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Infeção Urinária: Sintomas, Causas e Diagnóstico

Introdução

A infeção do trato urinário (ITU) é uma das infeções bacterianas mais comuns, afetando anualmente milhões de pessoas em todo o mundo. Cerca de 50 a 60 % das mulheres terão pelo menos uma infeção urinária ao longo da vida, sendo que 20 a 30 % destas sofrerão recorrências. A infeção urinária é significativamente mais frequente nas mulheres do que nos homens, devido a diferenças anatómicas na uretra feminina.

Em Portugal, as infeções urinárias são um dos principais motivos de consulta nos cuidados de saúde primários e uma causa frequente de prescrição de antibióticos. A Direção-Geral da Saúde (DGS) e a European Association of Urology (EAU) publicam orientações para o diagnóstico e tratamento das infeções urinárias, promovendo o uso racional de antibióticos face à crescente resistência antimicrobiana.

Sintomas da Infeção Urinária

Os sintomas clássicos da cistite (infeção urinária baixa) incluem disúria (dor ou ardor ao urinar), polaquiúria (aumento da frequência urinária), urgência miccional, dor suprapúbica e, por vezes, hematúria (sangue na urina). A urina pode apresentar aspeto turvo e odor forte. Estes sintomas, quando presentes em mulheres jovens sem comorbilidades, têm valor preditivo positivo superior a 90 % para infeção urinária.

A pielonefrite (infeção urinária alta, atingindo o rim) manifesta-se com febre elevada (>38°C), dor lombar unilateral, calafrios, náuseas e vómitos, frequentemente acompanhados de sintomas de cistite. A pielonefrite é uma condição mais grave que requer tratamento antibiótico mais prolongado e, em alguns casos, hospitalização.

A infeção urinária nos homens é menos frequente mas clinicamente mais significativa, podendo indicar anomalias urológicas subjacentes. Nos idosos, a infeção urinária pode apresentar-se de forma atípica, com confusão mental, deterioração funcional ou agravamento de condições crónicas, sem os sintomas urinários clássicos. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) alerta para a importância de considerar infeção urinária no diagnóstico diferencial de confusão aguda nos idosos.

Causas e Fatores de Risco

A Escherichia coli uropatogénica é responsável por 75 a 90 % das infeções urinárias não complicadas. Outros agentes incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis, Staphylococcus saprophyticus (em mulheres jovens) e Enterococcus faecalis. Os fatores de virulência bacterianos, como as fímbrias tipo P, permitem a adesão às células uroepiteliais e a colonização do trato urinário.

Os fatores de risco para infeção urinária na mulher incluem a atividade sexual recente (o fator de risco mais forte em mulheres jovens), uso de espermicidas e diafragma, história prévia de infeção urinária, menopausa (por atrofia vaginal e alteração da flora), diabetes mellitus e malformações do trato urinário. A gravidez é um fator de risco importante, com a bacteriúria assintomática devendo ser rastreada e tratada para prevenir pielonefrite.

A European Association of Urology (EAU) classifica as infeções urinárias como não complicadas (em mulheres saudáveis não grávidas) ou complicadas (na presença de anomalias estruturais, cateteres, imunossupressão, gravidez ou no sexo masculino). Esta classificação orienta a escolha e duração do tratamento antibiótico.

Diagnóstico da Infeção Urinária

O diagnóstico da cistite não complicada em mulheres jovens pode ser baseado na clínica quando os sintomas são típicos. A tira-teste urinária (dipstick) é útil como auxílio diagnóstico: a presença de nitritos e esterase leucocitária tem sensibilidade de 75 % e especificidade de 82 % para infeção urinária.

A urocultura com antibiograma é recomendada em: infeções recorrentes, falência do tratamento empírico, suspeita de pielonefrite, infeções complicadas, gravidez e nos homens. Considera-se significativa uma contagem igual ou superior a 10^5 UFC/mL de um uropatogénio, embora contagens inferiores possam ser relevantes em doentes sintomáticos.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda a colheita de urina do jato médio, após higiene genital, para minimizar a contaminação. Em Portugal, a monitorização dos padrões de resistência local é fundamental para orientar a terapêutica empírica. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) publica dados de vigilância de resistências antimicrobianas que informam as orientações nacionais.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece diagnóstico rápido de infeção urinária, prescrição de antibioterapia adequada e orientação para investigação complementar quando indicado.

Mulher em casa a realizar consulta médica por vídeo no computador para tratar sintomas de infeção urinária de forma prática e segura

Perguntas frequentes (FAQ)

Não. A infeção urinária não se transmite de pessoa para pessoa. Resulta da ascensão de bactérias da flora intestinal ou vaginal para o trato urinário.

A atividade sexual é um fator de risco importante, pois facilita a introdução de bactérias na uretra. Urinar após as relações sexuais pode ajudar a reduzir o risco.

Não necessariamente. Em cistites não complicadas em mulheres jovens, o tratamento empírico é aceitável. A urocultura é recomendada em infeções recorrentes, complicadas, durante a gravidez e nos homens.

Sim. A infeção urinária na gravidez, mesmo assintomática, pode evoluir para pielonefrite e está associada a parto pré-termo. O rastreio de bacteriúria assintomática é obrigatório no primeiro trimestre.

Sim, embora seja menos frequente. Nos homens, a infeção pode indicar anomalias urológicas (próstata aumentada, cálculos) e merece investigação mais aprofundada.

Conclusão

A infeção urinária é uma das infeções mais frequentes na prática clínica, com sintomas característicos que facilitam o diagnóstico. A distinção entre cistite não complicada e infeções complicadas é fundamental para orientar o tratamento adequado. O conhecimento dos fatores de risco permite implementar medidas preventivas e a urocultura é essencial nos casos recorrentes ou complicados para garantir antibioterapia dirigida.

Referências

European Association of Urology. EAU Guidelines on Urological Infections

National Institute for Health and Care Excellence. Urinary tract infections in adults

Direção-Geral da Saúde. Terapêutica de Infeções do Aparelho Urinário (Comunidade)

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.