Introdução
O diagnóstico precoce e o diagnóstico e tratamento das ISTs são pilares fundamentais da saúde sexual e da saúde pública. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, anualmente, mais de 374 milhões de novas infeções por clamídia, gonorreia, sífilis e tricomoníase ocorrem globalmente.
Os avanços nos métodos de diagnóstico laboratorial, nomeadamente os testes de amplificação de ácidos nucleicos (TAAN/NAAT), revolucionaram a deteção das ISTs, permitindo diagnósticos mais rápidos e precisos. A abordagem terapêutica das infeções sexualmente transmissíveis deve ser orientada pelo agente causal e pela evidência científica mais recente, garantindo um diagnóstico e tratamento das ISTs adequados.
Métodos de Diagnóstico
O diagnóstico das infeções sexualmente transmissíveis baseia-se na história clínica sexual, no exame físico e em testes laboratoriais específicos. Estes procedimentos são fundamentais para um diagnóstico e tratamento das ISTs eficazes e baseados em evidência científica.
Os testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT) são o método de referência para deteção de clamídia e gonorreia, com sensibilidade superior a 95 %.
Os testes serológicos são utilizados para diagnóstico de sífilis, VIH, hepatite B e hepatite C. O algoritmo reverso de rastreio da sífilis, recomendado pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), utiliza testes treponémicos como rastreio inicial, seguidos de testes não treponémicos para confirmação.
Os testes rápidos point-of-care (POCT) permitem resultados em minutos para VIH e sífilis, facilitando o diagnóstico em contextos de difícil acesso. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) disponibiliza em Portugal a confirmação laboratorial de ISTs notificáveis e monitoriza padrões de resistência antimicrobiana, contribuindo para melhorar o diagnóstico e tratamento das ISTs a nível nacional.
Tratamento
O tratamento das infeções sexualmente transmissíveis bacterianas baseia-se em antibioterapia dirigida. A clamídia é tratada com azitromicina ou doxiciclina, enquanto a gonorreia requer atualmente tratamento com ceftriaxona intramuscular, devido à crescente resistência antimicrobiana documentada pela European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID).
As ISTs virais requerem abordagens distintas. O herpes genital é tratado com antivirais como aciclovir ou valaciclovir em regime supressivo ou episódico. A hepatite B crónica pode necessitar de tratamento antiviral prolongado. O VIH é tratado com terapêutica antirretroviral combinada.
A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) publica guidelines regularmente atualizadas para o tratamento das ISTs, adaptadas aos padrões de resistência europeus. A adesão ao tratamento completo e a abstenção sexual durante o período de tratamento são essenciais para o sucesso do diagnóstico e tratamento das ISTs e para a prevenção da transmissão.
Gestão de Parceiros e Seguimento
A notificação e tratamento de parceiros sexuais são componentes obrigatórias na gestão das infeções sexualmente transmissíveis. Parceiros sexuais dos últimos 60 dias (para clamídia e gonorreia) ou 90 dias (para sífilis) devem ser avaliados e tratados.
O seguimento laboratorial após tratamento é recomendado para confirmar a cura, especialmente em casos de gonorreia (teste de cura às 2 semanas) e sífilis (monitorização serológica aos 3, 6 e 12 meses). A reinfecção por ISTs é comum e sublinha a necessidade de rastreio repetido, reforçando a importância do diagnóstico e tratamento das ISTs de forma sistemática.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal estabelece normas para a notificação obrigatória de determinadas ISTs, contribuindo para a vigilância epidemiológica e para a melhoria do diagnóstico e tratamento das ISTs a nível nacional.
Na Médico na Net, a equipa clínica oferece diagnóstico rápido e tratamento personalizado de infeções sexualmente transmissíveis, incluindo aconselhamento sobre prevenção e gestão de parceiros.
Perguntas frequentes (FAQ)
Os testes de ISTs são dolorosos?
Não. A maioria dos testes para diagnóstico e tratamento das ISTs utiliza amostras de urina ou zaragatoas indolores. Os testes serológicos requerem apenas uma pequena amostra de sangue. O processo é rápido e confortável.
Quanto tempo demora a obter resultados?
Os testes rápidos para diagnóstico e tratamento das ISTs fornecem resultados em 15 a 30 minutos. Os testes NAAT para clamídia e gonorreia geralmente demoram 1 a 3 dias. Os resultados serológicos podem demorar até uma semana.
Posso ser tratado sem o meu parceiro saber?
O tratamento é confidencial. Contudo, a notificação de parceiros é clinicamente essencial para interromper a cadeia de transmissão das ISTs. Existem serviços de notificação anónima de parceiros em algumas unidades de saúde.
A resistência aos antibióticos afeta o tratamento das ISTs?
Sim. A gonorreia é particularmente afetada pela resistência antimicrobiana, com estirpes multirresistentes identificadas na Europa. Por isso, as guidelines de tratamento são regularmente atualizadas pelas sociedades médicas.
Devo repetir os testes após o tratamento?
Sim, em muitos casos. O teste de cura é recomendado especialmente para gonorreia e sífilis. Para clamídia, o reteste é aconselhado 3 meses após o tratamento para detetar possíveis reinfeções.
Conclusão
O diagnóstico laboratorial preciso e o tratamento baseado em evidência são fundamentais para o controlo das infeções sexualmente transmissíveis. Um diagnóstico e tratamento das ISTs adequados permitem reduzir complicações, prevenir reinfeções e melhorar os resultados em saúde pública.
A gestão adequada dos parceiros, o seguimento clínico e a vigilância da resistência antimicrobiana são componentes essenciais de uma abordagem eficaz das ISTs.
Referências
Centers for Disease Control and Prevention — Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines
British Association for Sexual Health and HIV — BASHH Guidelines for the Management of STIs
Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge — Vigilância Laboratorial das Infeções Sexualmente Transmissíveis