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Mycoplasma genitalium vs. Ureaplasma: Diferenças, Diagnóstico e Quando Tratar

Introdução

O Mycoplasma genitalium e o Ureaplasma (U. urealyticum e U. parvum) são bactérias da classe Mollicutes, ambas desprovidas de parede celular e frequentemente detetadas no trato geniturinário. Contudo, o seu significado clínico é muito diferente, o que gera confusão entre profissionais de saúde e doentes quando estes microrganismos são detetados em análises.

A distinção entre Mycoplasma genitalium (patogénio reconhecido) e Ureaplasma spp. (frequentemente comensal) é fundamental para evitar tratamentos desnecessários, ansiedade injustificada e seleção de resistência antimicrobiana. A European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) e a British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) fornecem orientações claras sobre quando tratar cada microrganismo.

Mycoplasma genitalium: Patogénio Reconhecido

O Mycoplasma genitalium é unanimemente reconhecido como patogénio sexualmente transmissível pela BASHH, IUSTI e CDC. A sua presença no trato genital está associada a uretrite não gonocócica em homens, cervicite e DIP em mulheres, justificando tratamento em todos os casos diagnosticados.

A prevalência de Mycoplasma genitalium na população geral é de 1 a 3 %, inferior à do Ureaplasma (40 a 80 %), refletindo o seu estatuto de patogénio e não de comensal. A deteção de Mycoplasma genitalium deve sempre motivar tratamento do doente e avaliação de parceiros sexuais.

O diagnóstico é exclusivamente por NAAT, e o tratamento requer terapêutica dirigida por teste de resistência. A IUSTI classifica o Mycoplasma genitalium como uma IST de notificação recomendada em vários países europeus.

Ureaplasma: Comensal vs. Patogénio

O Ureaplasma urealyticum e parvum são colonizadores frequentes do trato genital, presentes em 40 a 80 % dos adultos sexualmente ativos. A sua presença isolada, sem sintomas, não requer tratamento na maioria dos casos, sendo considerados comensais.

O papel patogénico da bactéria é reconhecido em contextos específicos: uretrite não gonocócica persistente (após exclusão de clamídia e Mycoplasma genitalium), corioamnionite, infeções neonatais em prematuros e possivelmente em algumas formas de infertilidade masculina.

A BASHH e a ESCMID desaconselham fortemente o rastreio de Ureaplasma em indivíduos assintomáticos, pois a deteção frequente de colonização assintomática leva a tratamentos desnecessários, ansiedade e seleção de resistência antimicrobiana. O tratamento só é indicado em sintomáticos após exclusão de outras causas.

Quando Testar e Quando Tratar

O teste de Mycoplasma genitalium é indicado em uretrite/cervicite persistente ou recorrente, DIP, contacto com parceiro diagnosticado e investigação de infertilidade com causas infecciosas. A deteção positiva justifica sempre tratamento.

O teste de Ureaplasma não é recomendado como rotina em nenhum contexto clínico pela BASHH. Pode ser considerado apenas em uretrite persistente após exclusão de todas as outras causas (clamídia, gonorreia, Mycoplasma genitalium, Trichomonas) e em contexto de infeção neonatal ou obstétrica.

A European Association of Urology (EAU) alerta que a disponibilidade crescente de painéis moleculares multiplex pode detetar Ureaplasma incidentalmente, levando a sobretratamento. A interpretação dos resultados deve ser feita por clínicos familiarizados com o significado de cada microrganismo no contexto clínico específico.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece orientação especializada na interpretação de resultados de testes moleculares genitais, distinguindo achados clinicamente relevantes de colonização sem significado, para evitar tratamentos desnecessários.

Homem a realizar consulta médica online num computador portátil sobre Ureaplasma com médico em videochamada

Perguntas frequentes (FAQ)

Na maioria dos casos, não. O Ureaplasma é um comensal frequente do trato genital. O tratamento só é indicado em situações clínicas específicas, como uretrite persistente após exclusão de outras causas.

Não. Embora pertençam à mesma família bacteriana, o Mycoplasma genitalium é um patogénio reconhecido que sempre requer tratamento, enquanto o Ureaplasma é frequentemente um comensal sem significado clínico.

O tratamento em assintomáticos não traz benefício e pode causar efeitos secundários, seleção de resistência antimicrobiana e ansiedade desnecessária. As guidelines médicas desaconselham o tratamento sem indicação clínica.

Sim. Pode ser transmitido sexualmente, mas também por contacto não sexual. A sua elevada prevalência na população geral reflete colonização normal, não necessariamente infeção patogénica.

Os painéis multiplex são úteis quando interpretados corretamente. A deteção incidental de microrganismos comensais como o Ureaplasma pode causar confusão se não contextualizada clinicamente.

Conclusão

A distinção entre Mycoplasma genitalium (patogénio que requer sempre tratamento) e Ureaplasma (frequentemente comensal) é essencial para uma prática clínica racional. A interpretação adequada dos testes moleculares, a adesão às guidelines e a resistência ao sobretratamento são fundamentais para a gestão correta destes microrganismos e a proteção da saúde sexual.

Referências

European Guideline on the Management of Mycoplasma genitalium Infections — IUSTI / WHO Europe (Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology)

Should We Be Testing for Urogenital Mycoplasma hominis, Ureaplasma parvum and Ureaplasma urealyticum in Men and Women? — Position Statement from BASHH (Sexually Transmitted Infections)

EAU Guidelines on Urological Infections — European Association of Urology

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.