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Pílula Contracetiva: Tipos, Mecanismo de Ação e Indicações

Introdução

A pílula contracetiva é o método contracetivo mais utilizado em Portugal e na Europa, sendo usada por aproximadamente 27 % das mulheres portuguesas em idade reprodutiva, segundo dados da Sociedade Portuguesa de Contraceção. Desde a sua introdução na década de 1960, a pílula contracetiva revolucionou a saúde reprodutiva feminina, oferecendo controlo eficaz da fertilidade com benefícios adicionais para a saúde.

Existem dois tipos principais de pílula contracetiva: a pílula combinada (contendo estrogénio e progestagénio) e a pílula progestativa (contendo apenas progestagénio). A escolha da pílula contracetiva deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde, preferências e fatores de risco de cada mulher. A Direção-Geral da Saúde (DGS) disponibiliza orientações claras para a prescrição de contracetivos hormonais em Portugal.

Tipos de Pílula Contracetiva

A pílula combinada contém um estrogénio (geralmente etinilestradiol ou estradiol) associado a um progestagénio. As pílulas combinadas são classificadas por geração, conforme o progestagénio utilizado: primeira geração (noretisterona), segunda geração (levonorgestrel), terceira geração (desogestrel, gestodeno) e quarta geração (drospirenona, dienogest, nomegestrol).

As pílulas de segunda geração com levonorgestrel são recomendadas como primeira escolha pela maioria das guidelines europeias, incluindo as do National Institute for Health and Care Excellence (NICE), por apresentarem o menor risco tromboembólico entre as pílulas combinadas. A pílula com drospirenona tem propriedades anti-androgénicas e antimineralocorticóides, sendo frequentemente prescrita em mulheres com acne ou retenção hídrica.

A pílula progestativa (também chamada minipílula) contém apenas progestagénio, sendo indicada para mulheres com contraindicações aos estrogénios. A pílula com desogestrel 75 mcg é a mais utilizada, oferecendo inibição consistente da ovulação e uma janela de esquecimento mais alargada (12 horas) comparativamente às pílulas progestativas tradicionais. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda a pílula progestativa para mulheres a amamentar, fumadoras com mais de 35 anos e mulheres com história de enxaqueca com aura.

Mecanismo de Ação da Pílula Contracetiva

A pílula contracetiva combinada atua através de múltiplos mecanismos complementares que garantem elevada eficácia contracetiva. O mecanismo principal é a inibição da ovulação, conseguida pela supressão da secreção de gonadotrofinas (FSH e LH) pelo eixo hipotálamo-hipofisário.

Adicionalmente, a pílula combinada espessa o muco cervical (dificultando a passagem dos espermatozoides), altera a motilidade tubária e modifica o endométrio (tornando-o menos recetivo à implantação). Estes mecanismos secundários contribuem para a eficácia global, que é de 99,7 % com uso perfeito e 91 % com uso típico, segundo o Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

A pílula progestativa com desogestrel atua predominantemente pela inibição da ovulação em 97 % dos ciclos, associada ao espessamento do muco cervical. A European Society of Contraception and Reproductive Health (ESC) reforça que a eficácia da pílula progestativa com desogestrel é comparável à da pílula combinada, desde que tomada de forma consistente.

Indicações e Benefícios Não Contracetivos

A pílula contracetiva é indicada para mulheres que desejam contraceção hormonal eficaz, reversível e de fácil utilização. Além da contraceção, a pílula combinada oferece diversos benefícios não contracetivos clinicamente relevantes, reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

A pílula contracetiva combinada reduz a dismenorreia em 60 a 70 % das utilizadoras, diminui o fluxo menstrual (útil na menorragia), melhora a acne vulgar e o hirsutismo ligeiro, e trata os sintomas do síndrome pré-menstrual. O uso prolongado da pílula combinada está associado a redução de 50 % no risco de cancro do ovário e de 50 % no risco de cancro do endométrio, com proteção que persiste durante anos após a descontinuação.

A pílula combinada é também utilizada no tratamento da endometriose, cistos funcionais do ovário e na regulação do ciclo menstrual em mulheres com síndrome do ovário poliquístico (SOP). O Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (RCOG) reconhece a pílula como opção terapêutica de primeira linha para várias condições ginecológicas, sendo prescrita frequentemente com dupla indicação — contracetiva e terapêutica.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece aconselhamento contracetivo personalizado, ajudando cada mulher a escolher a pílula contracetiva mais adequada ao seu perfil de saúde e necessidades individuais.

Mulher em casa em consulta online sobre pílula contracetiva com médica no tablet

Perguntas frequentes (FAQ)

Estudos controlados não demonstram ganho de peso significativo com a pílula contracetiva combinada. Alguma retenção hídrica pode ocorrer nos primeiros meses, geralmente transitória.

Sim. O regime contínuo (sem pausa) é seguro e pode ser vantajoso para mulheres com dismenorreia, endometriose ou enxaquecas menstruais. Esta abordagem é aprovada por várias sociedades médicas europeias.

Não. A pílula contracetiva não protege contra infeções sexualmente transmissíveis. O preservativo é o único método contracetivo que oferece proteção contra ISTs.

Se iniciada no primeiro dia da menstruação, a proteção contracetiva é imediata. Se iniciada noutro dia do ciclo, é necessário usar preservativo nos primeiros 7 dias.

Não. Estudos de larga escala demonstram que a fertilidade retorna rapidamente após a descontinuação, geralmente em 1 a 3 meses. A pílula não afeta negativamente a fertilidade futura.

Conclusão

A pílula contracetiva é um método seguro, eficaz e versátil que oferece controlo da fertilidade e múltiplos benefícios não contracetivos. A escolha entre pílula combinada e progestativa deve ser individualizada, considerando os fatores de risco e necessidades de cada mulher. O aconselhamento médico adequado é fundamental para maximizar os benefícios e minimizar os riscos da contraceção hormonal oral.

Referências

National Institute for Health and Care Excellence. Contraception — Combined Hormonal Methods

European Society of Contraception and Reproductive Health. ESC Clinical Guidance on Combined Hormonal Contraception

Direção-Geral da Saúde. Saúde Reprodutiva — Planeamento Familiar

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.