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Enxaqueca: Sintomas, Tipos e Diagnóstico

Introdução

A enxaqueca é uma doença neurológica crónica que afeta cerca de 15 % da população mundial, sendo a segunda causa de incapacidade a nível global segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Em Portugal, estima-se que 1,5 a 2 milhões de pessoas sofram de enxaqueca, com uma prevalência três vezes superior nas mulheres comparativamente aos homens.

A enxaqueca é muito mais do que uma simples dor de cabeça. É uma condição neurológica complexa caracterizada por episódios recorrentes de cefaleia moderada a grave, tipicamente unilateral e pulsátil, acompanhada de náuseas, fotofobia e fonofobia. O reconhecimento da enxaqueca como doença neurológica legítima e incapacitante é fundamental para garantir o diagnóstico correto e o acesso a tratamento adequado.

Tipos de Enxaqueca

A classificação internacional das cefaleias da International Headache Society (IHS) distingue dois tipos principais: sem aura (anteriormente chamada enxaqueca comum) e com aura (anteriormente enxaqueca clássica).

A enxaqueca com aura é precedida por sintomas neurológicos transitórios — a aura — que se desenvolvem gradualmente ao longo de 5 a 20 minutos e duram menos de 60 minutos. A aura visual é a mais frequente, manifestando-se como escotomas cintilantes (pontos brilhantes ou manchas cegas no campo visual), linhas em ziguezague ou distorções visuais. Auras sensitivas (formigueiro progressivo no braço e face) e auras afásicas (dificuldade em encontrar palavras) são menos comuns.

Existem ainda subtipos menos frequentes: a crónica (15 ou mais dias de cefaleia por mês, dos quais pelo menos 8 com características da doença, durante mais de 3 meses), a hemiplégica (com fraqueza motora transitória) e a vestibular (com vertigem associada). A Sociedade Portuguesa de Cefaleias alinha-se com a classificação da IHS para diagnóstico e categorização.

Sintomas e Fases da Enxaqueca

A crise de enxaqueca evolui tipicamente em quatro fases, embora nem todos os doentes experimentem todas as fases em cada episódio. A fase prodrómica ocorre horas a dias antes da cefaleia, com sintomas como fadiga, irritabilidade, bocejos frequentes, desejo por alimentos específicos (especialmente doces), rigidez cervical e alterações do humor.

A fase de cefaleia é a mais debilitante: dor moderada a grave, tipicamente unilateral e pulsátil, agravada pela atividade física rotineira, com duração de 4 a 72 horas se não tratada. A cefaleia da doença é acompanhada por pelo menos um dos seguintes: náuseas ou vómitos, fotofobia (intolerância à luz) e fonofobia (intolerância ao ruído). A osmofobia (intolerância a odores) é também muito frequente na enxaqueca.

A fase de resolução (ou postdrome) segue-se ao alívio da cefaleia, podendo durar 24 a 48 horas, com fadiga residual, dificuldade de concentração e sensação de “ressaca”. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomenda que o diagnóstico seja clínico, baseado nos critérios da IHS, sem necessidade de exames de imagem por rotina em apresentações típicas.

Diagnóstico da Enxaqueca

O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada dos episódios de cefaleia e nos critérios da International Headache Society (IHS). Não existem marcadores laboratoriais ou exames de imagem específicos para a confirmar. O diário de cefaleias é uma ferramenta valiosa para documentar a frequência, duração, intensidade e desencadeantes das crises de enxaqueca.

Os critérios diagnósticos da enxaqueca sem aura incluem: pelo menos 5 episódios de cefaleia com duração de 4 a 72 horas, com pelo menos 2 de 4 características (unilateral, pulsátil, moderada a grave, agravada pela atividade), e pelo menos 1 sintoma associado (náuseas/vómitos ou fotofobia e fonofobia).

A investigação com ressonância magnética ou tomografia computorizada está indicada quando existem sinais de alarme: cefaleia de início súbito e intensidade máxima imediata (“thunderclap”), cefaleia progressiva, cefaleia com sinais neurológicos focais persistentes, cefaleia de novo após os 50 anos, e cefaleia que acorda o doente durante a noite. A Sociedade Portuguesa de Neurologia segue as recomendações da European Academy of Neurology (EAN) para investigação de cefaleias com sinais de alarme.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação especializada de enxaqueca, com diagnóstico diferencial, identificação de desencadeantes e plano terapêutico personalizado para o controlo das crises e prevenção.

Mulher mais velha em casa em consulta online sobre enxaqueca com médica no smartphone

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. É uma doença neurológica complexa com múltiplas fases e sintomas além da cefaleia, incluindo náuseas, fotofobia, fonofobia e alterações cognitivas. É a segunda causa de incapacidade global.

A aura é geralmente benigna e transitória. Contudo, mulheres com enxaqueca com aura têm risco ligeiramente aumentado de AVC, pelo que devem evitar a pílula contracetiva combinada e o tabagismo.

A enxaqueca é tipicamente unilateral, pulsátil, moderada a grave, agravada pela atividade e acompanhada de náuseas e fotofobia. A cefaleia de tensão é bilateral, em pressão, ligeira a moderada e sem náuseas significativas.

Sim. Tem forte componente genético. Se um dos pais sofre da doença, o risco dos filhos é 50 % superior. Se ambos os pais são afetados, o risco aumenta para 75 %.

Não por rotina. Se a sua enxaqueca seguir o padrão habitual e o exame neurológico for normal, os exames de imagem não são necessários. Devem ser realizados apenas quando existem sinais de alarme.

Conclusão

A enxaqueca é uma doença neurológica prevalente e incapacitante que merece reconhecimento e abordagem clínica adequada. O diagnóstico correto, baseado nos critérios da International Headache Society, a identificação do tipo e a exclusão de cefaleias secundárias são os primeiros passos para um tratamento eficaz. O diário de cefaleias e o registo de desencadeantes são ferramentas essenciais para a gestão personalizada da doença.

Referências

International Headache Society. International Classification of Headache Disorders, 3rd edition

World Health Organization. Headache disorders — Key facts

National Institute for Health and Care Excellence. Headaches in over 12s: diagnosis and management

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.