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HPV e Cancro: Rastreio Cervical, Cancros Associados e Estratégia de Eliminação

Introdução

O vírus do papiloma humano (HPV) é responsável por aproximadamente 5 % de todos os cancros a nível mundial, incluindo praticamente 100 % dos cancros cervicais, 90 % dos cancros anais, 70 % dos cancros orofaríngeos e proporções significativas dos cancros vulvares, vaginais e penianos. A International Agency for Research on Cancer (IARC) classifica 12 genótipos de HPV como carcinogénios do Grupo 1.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 2020 a Estratégia Global para Eliminação do Cancro do Colo do Útero, com metas de 90 % de cobertura vacinal, 70 % de rastreio e 90 % de tratamento até 2030. Em Portugal, o Programa de Rastreio do Cancro do Colo do Útero e o Programa Nacional de Vacinação são os pilares desta estratégia.

Rastreio do Cancro Cervical

O rastreio cervical evoluiu da citologia convencional (Papanicolau) para o teste do vírus do papiloma humano de alto risco como método primário. O teste de HPV tem sensibilidade superior a 95 % para deteção de CIN2+ (lesão pré-cancerosa de alto grau), comparativamente a 53 a 73 % da citologia.

A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda o teste de HPV como rastreio primário a partir dos 30 anos, com intervalo de 5 anos se negativo. Mulheres entre 25 e 29 anos podem ser rastreadas com citologia a cada 3 anos. A genotipagem de vírus do papiloma humano 16/18 permite triagem imediata das mulheres com maior risco.

Em Portugal, o programa de rastreio organizado do cancro do colo do útero está a ser progressivamente implementado com base no teste deo vírus do papiloma humano, alinhando-se com as recomendações da European Commission Initiative on Cervical Cancer Screening. A cobertura do rastreio é ainda heterogénea entre regiões, sendo a equidade no acesso uma prioridade.

Cancros Associados ao HPV em Outros Locais

O cancro anal associado ao HPV é uma preocupação crescente, particularmente em HSH e pessoas com VIH. A incidência de cancro anal em HSH VIH-positivos é estimada em 80 por 100 000, comparável à incidência de cancro cervical antes da introdução do rastreio. O rastreio anal com citologia e/ou teste do vírus do papiloma humano está a ser implementado em centros especializados.

Os cancros orofaríngeos associados ao HPV (especialmente HPV 16) estão a aumentar nos países ocidentais, particularmente em homens. Ao contrário dos cancros orofaríngeos relacionados com tabaco e álcool, os tumores HPV-positivos apresentam melhor prognóstico. Atualmente não existe programa de rastreio orofaríngeo, embora a investigação esteja em curso.

Os cancros vulvar, vaginal e peniano associados ao vírus do papiloma humanosão menos frequentes mas clinicamente significativos. A European Society of Gynaecological Oncology (ESGO) integra o HPV na avaliação destas neoplasias. A vacinação abrangente (ambos os sexos) é a estratégia mais eficaz para reduzir a carga de todos os cancros associados aovírus do papiloma humano.

Estratégia de Eliminação

A estratégia da OMS para eliminação do cancro cervical como problema de saúde pública (definida como incidência inferior a 4 por 100 000 mulheres) assenta em três pilares: vacinação (90 % de raparigas vacinadas até aos 15 anos), rastreio (70 % das mulheres rastreadas com teste de alta performance aos 35 e 45 anos) e tratamento (90 % das mulheres com lesões pré-cancerosas ou cancro tratadas).

A modelação matemática publicada no The Lancet Oncology projeta que, com implementação plena destas medidas, a eliminação do cancro cervical pode ser alcançada na maioria dos países de alto rendimento até 2055-2070 e globalmente até 2120. A vacinação de uma geração pode reduzir a incidência em 89 % ao longo da vida.

Em Portugal, a DGS coordena os esforços de vacinação e rastreio, alinhando-os com as metas da OMS. O alargamento da vacinação a rapazes (desde 2020) e a transição para o teste de HPV como rastreio primário são marcos importantes na estratégia portuguesa de eliminação do cancro cervical.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece rastreio cervical com teste de HPV, avaliação de lesões pré-cancerosas e aconselhamento sobre vacinação, contribuindo para a prevenção dos cancros associados ao HPV.

Mulher a realizar consulta médica online no telemóvel com médica sobre HPV em videochamada

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. O rastreio cervical deteta lesões pré-cancerosas que podem ser tratadas antes de evoluírem para cancro. É uma das estratégias de prevenção de cancro mais eficazes disponíveis.

Sim, em termos de sensibilidade. O teste de HPV deteta mais lesões de alto grau que a citologia. Por isso, está a substituir progressivamente o Papanicolau como método primário de rastreio.

Não existe programa de rastreio universal de HPV para homens. Contudo, o rastreio anal pode ser considerado em HSH e pessoas com VIH. A vacinação é a medida preventiva mais eficaz nos homens.

Sim. A OMS considera que a eliminação é alcançável com vacinação abrangente e rastreio eficaz. Países como a Austrália estão a caminho de atingir esta meta nas próximas décadas.

Não. Um teste de HPV positivo significa que há infeção por HPV de alto risco, mas a maioria das infeções resolve espontaneamente. Exames adicionais (citologia, colposcopia) determinam se existem lesões que necessitam de tratamento.

Conclusão

O HPV é responsável por uma carga significativa de cancros preveníveis através de vacinação e rastreio. A transição para o teste de HPV como rastreio primário, a vacinação abrangente de ambos os sexos e o reconhecimento dos cancros associados ao HPV em múltiplos locais anatómicos são fundamentais para a estratégia global de eliminação do cancro cervical e redução da morbilidade associada ao HPV.

Referências

Global Strategy to Accelerate the Elimination of Cervical Cancer as a Public Health Problem — World Health Organization (WHO)

Impact of Scaled-Up Human Papillomavirus Vaccination and Cervical Screening and the Potential for Global Elimination of Cervical Cancer in 181 Countries — The Lancet Oncology

Consenso Nacional sobre Rastreio do Cancro do Colo do Útero — Sociedade Portuguesa de Ginecologia

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.