Saúde online, sem esperas

Iniciar sessão

Saúde Simples, para Todos

Iniciar sessão

Encontrar artigos

Marque a sua consulta

Newsletter

Entenda o seu corpo e a sua mente com os nossos especialistas

Medicina, psicologia e nutrição unidas pela sua saúde, explicadas por quem sabe cuidar de si

Últimos artigos

VIH: Sintomas, Diagnóstico e Fases da Infeção

Introdução

O vírus da imunodeficiência humana (VIH) é o agente causal da síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA), uma das pandemias mais devastadoras da história recente. A ONUSIDA estima que 39,9 milhões de pessoas viviam com VIH em 2023 globalmente, com 1,3 milhões de novas infeções nesse ano.

Em Portugal, o Programa Nacional para a Infeção VIH, SIDA e Tuberculose da Direção-Geral da Saúde (DGS) reporta aproximadamente 800 a 1000 novos diagnósticos anuais. O diagnóstico precoce do VIH é fundamental para o início atempado da terapêutica antirretroviral, a preservação da função imunológica e a prevenção da transmissão a terceiros, sobretudo quando surgem sintomas de VIH que motivam a realização do teste.

Fases da Infeção por VIH

A infeção por VIH progride através de três fases distintas. A fase aguda (síndrome retroviral aguda) ocorre 2 a 4 semanas após a infeção, manifestando-se em 50 a 90 % dos casos com sintomas de VIH inespecíficos semelhantes a uma síndrome gripal: febre, fadiga, linfadenopatia generalizada, faringite, exantema maculopapular e mialgias.

A fase de latência clínica (infeção crónica assintomática) pode durar 8 a 10 anos sem tratamento, durante os quais o VIH continua a replicar-se e a destruir progressivamente os linfócitos T CD4+. O doente permanece geralmente assintomático, sem sintomas de VIH evidentes, mas é capaz de transmitir o vírus.

A fase de SIDA é definida quando a contagem de CD4 desce abaixo de 200 células/μL ou quando surgem infeções oportunistas definidoras de SIDA. A European AIDS Clinical Society (EACS) e o CDC definem critérios específicos para classificação da progressão da infeção por VIH.

Diagnóstico

O diagnóstico do VIH baseia-se em testes serológicos de rastreio (ELISA de 4ª geração, que deteta anticorpos anti-VIH e antigénio p24) seguidos de teste confirmatório (Western blot ou ensaio de diferenciação VIH-1/VIH-2). O período de janela imunológica (tempo entre a infeção e a detetabilidade) é de 2 a 6 semanas com os testes de 4ª geração.

Os testes rápidos point-of-care permitem resultados em 15 a 30 minutos e são utilizados nos Centros de Aconselhamento e Deteção (CAD) em Portugal e em rastreios comunitários. A autotestagem domiciliária do VIH está disponível em farmácias portuguesas, aumentando o acesso ao rastreio, especialmente quando surgem sintomas de VIH ou após uma exposição de risco.

O teste de carga viral (ARN-VIH por PCR) quantifica a replicação viral e é essencial para monitorização do tratamento. O National Institute for Health and Care Excellence (NICE) recomenda rastreio de VIH em todos os adultos que frequentem serviços de saúde em áreas de prevalência superior a 2 por 1000 habitantes.

Transmissão e Fatores de Risco

O VIH é transmitido por contacto com fluidos corporais infetados: sangue, sémen, secreções vaginais e leite materno. As vias de transmissão incluem relações sexuais desprotegidas (vaginal, anal e, menos frequentemente, oral), partilha de material de injeção, transmissão vertical e exposição ocupacional.

O risco de transmissão varia conforme a via de exposição: o sexo anal recetivo apresenta o risco mais elevado por ato sexual (1,38 %), seguido do sexo vaginal recetivo (0,08 %). A presença de outras ISTs, especialmente ulcerativas, aumenta significativamente o risco de aquisição do VIH.

O conceito de I=I (Indetectável = Intransmissível), validado pelo estudo PARTNER publicado no The Lancet, demonstrou que pessoas com VIH sob terapêutica antirretroviral eficaz com carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual. Este achado revolucionou a prevenção e reduziu o estigma associado ao VIH, mesmo em pessoas que previamente apresentaram sintomas de VIH antes do diagnóstico.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece rastreio confidencial dos sintomas de VIH, aconselhamento pré e pós-teste, e referenciação para seguimento especializado em caso de diagnóstico positivo.

Homem realizando teleconsulta médica para avaliar sintomas de VIH, com doutor sorridente na tela do laptop, ilustrando atendimento remoto confidencial e acessível para orientação sobre infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, testes e prevenção

Perguntas frequentes (FAQ)

A fase aguda do VIH pode manifestar-se 2 a 4 semanas após a infeção com sintomas de VIH semelhantes a uma síndrome gripal. Contudo, sem teste, a infeção pode permanecer assintomática durante anos, progredindo silenciosamente.

Sim. Os testes rápidos de VIH têm sensibilidade superior a 99 % após o período de janela imunológica. Um resultado reativo deve ser confirmado com teste laboratorial. Um resultado negativo é fiável se o teste for realizado após 6 semanas da exposição de risco.

Não. O princípio I=I (Indetectável = Intransmissível) está cientificamente comprovado. Com carga viral indetectável sustentada, o risco de transmissão sexual do VIH é zero.

Sim. Em Portugal, os autotestes de VIH estão disponíveis em farmácias sem necessidade de prescrição. Um resultado reativo deve ser sempre confirmado por teste laboratorial em serviço de saúde.

Não. Com a terapêutica antirretroviral atual, as pessoas com VIH têm uma esperança de vida praticamente normal. O diagnóstico precoce, muitas vezes motivado por sintomas de VIH, e a adesão ao tratamento são fundamentais para este prognóstico favorável.

Conclusão

O VIH é uma infeção crónica controlável com diagnóstico precoce e terapêutica antirretroviral. O reconhecimento precoce de possíveis sintomas de VIH, a utilização de testes de rastreio acessíveis e o princípio I=I são pilares fundamentais para a gestão clínica, a prevenção da transmissão e a redução do estigma associado ao VIH.

Referências

Rodger A.J. et al. Risk of HIV transmission through condomless sex in serodifferent gay couples with the HIV-positive partner taking suppressive ART (PARTNER) — The Lancet (2019)

European AIDS Clinical Society. EACS Guidelines for the Clinical Management of HIV (2024)

Direção-Geral da Saúde. Programa Nacional para a Infeção VIH, SIDA e Tuberculose — Relatório Anual (2023)

Gostou deste artigo? Partilhe:

Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.