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Consulta do Viajante: Quando e Porquê Marcar

Introdução

Viajar para destinos tropicais ou com condições sanitárias diferentes exige preparação prévia. A consulta do viajante é uma consulta especializada que avalia riscos de saúde associados ao destino, recomenda vacinas e medidas preventivas, e prepara o viajante para lidar com problemas de saúde durante a viagem. O Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) e a Direção-Geral da Saúde (DGS) são as entidades de referência em Portugal.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que esta consulta do viajante seja realizada pelo menos 4 a 6 semanas antes da partida, para permitir a administração completa das vacinas necessárias. O planeamento antecipado é essencial: algumas vacinas requerem múltiplas doses e a proteção completa pode demorar semanas a ser alcançada.

Quem Deve Fazer a Consulta?

A consulta do viajante é recomendada a todos os viajantes para regiões tropicais ou subtropicais (África, Ásia, América Central e do Sul), bem como destinos com riscos específicos como malária, febre amarela, dengue ou cólera. É particularmente importante para crianças, grávidas, idosos, imunodeprimidos e viajantes com doenças crónicas.

A DGS recomenda também a consulta do viajante para quem pretende realizar atividades de risco acrescido: trekking em altitude, mergulho, voluntariado em zonas rurais ou visita a familiares em países endémicos. Mesmo destinos considerados “seguros” podem requerer precauções específicas consoante o tipo de viagem.

O Que Acontece na Consulta?

O médico recolhe informações sobre o itinerário completo — datas, regiões, tipo de alojamento e atividades. Revê o estado vacinal e verifica necessidade de atualizar vacinas do PNV ou administrar vacinas específicas. Avalia a necessidade de profilaxia da malária. Fornece conselhos sobre prevenção de doenças transmitidas por alimentos e água, proteção contra picadas de insetos, prevenção de DSTs e segurança rodoviária.

É também preparado um kit de viagem com medicamentos essenciais, adaptado ao destino e ao perfil do viajante. As condições médicas pré-existentes são avaliadas e é garantido que o viajante tem medicação suficiente para toda a viagem, com prescrição em Denominação Comum Internacional (DCI).

Onde Realizar a Consulta em Portugal?

A consulta do viajante está disponível nos centros de saúde, no IHMT em Lisboa, no INSA, e em hospitais e clínicas privadas. Algumas vacinas, como a da febre amarela, só podem ser administradas em centros de vacinação internacional autorizados. A DGS disponibiliza no portal uma lista atualizada de centros em todo o país.

O custo da consulta do viajante varia entre o setor público e privado. No SNS, a consulta é acessível mediante marcação prévia, embora os tempos de espera possam ser consideráveis nas épocas de maior procura (verão). Recomenda-se a marcação antecipada.

Depois da Viagem: Quando Procurar Ajuda

Após o regresso, é importante estar atento a febre, diarreia persistente, erupções cutâneas ou mal-estar geral, que podem surgir dias a semanas após a viagem. Qualquer febre até 3 meses após viagem a zona endémica de malária deve ser considerada malária até prova em contrário, segundo o CDC. Deve procurar-se atendimento urgente informando sobre o historial de viagem.

Outras condições que podem manifestar-se tardiamente incluem a esquistossomose (após contacto com águas doces em África), a tuberculose e infeções intestinais parasitárias. O acompanhamento pós-viagem é recomendado para viajantes com sintomas persistentes.

Na Médico na Net, oferecemos aconselhamento pré-viagem, verificação do estado vacinal, prescrição de profilaxia da malária e de medicação para o kit de viagem, e avaliação de sintomas pós-viagem, com referenciação para medicina tropical quando necessário.

Pessoa em casa a fazer consulta do viajante online através de videochamada

Perguntas frequentes (FAQ)

A época principal é de março a julho, com picos variáveis: gramíneas entre abril e julho, oliveira entre maio e junho. No sul, a parietária pode causar sintomas quase todo o ano. A RPA disponibiliza boletins polínicos atualizados.

Para viagens na União Europeia geralmente não é necessária consulta do viajante específica. Contudo, é importante verificar se o Cartão Europeu de Seguro de Doença está atualizado e se as vacinas do PNV estão em dia.

A consulta está disponível no SNS mediante pagamento de taxa moderadora, quando aplicável. As vacinas específicas para viajantes (exceto as do PNV) são pagas pelo viajante. Os preços variam consoante as vacinas necessárias.

A única vacina que pode ser exigida como requisito de entrada é a da febre amarela, para determinados países de África e América do Sul. A vacina antimeningocócica ACWY é obrigatória para peregrinos a Meca.

Sim, se o destino for uma zona de risco. Mesmo viagens curtas a regiões tropicais envolvem risco de doenças como malária, dengue ou diarreia do viajante. A duração da viagem não elimina o risco.

Conclusão

A consulta do viajante é uma ferramenta essencial de prevenção em saúde para quem viaja para destinos com riscos sanitários específicos. O planeamento antecipado, a vacinação adequada e a preparação para eventuais problemas de saúde são investimentos na segurança e no bem-estar durante a viagem.

Referências

Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT). Consulta do Viajante

Direção-Geral da Saúde (DGS). Saúde do Viajante — Recomendações

Organização Mundial da Saúde (OMS). International Travel and Health

Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Travelers’ Health — Yellow Book

European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Travel health advice

Steffen R, et al. Travel medicine — prevention based on evidence

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.