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Infeção Urinária na Gravidez: Rastreio, Riscos e Tratamento Seguro

Introdução

A infeção urinária é a infeção bacteriana mais frequente durante a gravidez, afetando 2 a 10 % das grávidas. As alterações fisiológicas da gravidez — dilatação ureteral, aumento do volume residual vesical, estase urinária e alterações do pH urinário — aumentam significativamente a suscetibilidade a infeções do trato urinário.

A importância clínica da infeção urinária na gravidez é acrescida pelo risco de progressão para pielonefrite (20 a 40 % dos casos de bacteriúria assintomática não tratada) e pelas complicações obstétricas associadas, incluindo parto pré-termo, baixo peso ao nascer e pré-eclâmpsia. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomendam o rastreio universal de bacteriúria assintomática no primeiro trimestre da gravidez.

Bacteriúria Assintomática na Gravidez

A bacteriúria assintomática (BA) é definida pela presença de ≥10^5 UFC/mL de um uropatogénio em duas uroculturas consecutivas, na ausência de sintomas urinários. Na gravidez, a BA afeta 2 a 7 % das grávidas e, se não tratada, progride para pielonefrite em 20 a 40 % dos casos — uma taxa muito superior à observada em mulheres não grávidas.

O rastreio universal de BA é recomendado entre as 12 e as 16 semanas de gestação mediante urocultura. A tira-teste urinária não é suficiente para rastreio na gravidez, dado a sua sensibilidade insuficiente para detetar BA. O tratamento da BA na gravidez reduz o risco de pielonefrite em 70 a 80 % e pode reduzir o risco de parto pré-termo.

O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) e a European Association of Urology (EAU) confirmam que a BA na gravidez é uma das poucas situações em que o tratamento de bacteriúria assintomática é mandatório. Os antibióticos recomendados para BA na gravidez incluem amoxicilina (se sensível), cefalexina, nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre) e fosfomicina. O tratamento deve ser guiado pelo antibiograma, com urocultura de controlo 1 a 2 semanas após o término.

Cistite e Pielonefrite na Gravidez

A cistite sintomática na gravidez apresenta os sintomas clássicos de disúria, polaquiúria e urgência. O tratamento é semelhante ao da BA, com antibioterapia orientada pelo antibiograma durante 3 a 7 dias. A fosfomicina 3 g em dose única é uma opção conveniente e eficaz. As fluoroquinolonas e o trimetoprim estão contraindicados na gravidez.

A pielonefrite na gravidez é uma emergência médica que requer hospitalização na maioria dos casos. Manifesta-se com febre elevada, dor lombar, calafrios e pode complicar-se com sépsis, insuficiência renal aguda, síndrome de dificuldade respiratória do adulto e ameaça de parto pré-termo. A incidência é de 1 a 2 % de todas as gestações, sendo mais frequente no segundo e terceiro trimestres.

O tratamento da pielonefrite na gravidez inicia-se com antibioterapia intravenosa (ceftriaxona ou ampicilina-gentamicina), com transição para via oral após 24 a 48 horas de apirexia. O ACOG recomenda profilaxia antibiótica noturna para o restante da gravidez após um episódio de pielonefrite, para prevenir recorrências. A monitorização fetal durante a pielonefrite é essencial dado o risco de trabalho de parto prematuro.

Prevenção e Seguimento

A prevenção da infeção urinária na gravidez inclui hidratação adequada (pelo menos 2 litros de água por dia), micção frequente sem reter urina, higiene perineal de frente para trás, micção pós-coital e uso de roupa interior de algodão. O arando (cranberry) pode ser utilizado como complemento preventivo na gravidez, sendo considerado seguro.

O seguimento com uroculturas mensais é recomendado após um episódio de infeção urinária na gravidez, para detetar recorrências precocemente. As grávidas com BA tratada devem realizar urocultura de controlo para confirmar a erradicação e nova urocultura mensal até ao parto.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) integra o rastreio de bacteriúria assintomática no protocolo nacional de vigilância pré-natal, com urocultura no primeiro trimestre como exame obrigatório. O reconhecimento dos sinais de alerta de pielonefrite (febre, dor lombar, calafrios) por parte da grávida é fundamental para procura de cuidados médicos atempada.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece acompanhamento especializado de infeção urinária na gravidez, com rastreio, tratamento seguro e seguimento para proteção da saúde materna e fetal.

Mulher em casa realizando consulta médica por vídeo no notebook para tratar sintomas de infeção urinária de forma rápida e segura.

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. O rastreio de bacteriúria assintomática com urocultura no primeiro trimestre é recomendado por todas as guidelines internacionais e faz parte do protocolo de vigilância pré-natal em Portugal.

Amoxicilina, cefalexina, fosfomicina e nitrofurantoína (exceto no terceiro trimestre) são considerados seguros. Fluoroquinolonas e trimetoprim devem ser evitados. A escolha deve ser guiada pelo antibiograma.

Sim. A pielonefrite está associada a risco aumentado de parto pré-termo. A bacteriúria assintomática não tratada também aumenta este risco. O tratamento precoce reduz significativamente estas complicações.

Sim. O arando é considerado seguro durante a gravidez e pode ajudar na prevenção da infeção urinária como complemento da hidratação adequada e outras medidas preventivas.

Uma única infeção urinária tratada adequadamente não é motivo de alarme. Contudo, deve fazer urocultura de controlo e manter vigilância com uroculturas mensais até ao parto para detetar recorrências.

Conclusão

A infeção urinária na gravidez é uma condição frequente com potenciais consequências graves para a mãe e o feto. O rastreio universal de bacteriúria assintomática, o tratamento antibiótico seguro e atempado, e o seguimento com uroculturas regulares são fundamentais para prevenir complicações como a pielonefrite e o parto pré-termo. A vigilância pré-natal rigorosa inclui necessariamente a monitorização da saúde urinária da grávida.

Referências

American College of Obstetricians and Gynecologists. Urinary Tract Infections in Pregnant Individuals

Direção-Geral da Saúde. Vigilância Pré-Natal e Revisão do Puerpério

European Association of Urology. EAU Guidelines — UTI in Pregnancy

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.