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Eczema Atópico: Causas, Sintomas e Tratamento

Introdução

O eczema atópico, também designado dermatite atópica, é uma doença inflamatória crónica da pele que afeta 15 a 20% das crianças e 2 a 5% dos adultos em Portugal, segundo a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). Caracteriza-se por pele seca, comichão intensa e erupções cutâneas recorrentes, com um impacto significativo na qualidade de vida dos doentes e das suas famílias.

O eczema atópico é uma doença de origem multifatorial, resultante da interação entre fatores genéticos, imunológicos e ambientais. A alteração da barreira cutânea, nomeadamente por mutações no gene da filagrina, desempenha um papel central na fisiopatologia da doença. A European Academy of Dermatology and Venereology (EADV) classifica-o como uma das doenças cutâneas com maior carga de doença a nível global, associando-se frequentemente a outras doenças atópicas como a asma e a rinite alérgica — a chamada “marcha atópica”.

Sintomas e Apresentação por Idade

Os sintomas variam conforme a idade. Nos bebés, as lesões surgem tipicamente na face e no couro cabeludo. Nas crianças mais velhas e adultos, as zonas mais afetadas são as pregas dos cotovelos e joelhos, o pescoço e as mãos. A pele apresenta-se seca, vermelha, com vesículas e descamação nas fases agudas, e espessada (liquenificada) nas fases crónicas.

A comichão é o sintoma cardinal e pode ser extremamente perturbadora, interferindo com o sono, a concentração e o desempenho diário. Segundo o British Journal of Dermatology, até 60% das crianças com eczema atópico moderado a grave apresentam perturbações significativas do sono, com impacto no rendimento escolar e no bem-estar familiar.

Fatores Desencadeantes

Diversos fatores podem desencadear ou agravar as crises: alérgenos ambientais (ácaros, pólenes, pelos de animais), irritantes (detergentes, sabões, lã), stress emocional, alterações climáticas (frio e baixa humidade), infeções cutâneas e sudação excessiva. A identificação e evicção dos fatores desencadeantes individuais é uma componente essencial do plano terapêutico.

A Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) recomenda a realização de testes alérgicos em doentes com eczema a grave para identificar alérgenos agravantes, embora a alergia nem sempre seja a causa principal das crises.

Tratamento: Da Hidratação à Terapêutica Biológica

O tratamento é escalonado conforme a gravidade. A base é a hidratação regular com emolientes, aplicados pelo menos duas vezes por dia, mesmo nas fases de remissão. Nas crises, utilizam-se corticosteroides tópicos de potência adaptada à localização e gravidade. Os inibidores da calcineurina tópicos (tacrolímus, pimecrolímus) são alternativas para zonas sensíveis como a face e pregas.

Para os casos moderados a graves que não respondem ao tratamento convencional, estão disponíveis terapêuticas sistémicas: a fototerapia com UVB de banda estreita, a ciclosporina, e os biológicos como o dupilumab (anticorpo monoclonal anti-IL-4/IL-13), aprovado pela European Medicines Agency (EMA) e pelo INFARMED para adultos e crianças a partir dos 6 meses. Os inibidores de JAK (baricitinib, upadacitinib, abrocitinib) representam a mais recente classe terapêutica aprovada.

Viver com Eczema Atópico

A gestão do eczema atópico vai além da medicação. A educação terapêutica do doente e da família, o suporte psicológico e a adesão a rotinas de cuidados da pele são fundamentais. Os banhos devem ser curtos (5-10 minutos), com água morna e produtos de limpeza suaves sem sabão (syndets). A roupa deve ser de algodão, evitando lã e fibras sintéticas.

A Associação Portuguesa de Dermatite Atópica (AAARDA) disponibiliza recursos e apoio para doentes e cuidadores. Com um plano de tratamento adequado e personalizado, é possível controlar a doença e minimizar o seu impacto no dia a dia.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação dermatológica de eczema e dermatites, orientação terapêutica personalizada, educação sobre cuidados da pele e referenciação para dermatologia ou imunoalergologia quando indicado.

Mulher em casa a realizar consulta médica por vídeo no portátil para avaliação de eczema atópico com médico dermatologista.

Perguntas frequentes (FAQ)

O eczema atópico é uma doença crónica sem cura definitiva, mas é controlável. Com tratamento adequado — hidratação regular, medicação quando necessária e evicção de fatores desencadeantes — a maioria dos doentes consegue ter longos períodos de remissão.

Sim, quando utilizados corretamente — na potência adequada, na duração indicada e sob orientação médica. O medo injustificado dos corticosteroides (“corticofobia”) é uma das principais causas de subtratamento do eczema.

As alergias alimentares podem coexistir com o eczema, sobretudo ao leite, ovo e frutos secos. No entanto, a eliminação de alimentos sem confirmação diagnóstica não é recomendada e pode ser prejudicial, especialmente nas crianças em crescimento.

Em cerca de 60 a 70% dos casos, o eczema atópico melhora significativamente ou resolve-se antes da adolescência. Contudo, aproximadamente 30% das crianças manterão sintomas na idade adulta.

Sim, desde que o banho seja curto (5-10 minutos), com água morna e produtos suaves sem sabão. O mais importante é aplicar emoliente imediatamente após o banho, com a pele ainda ligeiramente húmida.

Conclusão

O eczema atópico é uma doença crónica com impacto significativo na qualidade de vida, mas controlável com uma abordagem terapêutica adequada e personalizada. A hidratação regular, o tratamento escalonado das crises e a identificação dos fatores desencadeantes são as chaves para o controlo da doença. Os avanços recentes em terapêuticas biológicas oferecem novas esperanças para os casos mais graves.

Referências

Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). Dermatite Atópica — Recomendações

European Academy of Dermatology and Venereology (EADV). Guidelines on Atopic Eczema

Weidinger S, Novak N. Atopic dermatitis

Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Dermatite Atópica

European Medicines Agency (EMA). Dupilumab — Summary of Product Characteristics

Silverberg JI. Public health burden and epidemiology of atopic dermatitis

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.