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Clamídia: Sintomas, Diagnóstico e Complicações

Introdução

A clamídia é a infeção sexualmente transmissível (IST) bacteriana mais frequente na Europa, com mais de 216 000 casos notificados anualmente segundo o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC). Em Portugal, os dados epidemiológicos indicam um aumento progressivo das notificações de clamídia, embora a subnotificação continue a ser um desafio.

A infeção por Chlamydia trachomatis é frequentemente assintomática, o que a torna particularmente perigosa pela sua capacidade de propagação silenciosa e pelo risco de complicações reprodutivas quando não tratada. Por este motivo, reconhecer precocemente os sintomas da clamídia e recorrer ao rastreio adequado é fundamental. O rastreio ativo e o diagnóstico precoce da clamídia são essenciais para prevenir sequelas a longo prazo.

Sintomas da Clamídia

A clamídia é assintomática em aproximadamente 70 % das mulheres e 50 % dos homens infetados. Quando presentes, os sintomas da clamídia surgem habitualmente 1 a 3 semanas após a exposição.

Nos homens, os sintomas da clamídia podem incluir corrimento uretral mucopurulento, disúria (dor ou ardor ao urinar) e, em casos de epididimite, dor e edema testicular. Nas mulheres, os sintomas da clamídia incluem corrimento vaginal anormal, disúria, hemorragia intermenstrual e dor pélvica.

A clamídia pode também afetar o recto (proctite), a orofaringe (geralmente assintomática) e os olhos (conjuntivite). A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) destaca que a ausência de sintomas não exclui a infeção por clamídia, reforçando a importância do rastreio, mesmo quando os sintomas da clamídia não estão presentes.

Diagnóstico

O diagnóstico da clamídia baseia-se nos testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT), que são o método de referência pela sua elevada sensibilidade e especificidade. Estes testes permitem confirmar a infeção mesmo em pessoas que não apresentam sintomas da clamídia.

As amostras podem ser obtidas por zaragatoa endocervical, uretral, retal ou orofaríngea, ou por amostra de urina de primeiro jato.

O rastreio oportunístico da clamídia é recomendado pelo National Chlamydia Screening Programme (NCSP) do Reino Unido para todos os jovens sexualmente ativos com menos de 25 anos. O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) recomenda igualmente rastreio anual em mulheres jovens.

A autoamostragem (self-sampling) é uma estratégia validada que aumenta a adesão ao rastreio da clamídia, permitindo ao utente recolher a sua própria amostra em casa ou em locais acessíveis, com posterior envio para laboratório, especialmente em pessoas sem sintomas da clamídia.

Complicações

As complicações da clamídia não tratada são significativas, especialmente no aparelho reprodutor feminino. A doença inflamatória pélvica (DIP) ocorre em 10 a 15 % das mulheres com clamídia não tratada, podendo causar dor pélvica crónica, gravidez ectópica e infertilidade tubária.

Nos homens, a clamídia pode causar epididimite e, raramente, comprometimento da fertilidade. Em muitos casos, estas complicações surgem porque os sintomas da clamídia foram ligeiros ou inexistentes e a infeção permaneceu sem diagnóstico.

A artrite reativa (síndrome de Reiter) é uma complicação sistémica possível da infeção por clamídia, manifestando-se por artrite, uretrite e conjuntivite.

A transmissão vertical durante o parto pode causar conjuntivite neonatal e pneumonia no recém-nascido. A Sociedade Portuguesa de Ginecologia recomenda rastreio de clamídia durante a gravidez para prevenir estas complicações perinatais.

Na Médico na Net, a equipa clínica disponibiliza rastreio e diagnóstico rápido de clamídia, com tratamento personalizado e aconselhamento sobre prevenção de reinfeções, especialmente em pessoas que apresentam sintomas da clamídia ou fatores de risco.

Homem realizando teleconsulta médica para discutir sintomas da clamídia, com doutora sorridente na tela do laptop, destacando atendimento remoto confidencial e acessível

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A clamídia é curável com antibioterapia adequada. O tratamento recomendado inclui doxiciclina durante 7 dias ou azitromicina em dose única. A adesão ao tratamento completo é essencial para garantir a cura, mesmo quando os sintomas da clamídia desaparecem rapidamente.

Sim. A infeção por clamídia não confere imunidade duradoura. A reinfeção é frequente, especialmente se os parceiros sexuais não forem tratados simultaneamente. O reteste 3 meses após o tratamento é recomendado.

Sim. A clamídia não tratada pode causar doença inflamatória pélvica e danos nas trompas de Falópio, levando a infertilidade. O diagnóstico e tratamento precoces são essenciais, sobretudo quando surgem sintomas da clamídia.

Sim. Como os sintomas da clamídia podem estar ausentes, o rastreio regular é a forma mais eficaz de detetar a infeção. É especialmente recomendado para jovens sexualmente ativos e a cada mudança de parceiro.

Sim. Todos os parceiros sexuais dos últimos 60 dias devem ser avaliados e tratados para clamídia, mesmo sem sintomas. Isto previne a reinfeção e interrompe a cadeia de transmissão.

Conclusão

A clamídia é a IST bacteriana mais prevalente na Europa e frequentemente assintomática, tornando o rastreio ativo indispensável. Reconhecer os sintomas da clamídia, realizar testes de diagnóstico adequados e iniciar tratamento atempado são passos essenciais para prevenir complicações graves, incluindo infertilidade, e controlar a propagação da infeção.

Referências

European Centre for Disease Prevention and Control.
Chlamydia infection — Annual Epidemiological Report.

British Association for Sexual Health and HIV.
BASHH Guidelines on Chlamydia trachomatis.

Centers for Disease Control and Prevention.
ChlamydiaSTI Treatment Guidelines.

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.