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Neurossífilis e Sífilis Ocular: Complicações Neurológicas da Sífilis

Introdução

A neurossífilis e a sífilis ocular são complicações graves da infeção por Treponema pallidum que podem ocorrer em qualquer fase da doença, incluindo nos estadios precoces. O ressurgimento da sífilis na Europa levou a um aumento concomitante dos casos de neurossífilis e sífilis ocular, representando um desafio diagnóstico para clínicos de diversas especialidades.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) emitiu um alerta em 2023 sobre o aumento de casos de sífilis ocular nos Estados Unidos, e a European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) reportou tendências semelhantes na Europa. O reconhecimento precoce destas manifestações e o tratamento adequado são essenciais para prevenir sequelas neurológicas e visuais irreversíveis.

Neurossífilis: Apresentação e Tipos

A neurossífilis ocorre quando o Treponema pallidum invade o sistema nervoso central (SNC), o que pode acontecer semanas a décadas após a infeção primária. As formas precoces incluem meningite sifilítica (cefaleias, rigidez de nuca, paralisia de nervos cranianos) e sífilis meningovascular (AVC em adulto jovem).

As formas tardias de neurossífilis incluem a paresia geral (demência progressiva, alterações de personalidade e comportamento) e o tabes dorsalis (ataxia, dores lancinantes, perda de reflexos e disfunção autonómica). A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) reforça que estas apresentações tardias são raras na era antibiótica, mas ainda ocorrem em doentes não diagnosticados.

Em pessoas com coinfecção VIH/sífilis, a neurossífilis pode ocorrer mais precocemente e com apresentações atípicas. A European AIDS Clinical Society (EACS) recomenda avaliação de neurossífilis em todos os doentes VIH-positivos com sífilis e contagem de CD4 inferior a 350 células/μL.

Sífilis Ocular e Otossífilis

A sífilis ocular pode afetar qualquer estrutura do olho, manifestando-se como uveíte (anterior, posterior ou panuveíte), neurite óptica, retinite ou queratite intersticial. A apresentação mais comum é a uveíte posterior, com diminuição da acuidade visual, floaters e fotofobia.

A otossífilis manifesta-se por perda auditiva neurossensorial, zumbidos e vertigens, podendo ser uni ou bilateral. Tanto a sífilis ocular como a otossífilis são tratadas como neurossífilis, independentemente dos achados no líquido cefalorraquidiano.

A International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) alerta que a sífilis ocular pode ser a primeira manifestação da infeção sifilítica, antes mesmo do diagnóstico serológico de sífilis. Oftalmologistas e otorrinolaringologistas devem manter elevado índice de suspeição para sífilis em casos de uveíte ou surdez súbita inexplicadas.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico de neurossífilis requer punção lombar com análise do líquido cefalorraquidiano (LCR): pleocitose linfocítica, proteinorraquia elevada e VDRL reativo no LCR são critérios diagnósticos. O VDRL no LCR é específico mas pouco sensível (30 a 70 %).

O teste FTA-ABS no LCR tem elevada sensibilidade mas baixa especificidade. A combinação de achados clínicos, serologia sérica e análise do LCR é necessária para o diagnóstico definitivo. O CDC recomenda punção lombar em doentes com sífilis e sintomas neurológicos, oftalmológicos ou auditivos.

O tratamento da neurossífilis e sífilis ocular é a penicilina G cristalina aquosa 18 a 24 milhões UI/dia por via intravenosa durante 10 a 14 dias. A monitorização com punção lombar de controlo aos 6 meses avalia a resposta ao tratamento, com normalização progressiva dos parâmetros do LCR.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação especializada de complicações neurológicas e oftalmológicas da sífilis, com diagnóstico completo e referenciação para tratamento adequado.

Mulher em consulta médica por videochamada com médico no computador durante avaliação clínica de neurossífilis

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A sífilis ocular pode causar uveíte, neurite óptica e outras lesões oculares que, sem tratamento, podem levar a perda visual permanente. O tratamento precoce preserva a função visual.

A neurossífilis é relativamente rara na população geral tratada, mas o risco aumenta em doentes não diagnosticados e em coinfetados com VIH. O ressurgimento da sífilis está a aumentar a incidência de neurossífilis.

O diagnóstico requer punção lombar com análise do líquido cefalorraquidiano, incluindo VDRL no LCR. A combinação de achados clínicos e laboratoriais é necessária para confirmação.

Sim. A neurossífilis requer penicilina intravenosa durante 10 a 14 dias, ao contrário da sífilis precoce que é tratada com penicilina intramuscular em dose única. A hospitalização pode ser necessária.

Sim. A otossífilis pode causar perda auditiva neurossensorial, que pode ser permanente se não tratada atempadamente. A surdez súbita inexplicada em adultos jovens deve motivar rastreio de sífilis.

Conclusão

A neurossífilis e a sífilis ocular são complicações graves que podem ocorrer em qualquer fase da sífilis, exigindo elevado índice de suspeição clínica. O diagnóstico com análise do LCR, o tratamento com penicilina intravenosa e a monitorização da resposta terapêutica são fundamentais para prevenir sequelas neurológicas e sensoriais irreversíveis.

Referências

Neurosyphilis — Continuum: Lifelong Learning in Neurology (Neuroinfectious Disease) Clinical Advisory: Ocular Syphilis in the United States — Centers for Disease Control and Prevention (CDC) 2020 European guideline on the management of syphilis — IUSTI / WHO Europe (Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.