Introdução
Com a chegada da primavera, milhões de pessoas em Portugal sofrem com o agravamento dos sintomas alérgicos. A polinose — alergia ao pólen — é uma das formas mais comuns de alergia respiratória sazonal, causando rinite, conjuntivite e agravamento da asma. A Rede Portuguesa de Aerobiologia (RPA) monitoriza os níveis de pólen, e os dados mostram que as contagens têm aumentado nas últimas décadas, em parte devido às alterações climáticas.
Em Portugal, os pólenes com maior relevância alergénica são os das gramíneas (abril-julho), da oliveira (maio-junho) e da parietária (quase todo o ano no sul do país). A região do Alentejo e o interior centro registam as contagens mais elevadas. A SPAIC identifica estes pólenes como os principais responsáveis pela rinite e asma sazonais em Portugal.
Sintomas da Alergia ao Pólen
Os sintomas incluem espirros, comichão no nariz, palato e olhos, corrimento nasal aquoso, obstrução nasal, lacrimejo e olhos vermelhos. Em asmáticos, pode haver tosse, pieira e falta de ar. Os sintomas são mais intensos nos dias quentes, secos e ventosos, quando as contagens são mais elevadas. Segundo a European Respiratory Society (ERS), a polinose é causa frequente de absentismo escolar e laboral na primavera.
Muitos doentes confundem os sintomas com constipações repetidas, atrasando o diagnóstico correto. A recorrência sazonal — sempre na mesma época do ano — é a chave para suspeitar de alergia ao pólen.
Medidas de Evicção Polínica
Embora seja impossível evitar completamente a exposição, medidas práticas podem reduzi-la: consultar os boletins polínicos da RPA; limitar atividades ao ar livre nos dias de contagens elevadas; manter janelas fechadas de manhã e ao fim de tarde; usar óculos de sol; tomar banho e trocar de roupa ao chegar a casa; evitar secar roupa ao ar livre; usar filtros HEPA no automóvel.
A SPAIC recomenda a lavagem nasal com soro fisiológico para remover partículas de pólen da mucosa. Esta medida simples e económica pode complementar eficazmente o tratamento farmacológico.
Tratamento Farmacológico e Imunoterapia
O tratamento inclui anti-histamínicos orais, corticosteroides intranasais e colírios anti-histamínicos. A EAACI recomenda iniciar os corticosteroides nasais duas semanas antes do início previsto da época polínica para proteção mais eficaz. Nos asmáticos, pode ser necessário ajustar a terapêutica inalatória durante os meses de maior exposição.
A imunoterapia sublingual com pólenes de gramíneas é uma opção terapêutica com eficácia comprovada em ensaios clínicos de larga escala. Administrada diariamente durante 3-5 anos, reduz significativamente os sintomas e a necessidade de medicação, mesmo anos após a suspensão do tratamento.
Alterações Climáticas e o Futuro das Alergias
As alterações climáticas estão a prolongar as épocas polínicas e a aumentar as concentrações de pólen. Um estudo publicado na Lancet Planetary Health prevê que as contagens na Europa poderão aumentar até 40% até 2050. A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) alerta para este impacto na saúde respiratória.
Este cenário reforça a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado, bem como da investigação científica nesta área. A monitorização aerobiológica e os sistemas de alerta polínico tornam-se ferramentas cada vez mais relevantes para a gestão clínica dos doentes com polinose.
Na Médico na Net, avaliamos sintomas de alergia sazonal, orientamos sobre medidas de proteção e tratamento farmacológico, e referenciamos para imunoalergologia para avaliação de imunoterapia quando indicado.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando começa a época dos pólenes em Portugal?
A época principal é de março a julho, com picos variáveis: gramíneas entre abril e julho, oliveira entre maio e junho. No sul, a parietária pode causar sintomas quase todo o ano. A RPA disponibiliza boletins polínicos atualizados.
Posso fazer exercício ao ar livre na primavera?
Sim, mas com precauções. Prefira exercitar-se nas primeiras horas da manhã ou ao final do dia, quando as contagens são mais baixas. Evite dias muito quentes e ventosos. Tome banho imediatamente após o exercício.
Os filtros nasais são eficazes?
Os filtros nasais e as máscaras com filtro de partículas podem reduzir a inalação de pólen, sendo úteis durante atividades ao ar livre em dias de contagem elevada. São um complemento, não um substituto, do tratamento farmacológico.
A alergia ao pólen pode agravar a asma?
Sim, a exposição ao pólen é um dos fatores desencadeantes mais importantes de crises de asma sazonal. Doentes asmáticos com sensibilização a pólenes devem ajustar a terapêutica inalatória durante a época polínica.
Existe vacina contra a alergia ao pólen?
Sim, a imunoterapia específica (sublingual ou subcutânea) é frequentemente designada “vacina da alergia”. É o único tratamento que modifica a evolução natural da doença e pode ser administrada durante 3 a 5 anos.
Conclusão
A alergia ao pólen é uma condição sazonal muito prevalente em Portugal, com impacto crescente devido às alterações climáticas. A combinação de medidas de evicção, tratamento farmacológico adequado e imunoterapia quando indicada permite controlar eficazmente os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida durante a primavera.
Referências
Rede Portuguesa de Aerobiologia (RPA). Relatório de Monitorização Polínica
Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Polinose em Portugal
European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI). Seasonal Allergic Rhinitis Guidelines
European Respiratory Society (ERS). Impact of pollen allergy on quality of life
Ziska LH, et al. Temperature-related changes in airborne allergenic pollen
Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Alterações climáticas e saúde