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Tratamento da Tricomoníase: Metronidazol, Gestão de Parceiros e Prevenção

Introdução

O tratamento da tricomoníase é eficaz com nitroimidazóis, sendo o metronidazol o fármaco de referência há mais de cinco décadas. As guidelines do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e da British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) recomendam regimes de tratamento da tricomoníase bem estabelecidos, com taxas de cura superiores a 95 % quando ambos os parceiros são tratados simultaneamente.

Apesar da eficácia terapêutica comprovada, a tricomoníase apresenta taxas de reinfeção elevadas, estimadas em 17 % nos primeiros 3 meses após tratamento. O tratamento simultâneo de parceiros, o seguimento com reteste e a educação sobre prevenção são componentes essenciais do tratamento da tricomoníase e da gestão clínica completa desta infeção.

Terapêutica com Metronidazol

O regime de primeira linha para o tratamento da tricomoníase é o metronidazol 500 mg por via oral, duas vezes por dia, durante 7 dias. Este regime demonstrou taxas de cura superiores à dose única de 2 g, especialmente em mulheres, segundo um ensaio clínico multicêntrico publicado no The New England Journal of Medicine.

A dose única de metronidazol 2 g oral permanece como alternativa quando a adesão ao regime de 7 dias não é garantida, ou para tratamento da tricomoníase no parceiro masculino. O tinidazol 2 g em dose única é outra opção com eficácia equivalente e possivelmente melhor tolerância gastrointestinal.

O metronidazol está contraindicado no primeiro trimestre da gravidez segundo algumas fontes, embora o CDC considere que pode ser utilizado em qualquer fase da gestação quando clinicamente indicado. A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) recomenda ponderação do risco-benefício no tratamento da tricomoníase durante a gravidez.

Resistência ao Metronidazol

A resistência ao metronidazol na tricomoníase é rara mas clinicamente relevante, estimada em 2 a 5 % dos casos. A resistência pode ser de baixo nível (tratável com doses mais elevadas) ou de alto nível (requerendo abordagens alternativas no tratamento da tricomoníase).

Em casos de falência terapêutica com metronidazol na dose padrão, o CDC recomenda metronidazol 2 g oral por dia durante 7 dias ou tinidazol 2 g oral por dia durante 7 dias. Para casos refratários, o parecer de especialista em doenças infecciosas é recomendado para otimizar o tratamento da tricomoníase.

A investigação de novos fármacos para tricomoníase resistente inclui o secnidazol em dose única e abordagens combinadas. A Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP) e a OMS apoiam a investigação de novas opções terapêuticas para ISTs, incluindo o tratamento da tricomoníase resistente ao metronidazol.

Gestão de Parceiros e Prevenção

O tratamento simultâneo de todos os parceiros sexuais é mandatório no tratamento da tricomoníase, mesmo na ausência de sintomas. A terapêutica acelerada de parceiros (expedited partner therapy), em que o parceiro recebe tratamento através do doente-índice, é aceite pelo CDC como estratégia para aumentar a cobertura terapêutica.

O reteste para tricomoníase é recomendado 3 meses após o tratamento da tricomoníase, dada a elevada taxa de reinfeção. A abstinência sexual durante 7 dias após o tratamento (ou até resolução dos sintomas) é necessária para prevenir a transmissão durante o período de tratamento.

A prevenção da tricomoníase baseia-se no uso consistente de preservativo e na redução do número de parceiros sexuais. A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal inclui a tricomoníase entre as ISTs alvo de sensibilização nos programas de saúde sexual, embora o rastreio universal não esteja implementado.

Na Médico na Net, a equipa clínica disponibiliza tratamento da tricomoníase completo, incluindo gestão de parceiros, seguimento com reteste e aconselhamento personalizado sobre prevenção de reinfeções.

Homem realizando teleconsulta médica para discutir tratamento da tricomoníase, com doutor sorridente na tela do laptop, destacando atendimento remoto confidencial e rápido para infecções sexualmente transmissíveis como tricomoníase

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. O metronidazol é o tratamento de referência da tricomoníase há mais de 50 anos, sendo a base do tratamento da tricomoníase, com taxas de cura superiores a 95 % quando o regime é cumprido e o parceiro é tratado simultaneamente.

Não é recomendado. O metronidazol pode causar reação do tipo dissulfiram (náuseas, vómitos, cefaleias) quando combinado com álcool. Deve evitar-se álcool durante o tratamento e nas 48 horas seguintes.

A reinfeção é comum (até 17 % em 3 meses), geralmente por contacto sexual com parceiro não tratado. O sucesso do tratamento da tricomoníase depende do tratamento simultâneo de ambos os parceiros e da adoção de medidas preventivas.

Sim. O tratamento do parceiro é obrigatório no tratamento da tricomoníase, independentemente de ter ou não sintomas. A maioria dos homens com tricomoníase é assintomática mas pode reinfetar a parceira.

Atualmente não existe vacina aprovada contra a tricomoníase. A investigação está em curso, mas a prevenção baseia-se no uso de preservativo, rastreio e tratamento atempado.

Conclusão

O tratamento da tricomoníase com metronidazol é altamente eficaz quando acompanhado de tratamento simultâneo de parceiros e seguimento adequado. O reteste aos 3 meses, a educação sobre prevenção e a vigilância de resistência antimicrobiana são essenciais para o controlo sustentado da tricomoníase e para garantir o sucesso do tratamento da tricomoníase na proteção da saúde sexual.

Referências

Kissinger P. et al. — A randomized treatment trial: single versus 7-day dose of metronidazole for the treatment of Trichomonas vaginalis among HIV-negative women

CDC — Trichomoniasis: STI Treatment Guidelines (2021)

BASHH — Guideline on the Management of Trichomonas vaginalis (2023)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.