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Agonistas do Recetor GLP-1: O Que São e Como Funcionam no Tratamento da Obesidade

Introdução

A obesidade é uma doença crónica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo e constitui um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI. Em Portugal, segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, cerca de 1,5 milhões de adultos vivem com obesidade. Nos últimos anos, o desenvolvimento de medicamentos injetáveis baseados em agonistas do recetor GLP-1 (péptido semelhante ao glucagon tipo 1) representou uma verdadeira revolução no tratamento farmacológico do excesso de peso. Estes fármacos, administrados por via subcutânea através de canetas auto-injetáveis, oferecem resultados significativos quando combinados com alterações no estilo de vida.

O Que São os Agonistas GLP-1?

O GLP-1 é uma hormona produzida naturalmente pelo intestino após as refeições. A sua função principal é estimular a secreção de insulina, reduzir a produção de glucagon e, de forma muito relevante, atuar a nível cerebral nos centros de saciedade. Os agonistas do recetor GLP-1 são versões sintéticas desta hormona, desenhadas para terem uma ação mais prolongada no organismo. Quando administrados, estes fármacos mimetizam a ação do GLP-1 endógeno, mas com uma semivida muito superior, permitindo administrações semanais na maioria dos casos.

Mecanismo de Ação na Perda de Peso

O efeito de perda de peso dos agonistas GLP-1 resulta de múltiplos mecanismos. Em primeiro lugar, atuam no hipotálamo e noutras regiões cerebrais, reduzindo significativamente o apetite e a sensação de fome. Em segundo lugar, atrasam o esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade após as refeições. De acordo com uma revisão publicada no The New England Journal of Medicine (2022), os agonistas GLP-1 de última geração podem levar a perdas de peso médias entre 15% e 20% do peso corporal inicial em ensaios clínicos de fase III. A Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) reconheceu em 2023 o papel destes fármacos não apenas na perda de peso, mas também na redução do risco cardiovascular associado à obesidade.

Forma de Administração

Estes medicamentos são administrados por injeção subcutânea, habitualmente na região abdominal, coxa ou parte superior do braço. As canetas auto-injetáveis são pré-carregadas e descartáveis, com agulhas ultrafinas que tornam o procedimento praticamente indolor. A frequência de administração varia consoante o fármaco específico, mas as formulações mais recentes permitem uma única injeção semanal. É fundamental que o tratamento seja iniciado com doses baixas, com aumento gradual ao longo de várias semanas, para minimizar efeitos secundários gastrointestinais.

Importância do Acompanhamento Médico

A Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO) recomendam que estes tratamentos sejam sempre prescritos e monitorizados por um médico. O acompanhamento regular permite ajustar doses, gerir efeitos secundários e garantir que o tratamento é combinado com um plano alimentar adequado e exercício físico. Estes fármacos não são cosméticos — são medicamentos indicados para pessoas com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30, ou igual ou superior a 27 na presença de comorbilidades como diabetes tipo 2, hipertensão arterial ou dislipidemia.

Homem em casa a realizar teleconsulta médica por smartphone sobre tratamento com GLP-1

Conclusão

Os agonistas do recetor GLP-1 representam um avanço significativo no tratamento da obesidade, oferecendo uma ferramenta eficaz para quem luta contra o excesso de peso. No entanto, o seu sucesso depende de uma abordagem integrada que inclua mudanças comportamentais e acompanhamento médico contínuo.

Referências

Wilding JPH et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity

Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC). Guidelines on Cardiovascular Disease Prevention

Direção-Geral da Saúde (DGS). Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável

Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO). Recomendações para o Tratamento da Obesidade

Müller TD et al. GLP-1 receptor agonists in obesity treatment

Este artigo tem fins informativos e não substitui o aconselhamento médico profissional.
Consulte sempre o seu médico antes de iniciar qualquer tratamento

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.