A sífilis é uma infeção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, conhecida como “a grande imitadora” pela diversidade de apresentações clínicas que pode assumir. O European Centre for Disease Prevention and Control reportou um aumento alarmante de 34 % nos casos de sintomas da sífilis na Europa entre 2021 e 2023, representando a maior taxa de incidência em duas décadas.
Em Portugal, os dados da Direção-Geral da Saúde confirmam esta tendência ascendente, com particular incidência em homens jovens e em HSH. O diagnóstico precoce da sífilis é essencial, pois a infeção é facilmente tratável nos estadios iniciais mas pode causar complicações graves e irreversíveis quando não diagnosticada atempadamente. Reconhecer precocemente os sintomas da sífilis é fundamental para iniciar tratamento adequado e evitar progressão da doença.
Fases Clínicas da Sífilis
A evolução clínica da doença é marcada por diferentes fases, cada uma associada a sintomas da sífilis específicos que podem variar significativamente entre indivíduos.
A sífilis primária manifesta-se 10 a 90 dias após a exposição por um cancro duro, uma úlcera indolor, geralmente única, com bordos elevados e base limpa, no local de inoculação (genitais, ânus, lábios, orofaringe). Este é um dos sintomas da sífilis mais característicos da fase inicial da infeção.
O cancro resolve espontaneamente em 3 a 6 semanas, mesmo sem tratamento, o que pode induzir uma falsa sensação de cura. No entanto, mesmo após o desaparecimento deste sinal inicial, outros sintomas da sífilis podem surgir nas fases seguintes da doença.
A sífilis secundária surge 4 a 10 semanas após o cancro, com manifestações sistémicas: exantema maculopapular generalizado (incluindo palmas e plantas dos pés), condilomas planos, alopecia em placas, linfadenopatia generalizada, febre e astenia. A British Association for Sexual Health and HIV destaca que o exantema palmoplantar é altamente sugestivo de sífilis secundária e representa um dos sintomas da sífilis mais reconhecidos na prática clínica.
Outros sintomas da sífilis nesta fase podem incluir fadiga intensa, febre baixa e aumento generalizado dos gânglios linfáticos.
A sífilis latente (precoce < 1 ano; tardia > 1 ano) é assintomática mas diagnosticável por serologia. Nesta fase não existem sintomas da sífilis visíveis, embora a infeção permaneça ativa no organismo.
A sífilis terciária, atualmente rara nos países desenvolvidos, pode surgir anos a décadas após a infeção, afetando o sistema cardiovascular (aortite), neurológico (neurossífilis) e tecidos moles (gomas sifilíticas). Nestes casos, os sintomas da sífilis podem incluir alterações neurológicas, problemas cardiovasculares e lesões destrutivas em tecidos.
Sintomas da Sífilis: Diagnóstico
O diagnóstico da sífilis combina avaliação clínica e testes serológicos. A presença de sintomas da sífilis sugestivos deve sempre motivar investigação laboratorial para confirmação diagnóstica.
A microscopia de campo escuro do exsudado do cancro permite identificação direta do Treponema pallidum na sífilis primária, embora esta técnica esteja disponível apenas em centros especializados.
Os testes serológicos dividem-se em treponémicos (FTA-ABS, TP-PA, EIA/CLIA) e não treponémicos (RPR, VDRL). O algoritmo de rastreio reverso, recomendado pelo Centers for Disease Control and Prevention, utiliza um teste treponémico automatizado como rastreio inicial, seguido de teste não treponémico para confirmação e avaliação de atividade.
O RPR/VDRL quantitativo é utilizado para monitorizar a resposta ao tratamento da sífilis: uma redução de 4 vezes no título em 6 a 12 meses indica resposta adequada. A European Academy of Dermatology and Venereology e a International Union against Sexually Transmitted Infections recomendam punção lombar para exclusão de neurossífilis em casos selecionados, especialmente quando existem sintomas da sífilis com possível envolvimento neurológico.
Populações de Risco e Epidemiologia
A sífilis afeta desproporcionalmente os HSH, que representam mais de 60 % dos casos notificados na Europa segundo o European Centre for Disease Prevention and Control. A coinfeção sífilis-VIH é frequente, com até 50 % dos casos de sífilis em HSH ocorrendo em pessoas com VIH.
A sífilis congénita, transmitida durante a gravidez, permanece um problema de saúde pública global. A World Health Organization lançou a iniciativa de eliminação da transmissão vertical da sífilis, com rastreio serológico pré-natal universal.
Em Portugal, o rastreio da sífilis é obrigatório no primeiro e terceiro trimestres da gravidez, permitindo identificar precocemente a infeção mesmo quando não existem sintomas da sífilis aparentes.
O aumento da sífilis está associado ao uso de aplicações de encontros, à redução do uso de preservativo em contexto de PrEP para VIH (fenómeno de “compensação de risco”) e ao consumo de substâncias em contexto sexual (chemsex).
A UK Health Security Agency alerta para a necessidade de estratégias de prevenção integradas e maior consciencialização sobre os sintomas da sífilis na população sexualmente ativa.
Na Médico na Net, a equipa clínica realiza rastreio serológico, diagnóstico e tratamento da sífilis em todos os estadios, com seguimento personalizado e aconselhamento sobre prevenção e gestão de parceiros.
Perguntas frequentes (FAQ)
A sífilis tem cura?
Sim. A sífilis é curável com antibioterapia adequada, especialmente quando diagnosticada nos estadios iniciais. Reconhecer os sintomas da sífilis precocemente aumenta significativamente a eficácia do tratamento.
Porque é chamada 'a grande imitadora'?
A sífilis pode apresentar manifestações clínicas que mimetizam muitas outras doenças, tornando os sintomas da sífilis difíceis de identificar sem testes laboratoriais.
A sífilis pode afetar o cérebro?
Sim. A neurossífilis pode ocorrer em qualquer fase da infeção, causando meningite, alterações visuais, auditivas e cognitivas.
Posso ter sífilis sem sintomas?
Sim. A sífilis latente é completamente assintomática e apenas diagnosticável por serologia, o que significa que podem não existir sintomas da sífilis evidentes.
O preservativo protege contra a sífilis?
O preservativo reduz o risco de transmissão da sífilis, mas não oferece proteção absoluta, pois o cancro sifilítico pode localizar-se em áreas não cobertas.
Conclusão
A sífilis está em ressurgimento na Europa e em Portugal, exigindo vigilância clínica reforçada e rastreio proativo. O conhecimento dos sintomas da sífilis, das fases clínicas da doença e a utilização adequada dos testes serológicos são fundamentais para o controlo da infeção e para a prevenção de complicações graves.