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Alergia Alimentar: O Que Precisa de Saber

Introdução

A alergia alimentar é uma reação adversa do sistema imunitário a determinadas proteínas presentes nos alimentos, que pode variar desde sintomas ligeiros a reações potencialmente fatais. Segundo a European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI), a prevalência tem aumentado nas últimas décadas, afetando 6 a 8% das crianças e 2 a 3% dos adultos na Europa. Em Portugal, a SPAIC confirma esta tendência crescente.

É fundamental distinguir alergia alimentar de intolerância alimentar. A alergia envolve o sistema imunitário (reação mediada por IgE ou por células) e pode causar sintomas graves incluindo anafilaxia. A intolerância (como a intolerância à lactose) é uma reação não imunológica, geralmente digestiva, que causa desconforto mas não é perigosa. O National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID) dos EUA sublinha que esta distinção é essencial para evitar diagnósticos errados e restrições alimentares desnecessárias.

Alimentos Mais Frequentemente Envolvidos

Os oito alimentos responsáveis pela maioria das alergias alimentares são: leite de vaca, ovo, amendoim, frutos de casca rija, trigo, soja, peixe e marisco. Em Portugal, a alergia ao marisco e ao peixe é particularmente relevante dado o elevado consumo. A legislação europeia (Regulamento UE n.º 1169/2011) obriga à declaração de 14 alérgenos nos rótulos alimentares e na restauração.

Nas crianças, as alergias ao leite e ao ovo são as mais frequentes e tendem a resolver-se com a idade em 70-80% dos casos. As alergias ao amendoim, frutos de casca rija e marisco tendem a ser mais persistentes e a acompanhar o indivíduo durante toda a vida.

Sintomas: Do Ligeiro ao Grave

Os sintomas surgem minutos a horas após a ingestão e incluem: urticária, angioedema, vómitos, diarreia, dor abdominal, tosse, sibilância e, nos casos mais graves, anafilaxia — reação sistémica que pode provocar hipotensão, perda de consciência e paragem cardiorrespiratória. A anafilaxia é uma emergência médica que requer administração imediata de adrenalina intramuscular (auto-injetor).

A World Allergy Organization (WAO) estima que a alergia alimentar é a causa mais comum de anafilaxia em crianças e adolescentes. A gravidade da reação pode variar de episódio para episódio no mesmo indivíduo, dependendo de fatores como a quantidade ingerida, exercício físico concomitante e infeções intercorrentes.

Diagnóstico: Como Se Confirma?

O diagnóstico baseia-se na história clínica detalhada, nos testes cutâneos por picada, na dosagem de IgE específicas e, quando necessário, na prova de provocação oral em ambiente hospitalar — o gold standard diagnóstico. A EAACI desaconselha testes não validados (IgG a alimentos, bioressonância, kinesiologia) por serem pouco fiáveis e conduzirem a restrições injustificadas.

O diagnóstico molecular permite identificar com maior precisão as proteínas alergénicas envolvidas, distinguindo alergias verdadeiras de reatividades cruzadas. Esta informação é crucial para avaliar o risco de reações graves e para orientar a introdução alimentar.

Tratamento e Gestão no Dia a Dia

O pilar do tratamento é a evicção rigorosa do alimento causador. Doentes e cuidadores devem ser educados sobre leitura de rótulos, prevenção da contaminação cruzada e gestão de emergências. Os doentes com risco de anafilaxia devem ter sempre disponível um auto-injetor de adrenalina e saber utilizá-lo. Escolas e restaurantes devem estar informados sobre os alérgenos do doente.

A imunoterapia oral (dessensibilização) para alguns alimentos, como o amendoim, tem mostrado resultados promissores e está aprovada em alguns países. Em Portugal, a SPAIC e os serviços de Imunoalergologia dos hospitais centrais disponibilizam consultas especializadas e seguimento adequado.

Na Médico na Net, oferecemos avaliação clínica de suspeita de alergia alimentar, orientação sobre investigação diagnóstica, educação sobre evicção alimentar e gestão de emergências, e referenciação para imunoalergologia quando indicado.

