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Apneia do sono: prevalência, consequências e tratamento

Introdução

A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por pausas repetidas na respiração durante o sono, provocadas pelo colapso parcial ou total das vias aéreas superiores. Estas interrupções levam a microdespertares frequentes, fragmentação do sono e diminuição da oxigenação sanguínea, resultando em sonolência diurna, fadiga e défice cognitivo.

Apesar de ser frequentemente subdiagnosticada, a apneia do sono é altamente prevalente. Uma meta-análise internacional estima que entre 9% e 38% da população adulta apresenta algum grau da doença, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados e da população estudada. Este elevado número traduz um problema de saúde pública com impacto significativo na saúde cardiovascular, metabólica e mental.

Prevalência e grupos de risco

Qual a dimensão do problema?

Estudos globais estimam que cerca de 936 milhões de adultos em todo o mundo sofrem de apneia do sono ligeira a grave, dos quais 425 milhões apresentam formas moderadas a severas. Em países ocidentais, a prevalência aumenta de forma consistente com a idade e o excesso de peso, tornando-se particularmente elevada após os 50 anos.

Na Europa, as estimativas variam entre 6% e 17%, enquanto em algumas populações asiáticas podem atingir 27%, reflectindo diferenças genéticas, anatómicas e ambientais.

Quem tem maior risco?

Os principais factores de risco para apneia do sono incluem:

  • Idade avançada
  • Sexo masculino
  • Obesidade e aumento da circunferência cervical
  • Consumo de álcool e tabaco
  • Alterações anatómicas craniofaciais
  • Obstrução nasal crónica

Após a menopausa, o risco nas mulheres aproxima-se progressivamente do observado nos homens, reduzindo a diferença entre géneros.

Sintomas e consequências

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas clássicos da apneia do sono incluem:

  • Ronco alto e persistente
  • Pausas respiratórias observadas por terceiros
  • Despertares nocturnos com sensação de sufoco
  • Sonolência diurna excessiva
  • Dificuldade de concentração e lapsos de memória
  • Irritabilidade e alterações do humor

Em crianças, a apneia do sono pode manifestar-se de forma diferente, com hiperactividade, dificuldades de aprendizagem e atraso de crescimento.

Porque é que a apneia do sono é perigosa?

A repetição de episódios de hipóxia e fragmentação do sono activa mecanismos inflamatórios e altera a regulação do sistema nervoso autónomo. A apneia do sono está associada a:

  • Hipertensão arterial resistente
  • Arritmias cardíacas
  • Insuficiência cardíaca
  • Acidente vascular cerebral
  • Diabetes tipo 2
  • Aumento da mortalidade cardiovascular

Além disso, a sonolência diurna aumenta significativamente o risco de acidentes rodoviários e laborais.

Diagnóstico e tratamento

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da apneia do sono baseia-se numa avaliação clínica detalhada e é confirmado através de polissonografia nocturna, exame que regista parâmetros respiratórios, neurológicos e cardíacos durante o sono. Em casos seleccionados, pode ser utilizada a poligrafia respiratória domiciliária.

Questionários de rastreio, como o STOP-Bang ou a Escala de Sonolência de Epworth, ajudam a identificar indivíduos com elevado risco, mas não substituem o estudo do sono.

Quais são as opções de tratamento?

O tratamento da apneia do sono depende da gravidade e das características individuais do doente:

  • CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas): tratamento de primeira linha na apneia moderada a grave
  • Perda de peso e exercício físico: fundamentais em casos associados à obesidade
  • Dispositivos intraorais: indicados em apneia ligeira ou intolerância ao CPAP
  • Cirurgia das vias aéreas superiores: opção em casos seleccionados com obstrução anatómica significativa

O acompanhamento por profissionais de medicina do sono é essencial para ajustar a estratégia terapêutica e melhorar a adesão.

Na Médico na Net, é possível agendar uma consulta médica online para avaliação de distúrbios do sono, incluindo a apneia do sono. Durante a consulta, profissionais de saúde analisam os sintomas, factores de risco e histórico clínico, orientando o doente quanto à necessidade de exames de sono, opções de tratamento e estratégias personalizadas para melhorar a qualidade do descanso. O acompanhamento é feito à distância, com confidencialidade e foco na redução dos riscos associados à apneia do sono.

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. O ronco isolado é comum, mas quando é alto, frequente e acompanhado de pausas respiratórias, pode indicar apneia do sono e deve ser avaliado.

Não. Embora a obesidade seja um factor importante, pessoas com peso normal também podem desenvolver apneia do sono devido a factores anatómicos ou envelhecimento.

No início pode causar estranheza, mas os dispositivos actuais são mais silenciosos e confortáveis. A maioria dos doentes adapta-se e relata melhoria significativa da qualidade de vida.

Sim. Em crianças, a causa mais comum é o aumento das amígdalas e adenoides. A avaliação por especialista é fundamental.

Em alguns casos, como perda de peso significativa ou cirurgia adequada, os sintomas podem desaparecer. Noutras situações, é uma condição crónica controlável com tratamento adequado.

Conclusão

A apneia do sono é um distúrbio altamente prevalente e subdiagnosticado, com impacto profundo na saúde cardiovascular, metabólica e na qualidade de vida. Reconhecer os sintomas, identificar factores de risco e procurar diagnóstico precoce são passos essenciais para reduzir complicações. O tratamento adequado, especialmente com CPAP e mudanças no estilo de vida, permite controlar a doença e melhorar de forma significativa o bem-estar físico e mental.

Referências

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.