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Consulta do Viajante: Vacinas, Profilaxia da Malária e Preparação para Viagens Internacionais

Introdução

A consulta do viajante é uma consulta médica especializada que visa preparar o viajante para os riscos de saúde associados a destinos internacionais, particularmente regiões tropicais e subtropicais. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 8 % dos viajantes para países em desenvolvimento necessitam de cuidados médicos durante ou após a viagem, sendo a diarreia do viajante, infeções respiratórias, febres e doenças transmitidas por vetores as causas mais frequentes.

Em Portugal, a consulta do viajante está disponível nos centros de saúde internacionais do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), nos centros de vacinação internacional da Direção-Geral da Saúde (DGS) e em clínicas privadas especializadas. A consulta deve ser realizada idealmente 4 a 6 semanas antes da viagem, para permitir a administração de vacinas e o início de profilaxia antipalúdica quando indicados.

Vacinação do Viajante

A vacinação é um dos pilares da consulta do viajante. As vacinas recomendadas dependem do destino, duração, tipo de viagem, idade e estado de saúde do viajante. A vacina contra a febre amarela é a única vacina obrigatória por regulamento sanitário internacional, exigida para entrada em determinados países da África e América do Sul. O certificado internacional de vacinação contra a febre amarela é válido para toda a vida.

As vacinas frequentemente recomendadas incluem: hepatite A (para a maioria dos destinos em desenvolvimento), febre tifoide (Ásia do Sul, África), raiva (viajantes de longa duração em áreas endémicas), encefalite japonesa (Ásia do Sul e Sudeste Asiático), meningite meningocócica ACWY (cinturão africano da meningite, peregrinos a Meca), cólera oral (zonas de surtos ativos) e poliomielite (países com transmissão ativa).

A European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA mantêm recomendações atualizadas por destino. Em Portugal, os centros de vacinação internacional da DGS administram as vacinas recomendadas e obrigatórias, emitindo o certificado internacional de vacinação. A atualização do esquema vacinal de rotina (tétano, difteria, sarampo) deve ser verificada em cada consulta do viajante.

Profilaxia da Malária

A malária (paludismo) é a doença tropical mais importante para o viajante, com cerca de 10 000 casos importados por ano na Europa. Em Portugal, o IHMT regista anualmente 50 a 100 casos de malária importada, predominantemente de viajantes regressados de países africanos lusófonos (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau).

A profilaxia antipalúdica (quimioprofilaxia) é recomendada para viajantes em áreas de transmissão de malária. Os fármacos disponíveis incluem atovaquona-proguanil (Malarone), doxiciclina e mefloquina. O atovaquona-proguanil é o mais prescrito pela sua boa tolerabilidade, início apenas 1 dia antes da viagem e necessidade de continuar apenas 7 dias após o regresso. A doxiciclina é uma alternativa económica, mas pode causar fotossensibilidade. A mefloquina é tomada semanalmente mas tem mais efeitos neuropsiquiátricos.

A OMS e o CDC recomendam a combinação de quimioprofilaxia com medidas de proteção contra picadas de mosquitos: repelente com DEET 20-50 %, roupas compridas, rede mosquiteira impregnada com permetrina e evitar exposição ao anoitecer e ao amanhecer (período de maior atividade do Anopheles). A consulta do viajante deve informar sobre os sintomas de malária (febre, calafrios, cefaleias, mialgias) e a necessidade de procurar cuidados médicos urgentes em caso de febre até 12 meses após o regresso.

Outros Riscos e Preparação Geral

A diarreia do viajante é a doença mais frequente, afetando 30 a 70 % dos viajantes para países de baixo rendimento. A prevenção baseia-se em medidas de higiene alimentar (“cook it, boil it, peel it, or forget it”) e no transporte de antibiótico para autotratamento (azitromicina) em caso de diarreia grave. A loperamida pode ser usada como sintomático em diarreias sem febre nem sangue.

A trombose venosa associada a voos longos (síndrome da classe económica) deve ser abordada em viajantes com fatores de risco: uso de meias de compressão graduada, hidratação adequada, exercícios regulares durante o voo e, em casos de alto risco, profilaxia com heparina de baixo peso molecular.

O kit médico do viajante deve incluir: analgésicos, anti-histamínico, antidiarreico, sais de reidratação oral, repelente de insetos, protetor solar, antibiótico de reserva (conforme prescrição), medicação crónica habitual (em quantidade suficiente, com receita), e auto-injetor de adrenalina para viajantes com alergias graves. A Direção-Geral da Saúde (DGS) disponibiliza no seu portal informação atualizada sobre riscos de saúde por destino, alertas epidemiológicos e requisitos de vacinação.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece consulta do viajante personalizada, com avaliação de riscos por destino, vacinação, prescrição de profilaxia antipalúdica e preparação completa para viagens internacionais.

Mulher em casa usa tablet para realizar uma consulta do viajante via telemedicina com uma médica sorridente.

Perguntas frequentes (FAQ)

Idealmente, a consulta do viajante deve ser feita 4-6 semanas antes da viagem, para permitir tempo suficiente para vacinação e início de quimioprofilaxia. Mesmo consultas de última hora são úteis para orientações gerais.

Depende do destino. A vacina é obrigatória para entrada em certos países da África e América do Sul. É administrada em centros de vacinação internacional autorizados e o certificado é válido para toda a vida.

Sim, para destinos com transmissão ativa de malária. A malária pode ser fatal se não tratada. A quimioprofilaxia combinada com proteção contra mosquitos é a melhor estratégia.

Depende do destino. Na maioria dos países tropicais e em desenvolvimento, deve consumir apenas água engarrafada ou fervida. O gelo e os alimentos lavados com água não tratada também são fontes de risco.

Um seguro de viagem com cobertura médica adequada é fortemente recomendado para qualquer viagem internacional. Deve incluir evacuação médica para destinos remotos ou países com infraestrutura de saúde limitada.

Conclusão

A consulta do viajante é uma ferramenta essencial para a preparação segura de viagens internacionais, permitindo a vacinação adequada, a prescrição de profilaxia antipalúdica e a educação sobre riscos de saúde específicos do destino. O planeamento antecipado, idealmente 4 a 6 semanas antes da partida, garante a proteção mais completa possível e permite ao viajante desfrutar da sua viagem com tranquilidade e segurança.

Referências

World Health Organization. International Travel and Health

Centers for Disease Control and Prevention. CDC Yellow Book — Health Information for International Travel

Instituto de Higiene e Medicina Tropical. Recomendações de Saúde para o Viajante

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.