Saúde online, sem esperas

Iniciar sessão

Saúde Simples, para Todos

Iniciar sessão

Encontrar artigos

Marque a sua consulta

Newsletter

Entenda o seu corpo e a sua mente com os nossos especialistas

Medicina, psicologia e nutrição unidas pela sua saúde, explicadas por quem sabe cuidar de si

Últimos artigos

Mycoplasma genitalium: A IST Emergente — Sintomas, Diagnóstico e Desafios

Introdução

O Mycoplasma genitalium é uma bactéria sexualmente transmissível emergente, reconhecida cada vez mais como causa significativa de uretrite não gonocócica, cervicite e doença inflamatória pélvica. Descoberta em 1981, esta bactéria sem parede celular ganhou relevância clínica na última década com o desenvolvimento de métodos de diagnóstico molecular específicos.

A prevalência estimada de Mycoplasma na população geral é de 1 a 3 %, semelhante à da clamídia, mas pode atingir 15 a 20 % em populações de risco. A British Association for Sexual Health and HIV (BASHH) e a European Society of Clinical Microbiology and Infectious Diseases (ESCMID) classificam o Mycoplasma genitalium como uma IST de importância crescente, particularmente devido à resistência antimicrobiana.

Sintomas e Apresentação Clínica

Nos homens, o Mycoplasma genitalium é responsável por 15 a 25 % dos casos de uretrite não gonocócica (UNG), manifestando-se com corrimento uretral escasso, disúria e, ocasionalmente, uretrite persistente ou recorrente após tratamento para clamídia. A epididimite é uma complicação possível, embora menos frequente que na clamídia.

Nas mulheres, o Mycoplasma genitalium pode causar cervicite mucopurulenta, uretrite, endometrite e doença inflamatória pélvica (DIP). Estudos publicados na revista Sexually Transmitted Infections associam o Mycoplasma genitalium a infertilidade tubária e complicações obstétricas, incluindo parto pré-termo e aborto espontâneo.

Tal como a clamídia, o Mycoplasma é frequentemente assintomático em ambos os sexos (40 a 75 % dos casos), contribuindo para a transmissão silenciosa. A International Union against Sexually Transmitted Infections (IUSTI) recomenda considerar o Mycoplasma genitalium no diagnóstico diferencial de uretrite e cervicite persistentes.

Diagnóstico

O diagnóstico do Mycoplasma genitalium requer testes de amplificação de ácidos nucleicos (NAAT), pois esta bactéria é extremamente difícil de cultivar em meios convencionais (o crescimento em cultura pode demorar até 6 meses). O NAAT é o único método diagnóstico viável na prática clínica.

A BASHH e a ESCMID recomendam que o teste para Mycoplasma genitalium seja acompanhado de teste de resistência à azitromicina (deteção de mutações no gene 23S rRNA), sempre que possível. Esta abordagem permite tratamento dirigido e reduz o risco de selecionar resistência adicional.

As indicações para teste de Mycoplasma incluem uretrite persistente ou recorrente após tratamento para clamídia, cervicite mucopurulenta, DIP, contacto sexual com parceiro com Mycoplasma genitalium e contexto de investigação de infertilidade. O rastreio universal não é atualmente recomendado.

Resistência Antimicrobiana

A resistência antimicrobiana é o maior desafio no tratamento do Mycoplasma genitalium. A resistência à azitromicina, tratamento de primeira linha, atingiu 40 a 60 % em muitos países europeus, segundo dados da vigilância do ECDC. A resistência às fluoroquinolonas (moxifloxacina) está também a aumentar.

A ausência de parede celular torna o Mycoplasma intrinsecamente resistente a betalactâmicos (penicilinas, cefalosporinas) e outros antibióticos que atuam na parede celular. As opções terapêuticas são, portanto, mais limitadas do que para outras ISTs bacterianas.

A OMS incluiu o Mycoplasma genitalium na lista de bactérias prioritárias para vigilância da resistência antimicrobiana em ISTs. A investigação de novos antibióticos e estratégias terapêuticas, incluindo a lefamulina e a sitafloxacina, está em curso para abordar este desafio crescente.

Na Médico na Net, a equipa clínica oferece diagnóstico molecular de Mycoplasma genitalium com teste de resistência, permitindo tratamento dirigido e eficaz para esta IST emergente.

Mulher em consulta médica online no computador enquanto fala com médico sobre Mycoplasma genitalium

Perguntas frequentes (FAQ)

É uma bactéria sexualmente transmissível, reconhecida como causa importante de uretrite, cervicite e doença inflamatória pélvica. É considerada uma IST emergente pela sua prevalência crescente e resistência antimicrobiana.

O diagnóstico é feito exclusivamente por NAAT (teste molecular), pois a bactéria não cresce em culturas convencionais. As amostras incluem zaragatoa uretral, cervical ou urina de primeiro jato.

Sim, a resistência à azitromicina é elevada (40 a 60 % na Europa). Por isso, o teste de resistência antes do tratamento é cada vez mais recomendado para garantir terapêutica eficaz.

O teste é recomendado em casos de uretrite ou cervicite persistente ou recorrente, especialmente após tratamento para clamídia. O rastreio universal não é atualmente indicado.

Estudos sugerem associação entre Mycoplasma e infertilidade tubária, embora a evidência não seja tão robusta como para a clamídia. O tratamento atempado é prudente para prevenir potenciais complicações.

Conclusão

O Mycoplasma genitalium é uma IST emergente com prevalência crescente e desafios significativos de resistência antimicrobiana. O diagnóstico molecular com teste de resistência, o tratamento dirigido e a investigação de novas opções terapêuticas são essenciais para a gestão eficaz desta infeção e a prevenção de complicações reprodutivas.

Referências

European guideline on the management of Mycoplasma genitalium — International Union against Sexually Transmitted Infections

Guideline on Mycoplasma genitalium — British Association for Sexual Health and HIV

Antimicrobial resistance in Mycoplasma genitalium — The Lancet Infectious Diseases

Gostou deste artigo? Partilhe:

Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.