Introdução
O tratamento da hepatite B crónica visa suprimir a replicação viral, prevenir a progressão para cirrose e carcinoma hepatocelular, e melhorar a sobrevida a longo prazo. As guidelines da European Association for the Study of the Liver (EASL) e da American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD) fornecem recomendações baseadas em evidência para a gestão terapêutica da hepatite B.
A vacinação universal contra a hepatite B é a estratégia preventiva mais eficaz, tendo reduzido dramaticamente a incidência global. A OMS definiu como meta a eliminação da hepatite B como ameaça de saúde pública até 2030, exigindo esforços coordenados de vacinação, rastreio e tratamento da hepatite B em populações afetadas.
Terapêutica Antiviral
Os análogos de nucleos(t)ídeos (NAs) são a terapêutica de primeira linha para a hepatite B crónica. O entecavir e o tenofovir (disoproxil fumarato ou alafenamida) são os fármacos preferidos, pela sua elevada eficácia antiviral e baixa barreira genética à resistência, constituindo a base do tratamento da hepatite B na prática clínica atual.
O objetivo do tratamento da hepatite B é a supressão sustentada da carga viral (ADN-VHB indetectável), normalização das transaminases e, idealmente, seroconversão do AgHBe e perda do AgHBs. A cura funcional (perda de AgHBs) é alcançada em menos de 10 % dos doentes tratados com NAs, permanecendo o principal objetivo de investigação.
O interferão peguilado (PEG-IFN) alfa-2a é uma alternativa para doentes selecionados com hepatite B, com duração finita de tratamento (48 semanas) e maiores taxas de seroconversão. Contudo, apresenta mais efeitos secundários que os NAs. A escolha entre as opções terapêuticas deve ser individualizada conforme as características do doente e a fase da doença no contexto do tratamento da hepatite B.
Indicações para Tratamento
Nem todos os doentes com hepatite B crónica necessitam de tratamento antiviral imediato. As indicações para tratamento da hepatite B, segundo a EASL, incluem carga viral elevada (ADN-VHB > 2000 UI/mL), transaminases elevadas e evidência de fibrose hepática significativa ou cirrose.
A avaliação não invasiva da fibrose hepática, através da elastografia transitória (FibroScan) ou de índices serológicos (FIB-4, APRI), permite estratificar os doentes e decidir sobre a necessidade de iniciar tratamento da hepatite B com antivirais.
Doentes em fase de tolerância imunológica (carga viral elevada com transaminases normais e sem fibrose) requerem monitorização regular mas não necessariamente tratamento imediato. O seguimento clínico regular da hepatite B é essencial para detetar o momento adequado para iniciar o tratamento da hepatite B.
Vacinação e Prevenção
A vacina da hepatite B é composta pelo antigénio de superfície recombinante (AgHBs) e confere proteção em mais de 95 % dos vacinados. Em Portugal, o esquema vacinal inclui 3 doses administradas aos 0, 2 e 6 meses de idade, integradas no Programa Nacional de Vacinação.
A profilaxia pós-exposição, com imunoglobulina específica anti-hepatite B (HBIG) e vacinação, é indicada após exposição de risco (sexual, percutânea ou perinatal) em indivíduos não vacinados. O CDC recomenda esta profilaxia idealmente nas primeiras 24 horas após a exposição.
Medidas adicionais de prevenção da hepatite B incluem utilização de preservativo, não partilha de material cortante ou de injeção, rastreio de dadores de sangue e órgãos, e rastreio pré-natal. Estas estratégias complementam o tratamento da hepatite B e contribuem para reduzir a transmissão do vírus.
A Fundação Portuguesa de Hepatologia promove a sensibilização para o rastreio e vacinação da hepatite B em populações de risco.
Na Médico na Net, a equipa clínica oferece acompanhamento especializado da hepatite B, incluindo avaliação da fibrose hepática, indicação de tratamento da hepatite B com antivirais quando clinicamente apropriado, e verificação do estado vacinal para garantir proteção adequada.
Perguntas frequentes (FAQ)
O tratamento da hepatite B crónica é para toda a vida?
O tratamento da hepatite B com análogos de nucleosídeos é frequentemente prolongado, por vezes indefinido. A descontinuação pode ser considerada em circunstâncias específicas, como seroconversão do AgHBe, sob supervisão médica rigorosa.
Os antivirais para hepatite B têm efeitos secundários?
O entecavir e o tenofovir são geralmente bem tolerados. O tenofovir disoproxil pode afetar a função renal e a densidade óssea a longo prazo. O tenofovir alafenamida apresenta melhor perfil de segurança renal e óssea.
Devo ser vacinado contra a hepatite B se sou adulto?
A vacinação é recomendada para todos os adultos não vacinados, especialmente grupos de risco como profissionais de saúde, parceiros sexuais de portadores de hepatite B e viajantes para regiões endémicas.
A hepatite B pode causar cancro do fígado?
Sim. A hepatite B crónica é um dos principais fatores de risco para o carcinoma hepatocelular. O rastreio regular com ecografia hepática e alfa-fetoproteína é recomendado em doentes com hepatite B crónica.
O meu parceiro está protegido se estiver vacinado?
Sim. Um parceiro vacinado com resposta imunológica adequada (anti-HBs > 10 mUI/mL) está protegido contra a hepatite B. É recomendável verificar a serologia para confirmar a imunidade.
Conclusão
O tratamento da hepatite B crónica com antivirais de primeira linha é eficaz na supressão da replicação viral e na prevenção de complicações hepáticas. A vacinação universal permanece a estratégia preventiva mais importante. A combinação de rastreio, vacinação, tratamento da hepatite B adequado e monitorização regular constitui a base para o controlo da infeção e para a meta global da sua eliminação.
Referências
European Association for the Study of the Liver