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Infeção Urinária na Gravidez: Riscos e Cuidados Essenciais

Introdução

A infeção urinária é uma das complicações infeciosas mais frequentes durante a gravidez, afetando 2 a 10% de todas as grávidas. As alterações hormonais e mecânicas da gestação — dilatação ureteral, compressão vesical pelo útero em crescimento, aumento do pH urinário e estase urinária — criam condições favoráveis à proliferação bacteriana. A Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF) classifica a infeção urinária como uma patologia que requer vigilância ativa durante toda a gravidez.

A importância da deteção e tratamento precoces é particularmente relevante na gravidez porque a infeção urinária não tratada pode ter consequências graves para a mãe e para o feto. A bacteriúria assintomática — presença de bactérias na urina sem sintomas — que na população geral raramente requer tratamento, deve ser obrigatoriamente tratada na grávida. A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda o rastreio universal de bacteriúria assintomática em todas as grávidas.

Riscos da Infeção Urinária na Gravidez

A bacteriúria assintomática não tratada na grávida evolui para pielonefrite aguda em 20 a 30% dos casos, comparado com apenas 1-2% na mulher não grávida. A pielonefrite na gravidez é uma condição grave que pode causar sepsis materna, insuficiência renal aguda e síndrome de dificuldade respiratória. Para o feto, as consequências incluem parto pré-termo, baixo peso ao nascer e risco aumentado de mortalidade perinatal.

Uma meta-análise publicada no British Medical Journal demonstrou que o tratamento da bacteriúria assintomática na gravidez reduz em 75% o risco de pielonefrite e em 40% o risco de parto pré-termo. Estes dados justificam o rastreio e tratamento obrigatórios recomendados por todas as sociedades obstétricas de referência.

Rastreio e Diagnóstico

O rastreio de bacteriúria assintomática deve ser realizado entre as 12 e as 16 semanas de gestação através de urocultura. A DGS recomenda a repetição da urocultura no terceiro trimestre em grávidas com antecedentes de infeção urinária ou com fatores de risco. A urocultura é preferível à tira-teste urinária, que tem sensibilidade insuficiente para detetar bacteriúria assintomática.

Uma urocultura positiva (≥100.000 UFC/mL de um único microrganismo) na grávida assintomática requer tratamento antibiótico e urocultura de controlo 1-2 semanas após o término do antibiótico para confirmar erradicação. A Escherichia coli é responsável por 70-80% dos episódios, seguida do Streptococcus do grupo B, Klebsiella e Proteus.

Tratamento: Antibióticos Seguros na Gravidez

A escolha do antibiótico na gravidez é condicionada pela segurança fetal. Os antibióticos considerados seguros incluem: amoxicilina com ácido clavulânico, cefalosporinas (cefuroxima, cefalexina), nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre perto do termo) e fosfomicina. As fluoroquinolonas, as tetraciclinas e o cotrimoxazol (primeiro trimestre) são contraindicados na gravidez.

A duração do tratamento é geralmente de 3 a 7 dias para cistite e 7 a 14 dias para pielonefrite. A pielonefrite na grávida requer frequentemente internamento hospitalar para antibioterapia endovenosa, monitorização materna e fetal e hidratação. A SPOMMF recomenda que toda a grávida com pielonefrite seja seguida em contexto hospitalar até apirexia mantida e melhoria clínica.

Prevenção Durante a Gravidez

As medidas preventivas incluem: hidratação abundante (pelo menos 2 litros de água por dia), micção frequente e completa (não “aguentar” a vontade de urinar), micção pós-coital, higiene perineal adequada e tratamento da obstipação. A suplementação com arando ou D-manose pode ser considerada como medida complementar, embora a evidência na gravidez seja limitada.

Nas grávidas com bacteriúria assintomática recorrente ou infeção urinária sintomática de repetição, pode ser considerada profilaxia antibiótica para o restante da gravidez, em dose baixa, sob orientação obstétrica. O seguimento com uroculturas periódicas é essencial para garantir a erradicação e detetar recorrências precocemente.

Na Médico na Net, acompanhamos grávidas com queixas urinárias, requisitamos uroculturas de rastreio e controlo, prescrevemos antibióticos seguros na gravidez e orientamos sobre prevenção, com referenciação para obstetrícia quando necessário.

Homem em casa em consulta médica online para tratar infeção urinária

Perguntas frequentes (FAQ)

É frequente mas não deve ser considerado “normal”. As alterações da gravidez favorecem a infeção, mas esta deve ser sempre tratada para prevenir complicações maternas e fetais.

Sim, se não tratada. A infeção urinária na gravidez, especialmente a pielonefrite, está associada a parto pré-termo, baixo peso ao nascer e outras complicações. O tratamento adequado elimina estes riscos.

Sim. A bacteriúria assintomática na gravidez deve ser rastreada e tratada obrigatoriamente, pois evolui para pielonefrite em até 30% dos casos se não tratada.

Os antibióticos seguros na gravidez incluem amoxicilina com ácido clavulânico, cefalosporinas e fosfomicina. As fluoroquinolonas e as tetraciclinas são contraindicadas. A escolha deve ser sempre feita pelo médico.

Sim, na maioria dos casos. A cistite não complicada na gravidez pode ser avaliada e tratada por teleconsulta, com prescrição antibiótica e requisição de urocultura. Se houver febre ou dor lombar, é necessária avaliação presencial urgente.

Conclusão

A infeção urinária na gravidez é uma condição frequente com potenciais consequências graves se não detetada e tratada adequadamente. O rastreio universal de bacteriúria assintomática, o tratamento antibiótico adequado e o seguimento com uroculturas de controlo são medidas essenciais para proteger a saúde da mãe e do bebé.

Referências

Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF). Protocolo clínico

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Urinary tract infections in pregnancy

Direção-Geral da Saúde (DGS). Vigilância da gravidez

Cochrane Database. Antibiotics for asymptomatic bacteriuria in pregnancy

European Association of Urology (EAU). Guidelines

National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Antenatal care

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.