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Candidíase Vaginal: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

Introdução

A candidíase vaginal é uma das infeções ginecológicas mais frequentes, afetando cerca de 75 % das mulheres pelo menos uma vez ao longo da vida. A Candida albicans é responsável por 85 a 90 % dos casos de candidíase vulvovaginal, embora espécies não-albicans (C. glabrata, C. tropicalis, C. krusei) estejam a emergir com importância crescente.

Em Portugal, a candidíase vaginal é um dos motivos mais comuns de consulta ginecológica e nos cuidados de saúde primários. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 138 milhões de mulheres são afetadas anualmente por candidíase vulvovaginal recorrente, tornando esta condição um problema de saúde pública relevante com impacto significativo na qualidade de vida.

Sintomas da Candidíase Vaginal

Os sintomas característicos da candidíase vaginal incluem prurido vulvar intenso (o sintoma mais frequente e específico), ardor vaginal, dispareunia (dor durante as relações sexuais), disúria externa e corrimento vaginal branco, espesso, com aspeto de “requeijão”, sem odor fétido.

O prurido vulvar na candidíase vaginal é tipicamente intenso, podendo causar lesões de coceira (escoriações), eritema e edema vulvar. A intensidade dos sintomas pode variar de episódio para episódio e é frequentemente agravada na semana que precede a menstruação, devido às alterações hormonais que favorecem o crescimento de Candida.

A American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) alerta que o autodiagnóstico de candidíase vaginal é incorreto em até 50 % dos casos, pois os sintomas podem sobrepor-se aos de vaginose bacteriana, tricomoníase e dermatite de contacto. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda confirmação laboratorial antes do tratamento, especialmente em episódios recorrentes.

Diagnóstico da Candidíase Vaginal

O diagnóstico baseia-se na conjugação de sintomas clínicos, exame ginecológico e confirmação laboratorial. O exame ginecológico revela tipicamente eritema vulvar e vaginal, com corrimento branco aderente às paredes vaginais e pH vaginal normal (≤ 4,5).

O exame microscópico a fresco com KOH (hidróxido de potássio) a 10 % revela hifas ou pseudo-hifas em 40 a 60 % dos casos. A cultura em meio de Sabouraud é o gold standard para confirmação diagnóstica e identificação da espécie de Candida, sendo especialmente importante nos casos recorrentes para detetar espécies não-albicans.

Os testes de diagnóstico molecular (PCR) para Candida estão disponíveis em painéis multiplex de vaginite que detetam simultaneamente candidíase, vaginose bacteriana e tricomoníase. A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) recomenda cultura fúngica em todos os casos de candidíase vulvovaginal recorrente, para orientar a terapêutica de acordo com a espécie identificada e o perfil de sensibilidade aos antifúngicos.

Tratamento da Candidíase Vaginal

O tratamento da candidíase vaginal não complicada é eficaz com antifúngicos tópicos ou orais. O fluconazol 150 mg em dose única oral é o tratamento de primeira linha mais conveniente, com taxa de cura de 80 a 90 %. Alternativamente, os azóis tópicos (clotrimazol creme ou óvulos, miconazol) durante 1 a 7 dias são igualmente eficazes.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda fluconazol oral como tratamento preferido pela sua conveniência, reservando os azóis tópicos para mulheres que preferem tratamento local ou têm contraindicações ao fluconazol (gravidez, interações medicamentosas). Na gravidez, o tratamento tópico com clotrimazol durante 7 dias é o regime recomendado.

Para candidíase vaginal causada por espécies não-albicans, particularmente C. glabrata, o fluconazol pode ser ineficaz. Nestes casos, o tratamento com ácido bórico intravaginal 600 mg/dia durante 14 dias ou nistatina tópica são alternativas recomendadas pelo Infectious Diseases Society of America (IDSA). A identificação da espécie é portanto crucial para orientar o tratamento nos casos refratários de candidíase vaginal.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece diagnóstico preciso de candidíase vaginal, com identificação da espécie de Candida quando indicado e tratamento personalizado para cada caso.

Mulher em casa em consulta online sobre candidíase vaginal com médica no smartphone

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. A candidíase vaginal não é considerada uma infeção sexualmente transmissível. A Candida faz parte da flora normal de muitas mulheres e a infeção resulta do crescimento excessivo deste fungo por fatores como antibioterapia, diabetes ou alterações hormonais.

Geralmente não. O tratamento do parceiro masculino não é recomendado por rotina. Contudo, se o parceiro tiver balanite (inflamação do glande), pode necessitar de tratamento antifúngico tópico.

Sim. Os antibióticos alteram a flora vaginal normal, eliminando lactobacilos protetores e favorecendo o crescimento de Candida. A candidíase vaginal é um efeito secundário frequente da antibioterapia.

A evidência é limitada. Alguns estudos sugerem que probióticos com Lactobacillus podem ajudar a manter o equilíbrio da flora vaginal, mas não substituem o tratamento antifúngico quando a candidíase vaginal está instalada.

A candidíase vaginal é muito frequente na gravidez mas raramente causa complicações graves. O tratamento tópico com clotrimazol é seguro durante a gravidez. O fluconazol oral deve ser evitado no primeiro trimestre.

Conclusão

A candidíase vaginal é uma condição ginecológica extremamente comum com tratamento eficaz e acessível. O diagnóstico correto é fundamental para evitar tratamentos inadequados, especialmente quando os sintomas mimetizam outras condições. A identificação da espécie de Candida nos casos recorrentes permite uma abordagem terapêutica direcionada e mais eficaz.

Referências

Centers for Disease Control and Prevention. Vulvovaginal Candidiasis — STI Treatment Guidelines

British Association for Sexual Health and HIV. BASHH UK National Guideline on the Management of Vulvovaginal Candidiasis

Sociedade Portuguesa de Ginecologia. Consenso Nacional sobre Vaginites

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.