiga, náuseas, vómitos, dor abdominal no hipocôndrio direito, icterícia (coloração amarela da pele e escleras), colúria (urina escura) e acolia (fezes claras).

Nem todos os doentes reconhecem imediatamente os sintomas da hepatite B, pois estes podem ser inicialmente confundidos com uma infeção viral inespecífica. A presença de icterícia, urina escura e mal-estar persistente deve motivar avaliação médica e investigação laboratorial.

A hepatite B crónica é frequentemente silenciosa durante anos ou décadas, manifestando-se clinicamente apenas quando já existe lesão hepática significativa. A European Association for the Study of the Liver (EASL) alerta que muitos doentes são diagnosticados apenas na fase de cirrose ou carcinoma hepatocelular, quando os sintomas da hepatite B se tornam mais evidentes.

A hepatite B fulminante, embora rara (menos de 1 % dos casos), é uma emergência médica potencialmente fatal, caracterizada por insuficiência hepática aguda com encefalopatia. O reconhecimento precoce dos sintomas da hepatite B é crucial para o diagnóstico atempado e intervenção médica.

Diagnóstico

O diagnóstico da hepatite B baseia-se em marcadores serológicos específicos. O antigénio de superfície da hepatite B (AgHBs) é o marcador primário de infeção ativa, estando presente na hepatite B aguda e crónica. A persistência do AgHBs por mais de 6 meses define a hepatite B crónica.

O painel serológico completo inclui AgHBs, anticorpo anti-HBs (imunidade), anticorpo anti-HBc (exposição prévia), AgHBe (replicação viral ativa) e anticorpo anti-HBe. A carga viral (ADN-VHB) quantifica a replicação viral e orienta as decisões terapêuticas na hepatite B crónica.

A investigação diagnóstica é frequentemente iniciada após a presença de sintomas da hepatite B ou após rastreio em grupos de risco. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) do Reino Unido recomenda rastreio de hepatite B em grupos de risco, incluindo imigrantes de regiões endémicas, contactos domésticos e sexuais de doentes com hepatite B, utilizadores de drogas injetáveis e profissionais de saúde.

Fatores de Risco e Transmissão

A hepatite B é transmitida por contacto com sangue ou fluidos corporais infetados. As vias de transmissão incluem contacto sexual desprotegido, partilha de agulhas ou material de injeção, transmissão perinatal (mãe-filho) e exposição ocupacional a sangue contaminado.

A transmissão sexual é uma das principais vias de infeção por hepatite B em países de baixa prevalência, como Portugal. O risco de transmissão sexual é significativamente maior para a hepatite B do que para o VIH, devido à elevada concentração viral nos fluidos genitais.

Outros fatores de risco incluem procedimentos médicos ou estéticos com material não esterilizado (tatuagens, piercings), hemodiálise e transplante de órgãos. A Fundação Portuguesa de Hepatologia sublinha que a vacinação é a medida preventiva mais eficaz contra a hepatite B.

Mesmo na ausência de sintomas da hepatite B, uma pessoa pode transmitir o vírus, motivo pelo qual o rastreio e a vacinação são fundamentais para a prevenção da infeção.

Na Médico na Net, a equipa clínica realiza rastreio serológico, diagnóstico e acompanhamento da hepatite B, com verificação do estado vacinal e plano de seguimento personalizado para cada doente. A identificação precoce dos sintomas da hepatite B e a realização de exames adequados permitem iniciar monitorização e tratamento quando necessário, reduzindo o risco de complicações hepáticas.

Mulher realizando teleconsulta online com médico para avaliar sintomas da hepatite B, com doutor sorridente na tela do laptop, ilustrando atendimento remoto confidencial e rápido para infecções virais como hepatite B

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A hepatite B é uma infeção sexualmente transmissível, embora também possa ser transmitida por via sanguínea e perinatal. O contacto sexual desprotegido é uma das principais vias de transmissão em países de baixa prevalência como Portugal.

Sim. A vacina da hepatite B é uma das vacinas mais eficazes disponíveis, com proteção superior a 95 % após esquema vacinal completo. A imunidade conferida é duradoura, geralmente para toda a vida.

Sim. A hepatite B crónica pode evoluir para cirrose hepática e carcinoma hepatocelular. O seguimento regular e o tratamento, quando indicado, são fundamentais para prevenir a progressão da doença hepática.

Sim. Muitos portadores de hepatite B crónica são assintomáticos durante anos. O rastreio serológico é a única forma de detetar a infeção na ausência de sintomas ou de sintomas da hepatite B evidentes.

A hepatite B aguda resolve espontaneamente em mais de 95 % dos adultos. A hepatite B crónica não tem cura definitiva, mas pode ser controlada com medicação antiviral, que suprime a replicação viral e previne complicações.

Conclusão

A hepatite B é uma infeção viral de elevada prevalência global, frequentemente assintomática e com potencial para causar doença hepática grave. O reconhecimento dos sintomas da hepatite B, o diagnóstico serológico precoce, a identificação de fatores de risco e a vacinação são pilares fundamentais para o controlo da hepatite B e a prevenção das suas complicações.

Referências

European Association for the Study of the Liver.

World Health OrganizationHepatitis B Fact Sheet

Direção-Geral da SaúdePrograma Nacional de Vacinação

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.