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Quando Parar o Tratamento com Injetáveis para Emagrecer? Duração, Descontinuação e Manutenção

Introdução

Uma das questões mais debatidas na comunidade médica e entre os doentes diz respeito à duração do tratamento com injetáveis para perda de peso. Devo tomar para sempre? Posso parar quando atingir o meu peso ideal? O que acontece se descontinuar? Estas são perguntas legítimas que merecem respostas baseadas na evidência científica atual. A verdade é que a obesidade é uma doença crónica, e o seu tratamento deve ser encarado nessa perspetiva — mas isso não significa necessariamente medicação vitalícia para todos os doentes.

O Que Acontece Quando Se Para o Tratamento

Vários estudos analisaram o que acontece após a descontinuação dos agonistas do recetor GLP-1. O estudo STEP 1 Extension, publicado na revista Diabetes, Obesity and Metabolism (2022), demonstrou que os doentes que interromperam o tratamento recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso perdido ao longo do ano seguinte. Simultaneamente, as melhorias nos parâmetros cardiometabólicos — pressão arterial, perfil lipídico, hemoglobina glicada — também regrediram parcialmente. Estes dados não surpreendem a comunidade médica: tal como acontece com anti-hipertensivos ou estatinas, a interrupção da medicação para uma doença crónica pode resultar no reaparecimento dos sintomas.

Critérios Para Considerar a Descontinuação

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) recomenda a reavaliação do tratamento em determinadas circunstâncias. Se o doente não atingir pelo menos 5% de perda de peso após 12 semanas na dose máxima tolerada, o tratamento deve ser reconsiderado, pois é improvável que resulte em benefício clínico significativo. A descontinuação também deve ser ponderada em caso de efeitos secundários persistentes e intoleráveis, gravidez planeada ou confirmada, e quando surgem contraindicações durante o tratamento. A Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) acrescenta que a decisão deve ser sempre individualizada.

Estratégias Para Manter o Peso Após a Descontinuação

Se a decisão de descontinuar for tomada, existem estratégias que podem minimizar a recuperação do peso. Um estudo publicado na revista Obesity (2023) demonstrou que doentes que mantiveram acompanhamento nutricional intensivo, prática regular de exercício físico (mínimo 150 minutos por semana de atividade moderada) e monitorização frequente do peso tiveram uma recuperação significativamente menor. A Associação Americana de Diabetes (ADA) recomenda que a descontinuação seja feita de forma gradual, com redução progressiva da dose, e não abruptamente.

Tratamento a Longo Prazo: Uma Opção Válida

Para muitos doentes, especialmente aqueles com obesidade grave ou múltiplas comorbilidades, o tratamento a longo prazo pode ser a opção mais adequada. A European Association for the Study of Obesity (EASO) publicou em 2024 um consenso reconhecendo que, à semelhança de outras doenças crónicas, a terapêutica farmacológica prolongada da obesidade é cientificamente justificável quando os benefícios superam os riscos. Dados de segurança a longo prazo (até 4 anos) publicados pela EMA são tranquilizadores.

Decisão Partilhada e Acompanhamento Contínuo

A decisão sobre quando e como ajustar ou descontinuar o tratamento deve ser tomada em conjunto pelo médico e pelo doente, considerando os objetivos individuais, as comorbilidades, a resposta ao tratamento e as preferências pessoais. O acompanhamento médico regular é essencial, independentemente de o doente continuar ou suspender a medicação. A Direção-Geral da Saúde (DGS) recomenda consultas de reavaliação pelo menos trimestrais durante o primeiro ano e semestrais nos anos seguintes.

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.