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Pelos Faciais nas Mulheres: Causas, Hirsutismo e Diagnóstico

Introdução

O crescimento excessivo de pelos faciais nas mulheres — clinicamente denominado hirsutismo quando segue um padrão de distribuição masculino — é uma queixa frequente que afeta 5 a 10 % das mulheres em idade reprodutiva. O hirsutismo é definido como o crescimento de pelo terminal grosso e pigmentado em áreas androgénio-dependentes (face, peito, abdómen, costas) nas mulheres.

O hirsutismo facial é a manifestação mais visível e que maior impacto psicológico causa, motivando frequentemente a procura de ajuda médica. A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo reconhece o hirsutismo como um sinal clínico que merece avaliação etiológica cuidadosa, pois pode ser a manifestação de condições endócrinas subjacentes, sendo a mais frequente o síndrome do ovário poliquístico (SOP).

Causas do Hirsutismo e Pelos Faciais Excessivos

O síndrome do ovário poliquístico (SOP) é a causa mais frequente de hirsutismo, responsável por 70 a 80 % dos casos. O SOP caracteriza-se pela produção excessiva de androgénios pelos ovários, causando não apenas hirsutismo facial e corporal, mas também acne, alopecia androgénica, irregularidade menstrual e resistência à insulina. Os critérios de Rotterdam, recomendados pela European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE), definem o SOP pela presença de pelo menos 2 de 3 critérios: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e ovários poliquísticos na ecografia.

O hirsutismo idiopático é a segunda causa mais frequente, representando 5 a 20 % dos casos. Nestas mulheres, os níveis de androgénios são normais, mas existe sensibilidade aumentada dos folículos pilosos aos androgénios circulantes, devido a maior atividade da enzima 5-alfa-redutase na pele.

Causas menos frequentes incluem hiperplasia congénita da suprarrenal de início tardio (forma não clássica), tumores secretores de androgénios (ováricos ou suprarrenais), síndrome de Cushing, hiperprolactinemia e medicamentos (corticosteroides, danazol, minoxidil, ciclosporina). A Endocrine Society recomenda a exclusão de causas graves, especialmente quando o hirsutismo é de início rápido, grave ou acompanhado de virilização (engrossamento da voz, clitoromegalia, alopecia temporal).

Avaliação e Diagnóstico

A avaliação do hirsutismo começa com a quantificação clínica utilizando a escala de Ferriman-Gallwey modificada, que pontua o crescimento de pelo em 9 áreas corporais. Uma pontuação igual ou superior a 8 é geralmente considerada diagnóstica de hirsutismo, embora este limiar varie consoante a etnia e a população estudada.

A investigação laboratorial deve incluir: testosterona total e livre, sulfato de dehidroepiandrosterona (DHEA-S), 17-hidroxiprogesterona (para excluir hiperplasia congénita da suprarrenal), prolactina e hormonas tiroideias. A ecografia pélvica é indicada para avaliação de morfologia ovárica quando se suspeita de SOP.

A Endocrine Society e a European Academy of Dermatology and Venereology (EADV) recomendam que o diagnóstico de hirsutismo idiopático seja feito por exclusão, após demonstração de ciclos menstruais regulares, níveis de androgénios normais e ecografia ovárica sem alterações. A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal integra a avaliação do hirsutismo nas orientações para os cuidados de saúde primários, com referenciação a endocrinologia ou ginecologia quando indicado.

Impacto Psicológico e Qualidade de Vida

O hirsutismo facial tem impacto psicológico profundo, frequentemente subestimado na prática clínica. Estudos publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism demonstram que mulheres com hirsutismo reportam níveis significativamente mais elevados de ansiedade, depressão, insatisfação corporal e evicção social comparativamente a mulheres sem hirsutismo.

O impacto psicológico do hirsutismo facial é muitas vezes desproporcional à gravidade clínica. Mesmo graus ligeiros de pelo facial podem causar sofrimento significativo, afetando a autoestima, as relações interpessoais e a vida profissional. A pressão social e cultural sobre a aparência feminina agrava esta experiência.

A avaliação da qualidade de vida deve fazer parte integrante da abordagem do hirsutismo. A European Society of Endocrinology recomenda que o tratamento seja oferecido a todas as mulheres com hirsutismo que expressem preocupação, independentemente do grau clínico, reconhecendo que a perceção subjetiva do problema é tão importante como a medição objetiva na decisão terapêutica.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece avaliação completa de hirsutismo e pelos faciais excessivos, com investigação das causas subjacentes e plano terapêutico personalizado.

Mulher em casa em consulta online sobre pelos faciais com médica no portátil

Perguntas frequentes (FAQ)

Alguns pelos faciais finos são normais em todas as mulheres. Contudo, o crescimento de pelo grosso e escuro no queixo, buço e maxilares pode indicar hirsutismo e justifica avaliação médica para investigar a causa.

A avaliação inicial inclui testosterona total e livre, DHEA-S, 17-hidroxiprogesterona, prolactina e hormonas tiroideias. A ecografia pélvica pode ser necessária para avaliar os ovários.

A avaliação inicial inclui testosterona total e livre, DHEA-S, 17-hidroxiprogesterona, prolactina e hormonas tiroideias. A ecografia pélvica pode ser necessária para avaliar os ovários.

Em muitas mulheres, os pelos faciais aumentam após a menopausa devido à diminuição dos estrogénios com manutenção relativa dos androgénios. Esta forma de hirsutismo pós-menopáusico é geralmente ligeira.

Não. A remoção mecânica dos pelos faciais(pinça, cera, threading) não estimula o crescimento de novos pelos nem agrava o hirsutismo. Contudo, a depilação não trata a causa subjacente.

Conclusão

Os pelos faciais excessivos nas mulheres merecem avaliação médica cuidadosa para identificar causas tratáveis, sendo o síndrome do ovário poliquístico a etiologia mais frequente. A investigação laboratorial e a exclusão de causas graves são essenciais. O reconhecimento do impacto psicológico significativo do hirsutismo facial é fundamental para uma abordagem terapêutica empática e eficaz.

Referências

The Endocrine Society. Evaluation and Treatment of Hirsutism in Premenopausal Women: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline

European Society of Human Reproduction and Embryology / American Society for Reproductive Medicine. International Evidence-based Guideline for Polycystic Ovary Syndrome

Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo. Orientações para o Diagnóstico de Hiperandrogenismo

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.