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Tricomoníase nos Homens: Diagnóstico Subvalorizado e Papel na Transmissão

Introdução

A tricomoníase masculina é uma das infeções sexualmente transmissíveis mais subdiagnosticadas, em grande parte porque a maioria dos homens infetados com Trichomonas vaginalis é assintomática e raramente é testada. Contudo, os homens desempenham um papel crucial na cadeia de transmissão da tricomoníase, sendo responsáveis pela reinfeção frequente das parceiras.

O reconhecimento da tricomoníase como causa de uretrite masculina e o seu papel como cofator na transmissão do VIH tornaram o diagnóstico e tratamento nos homens uma prioridade. A International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) e a British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) recomendam a investigação de Trichomonas vaginalis na avaliação da uretrite masculina.

Apresentação Clínica nos Homens

A tricomoníase masculina é assintomática em 50 a 70 % dos casos. Quando presentes, os sintomas são tipicamente ligeiros e inespecíficos: corrimento uretral escasso, disúria moderada, prurido uretral e, ocasionalmente, desconforto perineal.

A prostatite por Trichomonas vaginalis é debatida na literatura médica, com alguns autores sugerindo associação entre tricomoníase crónica e sintomas prostáticos. A European Association of Urology (EAU) inclui o Trichomonas vaginalis entre os agentes a considerar na prostatite crónica refratária.

Uma particularidade da tricomoníase masculina é a tendência para resolução espontânea, o que pode ocorrer em semanas a meses. Contudo, durante este período, o homem permanece infecioso, contribuindo para a transmissão continuada. Este fenómeno explica, em parte, as elevadas taxas de reinfeção observadas nas mulheres tratadas cujos parceiros não foram simultaneamente tratados.

Desafios no Diagnóstico Masculino

O diagnóstico da tricomoníase no homem é mais desafiante do que na mulher. A carga parasitária uretral é geralmente inferior, reduzindo a sensibilidade dos testes convencionais. O exame microscópico a fresco tem sensibilidade de apenas 30 a 40 % em amostras uretrais masculinas.

Os testes NAAT são o método preferido para diagnóstico da tricomoníase masculina, com sensibilidade significativamente superior (80 a 95 %). A amostra de urina de primeiro jato é a colheita mais prática e aceitável para rastreio de tricomoníase em homens.

O Centers for Disease Control and Prevention (CDC) reconhece que a ausência de testes NAAT aprovados especificamente para amostras masculinas em alguns laboratórios é uma barreira ao diagnóstico. Contudo, muitos laboratórios utilizam validações internas de NAAT para amostras uretrais e de urina masculinas.

Papel na Transmissão e Importância do Tratamento

O tratamento dos parceiros masculinos é mandatório para a erradicação da tricomoníase, mesmo na ausência de sintomas. A terapêutica acelerada de parceiros (expedited partner therapy) é uma estratégia eficaz para garantir o tratamento do homem sem necessidade de consulta presencial.

Estudos publicados no Sexually Transmitted Diseases Journal demonstram que o tratamento simultâneo do parceiro masculino reduz a taxa de reinfeção em 50 a 70 %. A dose única de metronidazol 2 g oral é o regime mais utilizado no parceiro masculino pela sua simplicidade.

A tricomoníase masculina funciona como cofator na aquisição e transmissão do VIH, através da inflamação uretral que aumenta a excreção viral em homens VIH-positivos e a suscetibilidade em VIH-negativos. A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal reconhece esta interação na abordagem integrada das ISTs.

Na Médico na Net, a equipa clínica disponibiliza diagnóstico molecular de tricomoníase em homens, com tratamento adequado e gestão de parceiros para interromper a cadeia de transmissão.

Homem em consulta médica online com médico no computador para esclarecimento e diagnóstico de tricomoníase masculina

Perguntas frequentes (FAQ)

Sim. A maioria dos homens com tricomoníase é assintomática, podendo transmitir a infeção sem conhecimento. O teste é recomendado quando a parceira é diagnosticada com tricomoníase.

O teste NAAT em urina de primeiro jato é o método preferido. O exame microscópico tem sensibilidade baixa em amostras masculinas e não é recomendado como método isolado.

A tricomoníase é assintomática em 50 a 70 % dos homens. A ausência de sintomas não significa ausência de infeção. O tratamento é necessário independentemente dos sintomas para prevenir a reinfeção da parceira.

A resolução espontânea pode ocorrer, mas é imprevisível. Durante esse período, o homem continua a poder transmitir a infeção. O tratamento é sempre recomendado para eliminação garantida e prevenção da transmissão.

Sim. O uso consistente do preservativo reduz significativamente a transmissão da tricomoníase. É a medida preventiva mais eficaz, complementada pelo tratamento simultâneo de ambos os parceiros.

Conclusão

A tricomoníase masculina é frequentemente assintomática e subdiagnosticada, mas desempenha um papel central na transmissão e reinfeção. O diagnóstico com NAAT, o tratamento simultâneo de parceiros e o reconhecimento do papel dos homens na epidemiologia da tricomoníase são essenciais para o controlo eficaz desta IST.

Referências

Trichomonas vaginalis infection in male sexual partners: implications for diagnosis, treatment, and prevention — Clinical Infectious Diseases Diagnosis and Management of Trichomonas vaginalis in Men — Sexually Transmitted Diseases Journal European guideline on the management of Trichomonas vaginalis — International Union against Sexually Transmitted Infections

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.