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Prevenção do VIH: PrEP, PEP, Preservativo e Estratégias Combinadas

Introdução

A prevenção do VIH evoluiu significativamente nas últimas duas décadas, passando de uma abordagem centrada exclusivamente no preservativo para uma estratégia combinada que integra métodos biomédicos, comportamentais e estruturais. A Joint United Nations Programme on HIV/AIDS (ONUSIDA) estabeleceu como meta reduzir as novas infeções por VIH para menos de 200 000 globalmente até 2030.

A profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP) são intervenções biomédicas que, em conjunto com o uso de preservativo e o princípio I=I, constituem o arsenal atual de prevenção do VIH. Em Portugal, a PrEP está disponível no Serviço Nacional de Saúde desde 2018, representando um avanço significativo nas estratégias modernas de prevenção do VIH.

Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

A PrEP consiste na toma de medicação antirretroviral por pessoas VIH-negativas com risco elevado de infeção. O regime aprovado é a combinação tenofovir disoproxil/emtricitabina (TDF/FTC) em toma diária, com eficácia superior a 99 % na prevenção do VIH quando tomada de forma consistente.

O regime de PrEP “a pedido” (event-driven ou 2-1-1), validado pelo estudo IPERGAY publicado no The New England Journal of Medicine, é uma alternativa para HSH, consistindo em 2 comprimidos 2 a 24 horas antes da relação sexual, seguidos de 1 comprimido às 24 e 48 horas após a primeira toma.

A formulação injetável de cabotegravir de longa duração, administrada a cada 2 meses, demonstrou eficácia superior à PrEP oral nos estudos HPTN 083 e HPTN 084. A European Medicines Agency aprovou esta formulação, ampliando as opções disponíveis para prevenção do VIH. Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde coordena o acesso à PrEP através de consultas especializadas no SNS.

Profilaxia Pós-Exposição (PEP)

A PEP é uma intervenção de emergência que consiste na toma de terapêutica antirretroviral durante 28 dias após uma exposição de risco ao VIH. A PEP deve ser iniciada preferencialmente nas primeiras 2 horas e obrigatoriamente até 72 horas após a exposição, sendo a sua eficácia tanto maior quanto mais precoce o início.

O regime recomendado pela European AIDS Clinical Society e pelo Centers for Disease Control and Prevention é a combinação de tenofovir/emtricitabina com raltegravir ou dolutegravir. A PEP está indicada após exposição sexual de risco (rotura de preservativo, violência sexual), exposição ocupacional (picada de agulha) e partilha de material de injeção.

Em Portugal, a PEP está disponível nos serviços de urgência hospitalares e em centros especializados. A Direção-Geral da Saúde publicou normas de orientação clínica para a prescrição de PEP, garantindo acesso equitativo a esta intervenção essencial de prevenção do VIH.

Estratégias Combinadas de Prevenção

A prevenção combinada integra múltiplas estratégias que, em conjunto, maximizam a eficácia da prevenção do VIH. O uso de preservativo continua a ser a base da prevenção de ISTs, incluindo o VIH, reduzindo o risco de transmissão em mais de 80 % quando utilizado consistentemente.

O rastreio regular e o diagnóstico precoce permitem o início imediato da terapêutica antirretroviral, reduzindo rapidamente a carga viral a níveis indetectáveis e eliminando o risco de transmissão sexual (I=I). Esta estratégia de “testar e tratar” é recomendada pela Organização Mundial da Saúde como pilar fundamental da prevenção do VIH.

A doxy-PEP (doxiciclina pós-exposição), embora dirigida a ISTs bacterianas, complementa a estratégia preventiva em populações de risco. A British HIV Association reforça que a integração da prevenção do VIH com o controlo de outras ISTs é essencial para uma abordagem de saúde sexual abrangente.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece aconselhamento personalizado sobre prevenção do VIH, avaliação de elegibilidade para PrEP e PEP, e rastreio integrado de ISTs para uma proteção completa da saúde sexual.

Mulher em teleconsulta com médica na tela do laptop (doutora sorridente em jaleco, ambiente acolhedor, foco na conversa remota e confidencial)

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A PrEP está disponível no SNS desde 2018, através de consultas especializadas em hospitais de referência. A avaliação de elegibilidade e o seguimento são realizados por equipas multidisciplinares.

A PrEP protege contra o VIH, mas não contra outras ISTs. O uso combinado de PrEP e preservativo oferece a proteção mais abrangente no contexto da prevenção do VIH. A decisão deve ser informada e individualizada.

Deve dirigir-se a um serviço de urgência hospitalar o mais rapidamente possível, idealmente nas primeiras 2 horas. A PEP pode ser iniciada até 72 horas após a exposição de risco ao VIH.

A PrEP é geralmente bem tolerada. Efeitos secundários ligeiros (náuseas, cefaleias) podem ocorrer nas primeiras semanas e tendem a resolver espontaneamente. A monitorização renal periódica é recomendada.

A PrEP é recomendada para pessoas VIH-negativas com risco elevado de infeção, incluindo HSH com múltiplos parceiros, parceiros serodiscordantes, trabalhadores sexuais e utilizadores de drogas injetáveis.

Conclusão

A prevenção do VIH dispõe atualmente de um arsenal diversificado que inclui PrEP, PEP, preservativo, rastreio regular e o princípio I=I. A combinação destas estratégias, adaptada ao perfil de risco individual, constitui a abordagem mais eficaz de prevenção do VIH, permitindo reduzir novas infeções e aproximar-nos da meta global de eliminação desta pandemia.

Referências

Molina J.M. et al. On-Demand Preexposure Prophylaxis in Men at High Risk for HIV-1 Infection (IPERGAY) — The New England Journal of Medicine (2015)

European AIDS Clinical Society. EACS Guidelines — Prevention of HIV (2024)

Direção-Geral da Saúde. Norma de Orientação Clínica — Profilaxia Pré-Exposição da Infeção por VIH no Adulto (2023)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.