Pessoa a receber orientação sobre alergia alimentar através de videochamada no computador

Perguntas frequentes (FAQ)

Algumas alergias alimentares da infância (leite, ovo) resolvem-se com a idade em muitos casos. Outras (amendoim, frutos secos, marisco) tendem a persistir. A imunoterapia oral é uma abordagem promissora que pode aumentar a tolerância, mas não constitui uma cura definitiva.

Sim, a anafilaxia pode ocorrer na primeira exposição reconhecida ao alérgeno. Por isso, é importante diagnosticar a alergia alimentar corretamente e ter sempre disponível um auto-injetor de adrenalina quando prescrito.

Não. Os testes de IgG a alimentos não são recomendados por nenhuma sociedade científica de referência para o diagnóstico de alergia alimentar. A presença de IgG reflete exposição ao alimento, não alergia.

Sim, com precauções. Informe sempre o restaurante sobre a sua alergia. A legislação europeia obriga à informação sobre alérgenos na restauração. Evite pratos com elevado risco de contaminação cruzada e tenha sempre o auto-injetor consigo.

Sim, com precauções. Informe sempre o restaurante sobre a sua alergia. A legislação europeia obriga à informação sobre alérgenos na restauração. Evite pratos com elevado risco de contaminação cruzada e tenha sempre o auto-injetor consigo.

Conclusão

A alergia alimentar é uma condição de prevalência crescente que requer diagnóstico correto, educação do doente e dos cuidadores, e preparação para emergências. A evicção rigorosa do alérgeno continua a ser o tratamento principal, enquanto a imunoterapia oral representa uma opção terapêutica promissora para o futuro.

Referências

European Academy of Allergy and Clinical Immunology (EAACI). Food Allergy and Anaphylaxis Guidelines

Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Alergia Alimentar — Documento de Consenso

National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID). Food Allergy Guidelines

World Allergy Organization (WAO). Anaphylaxis Guidelines

Regulamento (UE) n.º 1169/2011 — Informação aos consumidores

Muraro A, et al. EAACI Food Allergy Guidelines

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Dra. Alexandra Azevedo

Formação: Universidade de Barcelona
Nº ordem dos médicos: 71409

Biografia

A Dra. Alexandra Azevedo formou-se em Medicina na Universidade de Barcelona em 2015, onde posteriormente se especializou em Medicina Geral e Familiar. Durante a sua formação, desenvolveu um forte interesse pela abordagem à dor crónica, tendo realizado um mestrado integrado em Medicina e Cirurgia com investigação na Clínica no controlo da Dor. A sua experiência profissional inclui vários anos de prática clínica em Espanha, nomeadamente na Catalunha, onde teve contacto com uma grande diversidade de patologias e desafios, tanto na urgência, como nos cuidados de saúde primários.

Atualmente, exerce como médica de família na ULS Braga. Já integrou a equipa da urgência médico-cirúrgica do Hospital de Vila Nova de Famalicão e já colaborou como professora convidada na Escola Superior de Enfermagem da Universidade do Minho, lecionando anatomia e fisiologia do sistema circulatório, respiratório e digestivo.

Os seus principais interesses clínicos incluem a urgência médica, a dor crónica, a depressão e a ansiedade, bem como a medicina preventiva e o controlo de fatores de risco vasculares. Dedica-se também à consulta antitabágica e à consulta de perda de peso, ajudando os seus pacientes a adotar hábitos de vida mais saudáveis. A sua abordagem ao cuidado baseia-se numa visão holística, considerando a saúde como um equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.

A Dra. Alexandra distingue-se pelo seu humanismo e pela capacidade de oferecer soluções rápidas e eficazes para problemas menores, garantindo que os seus pacientes se sintam bem acompanhados. No Médico na Net, vê uma oportunidade de levar os cuidados de saúde a mais pessoas de forma acessível e conveniente.

Apaixonada por música e viagens, adora conhecer diferentes culturas e estilos de vida, o que enriquece a sua visão do mundo e a sua prática médica. Para ela, a medicina não é apenas uma profissão, mas um verdadeiro compromisso com o bem-estar das pessoas que acompanha. Como gosta de dizer: “A saúde é o equilíbrio entre o bem-estar físico e psicológico.